A Cerebras deverá apresentar um pedido de oferta pública inicial (IPO) na sexta-feira, antes do fechamento do mercado, de acordo com duas pessoas familiarizadas com o assunto que supostamente falaram à CNBC sob condição de anonimato, pois as negociações são privadas.
A empresa fabrica chips projetados para executar modelos de inteligência artificial e agora está tentando convencer investidores sobre um negócio que mudou muito em relação à sua proposta inicial.
Segundo informações, a Cerebras não se limita mais a vender hardware para empresas externas. Ela também opera seus próprios chips em data centers controlados pela empresa e vende esse poder computacional como um serviço em nuvem. Essa mudança é importante porque os clientes de IA agora querem acesso imediato à capacidade computacional, e não apenas componentes de silício.
Em janeiro, a Cerebras anunciou que planejava fornecer até 750 megawatts de poder computacional para a OpenAI até 2028, em um acordo avaliado em mais de US$ 10 bilhões.
Cerebras expande seus negócios em nuvem enquanto a OpenAI consolida uma parceria multimilionária
uma reportagem do The Information, a OpenAI expandiu esse acordo para mais de US$ 20 bilhões e também receberá bônus de subscrição para comprar ações da Cerebras. O The Information já havia noticiado essa estrutura anteriormente.
Esse detalhe vincula a demanda futura por computação a uma possível participação acionária e também dá à Cerebras uma narrativa muito maistronpara apresentar em um pedido de IPO do que tinha no ano passado.
Sachin Katti, executivo da OpenAI, descreveu em termos diretos o motivo pelo qual sua empresa está trabalhando com a Cerebras:
“A estratégia de computação da OpenAI é construir um portfólio resiliente que combine os sistemas certos com as cargas de trabalho certas. O Cerebras adiciona uma solução dedicada de inferência de baixa latência à nossa plataforma. Isso significa respostas mais rápidas, interações mais naturais e uma base maistronpara escalar a IA em tempo real para muito mais pessoas.”
E pode haver mais negócios a caminho. Na teleconferência de resultados da Oracle em março, o CEO Clay Magouyrk afirmou que a empresa oferece chips da Cerebras e de outros fornecedores. Naquela ocasião, porém, a lista de preços pública da Oracle não incluía a Cerebras.
Por enquanto, já existe um caso de uso conhecido. A Cerebras fornece à OpenAI computação em nuvem para executar uma ferramenta de programação, e é aí que a Cerebras está tentando se diferenciar da concorrência.
A maioria das empresas que desenvolvem e implementam IA generativa ainda depende muito das GPUs da Nvidia (NASDAQ: NVDA). A Advanced Micro Devices também ganhou terreno na infraestrutura de IA.
A Cerebras vem conquistando clientes ao impulsionar a velocidade de seus processadores de grande porte, especialmente para tarefas de inferência, onde os usuários fazem perguntas e esperam respostas imediatas.
Desde sua primeira apresentação em 2024, a empresa tem continuado a captar recursos. Em fevereiro, a Cerebras anunciou ter recebido US$ 1 bilhão em financiamento, atingindo uma avaliação de US$ 23 bilhões.
Investidores despejam dinheiro em concorrentes de chips de IA enquanto a alta das ações da Intel reequilibra o mercado
Nos Estados Unidos, a MatX, a Ayar Labs e a Etched levantaram US$ 500 milhões cada em rodadas de investimento em 2026. Na Europa, os investimentos foram menores, mas ainda expressivos. A Axelera e a Olix levantaram mais de US$ 200 milhões cada neste ano.
A Euclyd e a Optalysys afirmaram que estão planejando rodadas de investimento de pelo menos US$ 100 milhões em 2026, enquanto há relatos de que a Fractile e a Arago estão fazendo o mesmo.
Hoje, em Wall Street, as ações da Intel dispararam para o seu maior valor intradiário desde a era da bolha da internet, atingindo US$ 69,55, acima do pico alcançado em 24 de janeiro de 2020. As ações da Intel acumulam alta de 90% neste ano, após uma valorização de 84% em relação ao ano anterior, em 2025. Atualmente, o preço da ação está cerca de 8% abaixo de sua máxima histórica de fechamento, de US$ 74,88, registrada em 31 de agosto de 2000.
No mesmo período, o índice S&P 500 valorizou mais de 100%. Voltando à Intel, no início de abril, a empresa concordou em pagar US$ 14,2 bilhões para recomprar metade de uma fábrica na Irlanda da Apollo Global Management. Depois disso, a Intel anunciou que se juntaria ao projeto Terafab de Elon Musk para desenvolver semicondutores para a Tesla, SpaceX e xAI. Isso ocorreu após o compromisso do Google, da Alphabet, de usar futuras gerações de processadores Intel Xeon em data centers.
Ainda assim, o consenso de recomendação da Intel é de 3,15 em cinco, o mais fraco entre os fabricantes de chips, e as ações são negociadas bem acima da meta média dos analistas, um sinal de que muitos acham que a alta pode ter ido longe demais, rápido demais.

