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O lucro da BYD despenca 30% com a intensificação da guerra de preços de veículos elétricos na China

PorNélio IreneNélio Irene
Tempo de leitura: 3 minutos

Foto de Michael Förtsch no Unsplash.

  • O lucro da BYD caiu quase 30% no segundo trimestre, sua primeira queda em três anos.
  • Os cortes de preços impulsionaram as vendas, mas reduziram os lucros, à medida que a guerra de preços dos veículos elétricos na China se intensificou.
  • A dívida e as pressões financeiras da BYD estão aumentando, apesar do crescimento das vendas no exterior.

A BYD, maior fabricante de veículos elétricos da China, registrou sua primeira queda no lucro trimestral em três anos. O lucro líquido do segundo trimestre despencou quase 30%, para ¥ 6,36 bilhões (US$ 892 milhões), ficando bem abaixo das previsões dos analistas.

A montadora sediada em Shenzhen tem se expandido rapidamente no mercado interno e externo desde 2021, mas a desaceleração das margens começou a impactar os lucros. Embora a receita tenha crescido 14% em relação ao ano anterior, atingindo ¥201 bilhões, os ganhos não foram suficientes para compensar a pressão dos cortes de preços. A margem bruta caiu para cerca de 18%, ante 18,8% no ano anterior, evidenciando como os descontos estão corroendo a lucratividade.

A BYD enfrenta guerras de preços no mercado interno enquanto acelera sua expansão global

A China continua sendo o maior mercado de veículos elétricos do mundo, mas a concorrência se tornou acirrada. Gigantes como BYD, Tesla, Geely, Nio e Xpeng estão travando uma guerra de preços, juntamente com dezenas de marcas menores. Para se manter competitiva, a BYD reduziu os preços de mais de 20 modelos este ano, com descontos que chegam a 34%.

A estratégia impulsionou o volume de vendas, mas reduziu os lucros, enquanto o excesso de estoque em toda a indústria forçou as montadoras a reduzirem ainda mais os preços. A corrida implacável para o fundo do poço já levou algumas startups menores de veículos elétricos à falência.

Os órgãos reguladores começaram a intervir. Em julho, as autoridades chinesas instaram as montadoras a porem fim ao que chamaram de "involução", um ciclo destrutivo em que todos perdem. Os oficiais alertaram que as guerras de preços desenfreadas ameaçam prejudicar a cadeia de suprimentos e minar a reputação global dos veículos elétricos fabricados na China.

Até mesmo a BYD, que teve participação no início da guerra de preços em 2023, agora reconhece que esse não é um modelo de negócios viável a longo prazo. Executivos afirmaram em junho que a atual competição de descontos não era sustentável e ameaçava causar danos permanentes ao setor.

As operações internacionais da BYD estão em plena expansão, mesmo com a queda nos lucros no mercado interno. Nos primeiros sete meses de 2025, as vendas internacionais mais que dobraram. A empresa conquistou espaço significativo na Europa, no Sudeste Asiático e na América Latina.

Na Europa, em maio, a BYD superou as vendas mensais da Tesla. A empresa também está construindo fábricas na Hungria e na Turquia e fretou uma frota de navios roll-on/roll-off para acelerar as exportações. O Brasil se consolidou como um de seus maiores mercados internacionais, representando cerca de um terço das vendas globais.

No entanto, apesar desse impulso, o crescimento no exterior não foi suficiente para compensar totalmente as margens reduzidas na China. Analistas afirmam que maiores despesas com marketing e mais aquisições de novas tecnologias estão impactando negativamente os lucros.

O crescimento estagna à medida que os problemas financeiros se agravam.

A BYD também enfrenta crescentes dificuldades financeiras. Seu defide capital de giro aumentou de ¥95,8 bilhões em março para ¥122,7 bilhões em 30 de junho. Sua relação dívida/ativos subiu para 71,1%.

Ao mesmo tempo, a empresa teve que repensar a forma como gerencia os pagamentos aos fornecedores, enquanto continua oferecendo descontos expressivos em seus estoques. Anteriormente, a BYD frequentemente atrasava os pagamentos por mais de 200 dias, um período muito superior à média global do setor. Novas normas governamentais exigem agora que os fornecedores sejam pagos em até 60 dias. Embora essa mudança ajude a proteger os fornecedores menores, ela reduz a flexibilidade financeira da BYD e aumenta a pressão sobre seu balanço patrimonial.

Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento também estão aumentando, com um crescimento de mais de 50% em relação ao ano passado. A BYD aposta em investimentos robustos em baterias, eletrificação e tecnologias para carros inteligentes, visando proteger sua liderança a longo prazo. Marcas com margens de lucro mais altas, como Yangwang e Fangchengbao, podem oferecer margens melhores, mas o desenvolvimento delas levará tempo.

Analistas reduziram as expectativas. A BYD tinha como meta vender 5,5 milhões de veículos em 2025, mas as estimativas agora projetam entre 5 e 5,2 milhões. A empresa continua sendo a força dominante no mercado de veículos elétricos na China e uma das líderes globais no mesmo segmento.

Analistas da Sanford C. Bernstein descreveram as margens cada vez menores como "cicatrizes da concorrência". No entanto, a empresa ainda mantém uma recomendação de compra para as ações e destacou a escala global e a vantagem tecnológica da BYD.

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Nélio Irene

Nélio Irene

Nellius é formada em Administração de Empresas e TI, com cinco anos de experiência no setor de criptomoedas. Ela também é graduada pela Bitcoin Dada. Nellius já contribuiu para importantes publicações de mídia, incluindo BanklessTimes, Cryptobasic e Riseup Media.

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