Ken Griffin afirma que o governo dos EUA está se transformando em uma fábrica de favores nos bastidores e está citando nomes.
Na quinta-feira, durante uma entrevista ao vivo com Sara Eisen, da CNBC, em Miami, o CEO da Citadel criticou duramente o governo Trump por fechar o que ele chamou de acordos "anti-americanos" com grandes empresas como a Apple, que lhes permitem evitar o pagamento integral das tarifas. "É esse o nosso país, que vamos favorecer os grandes e os influentes? Essa não é a história americana", disse Ken.
Ele não se limitou a chamar a situação de injusta. Ken alertou que, quando Washington começa a escolher quais empresas ganham e quais perdem, todo o sistema desmorona. "Quando o estado se envolve na escolha de vencedores e perdedores, só há um jeito de esse jogo terminar: todos nós perdemos."
E neste momento, é exatamente isso que está acontecendo. Um número crescente de empresas está comparecendo à Casa Branca, na esperança de obter isenções especiais, enquanto as empresas menores arcam com os custos. Ken chamou essa fila de "repugnante"
Ken critica a isenção tarifária da Apple e o favor da Casa Branca a Tim Cook
A Apple, a empresa de tecnologia mais valiosa do mundo, está mais uma vez sendo poupada. Ken disse que a fabricante do iPhone "de jeito nenhum" deveria ser isenta das tarifas de Trump. A maior parte do hardware da Apple é produzida na China, com a fabricação mais recente ocorrendo na Índia e no Vietnã.
Ainda assim, depois que o CEO da Apple, Tim Cook, prometeu investir mais US$ 100 bilhões em fornecedores americanos , além dos US$ 500 bilhões já comprometidos, o governo Trump deu sinal verde para que eles ignorassem a tarifa de 100% planejada para semicondutores.
Esse investimento não foi tudo o que Cook ofereceu. Ele também presenteou Trump com uma placa personalizada da Apple com base de ouro, outra ação que Ken claramente interpretou como uma tática para ganhar favores. "Vamos continuar favorecendo grandes empresas com conexões nos Estados Unidos?", perguntou ele, apontando diretamente para o nepotismo inerente a esse tipo de acordo.
O acordo de Cook segue um padrão que vem se repetindo desde o primeiro mandato de Trump, quando a Apple também evitou tarifas graças a um acordo comercial com a China. Ken foi direto: não se trata de política ou competitividade, mas sim de qual CEO conhece qual político. E o resultado, segundo ele, é uma mudança perigosa em que as empresas param de inovar e começam a fazer lobby. "A principal competência não será impulsionar a inovação", disse ele. "Será conseguir os favores certos em Washington."
Ken alerta que a linha direta para obter favores na Casa Branca é uma armadilha
Ken disse que esse tipo de comportamento do governo arma uma cilada para as empresas que jogam o jogo agora, mas não pensam no futuro. Ele alertou que as empresas que se curvam à liderança atual podem acabar em apuros quando um novo presidente dent o cargo. “É o governo se envolvendo na escolha de vencedores e perdedores. E devemos ter muito cuidado com isso”, disse ele. “Na verdade, deveríamos simplesmente ficar de fora. É aí que os crocodilos vivem.”
Ele também está alertando sobre como as tarifas afetam os americanos comuns. Ken as comparou a um imposto nacional sobre vendas, dizendo que elas prejudicam mais as famílias de baixa renda porque estas gastam uma parcela maior de sua renda em bens de consumo. "Há questões de equidade e justiça", disse ele, deixando claro que se trata de quem realmente arca com o peso financeiro.
Apesar de toda a repercussão, as ações da Apple têm subido. No início desta semana, a empresa se tornou a última das gigantes da tecnologia a registrar resultados positivos no ano. No acumulado do ano, as ações subiram pouco mais de 1%. Nos últimos três meses, as ações da Apple saltaram mais de 25%, superando o restante do mercado. Mas, após a divulgação dos comentários de Ken na quinta-feira, as ações da Apple recuaram ligeiramente em relação às máximas atingidas durante o pregão.

