Bitcoin ultrapassou os US$ 117.000 pela primeira vez em sua história, com uma valorização de mais de 60% desde sua mínima em abril. O valor exato? US$ 117.080. O Ether chegou a atingir US$ 3.000, antes de se recuperar ligeiramente para US$ 2.800 no momento da publicação desta notícia. Enquanto isso, XRP subiu 5%, chegando a US$ 2,6.
Essa alta está acontecendo enquanto o dólar americano sofreu sua maior queda em seis meses desde 1973, desvalorizando quase 11%, em meio a uma valorização simultânea das ações de tecnologia, liderada pela Nvidia, que acaba de se tornar a primeira empresa a atingir US$ 4 trilhões. O momento da Bitcoin coincide exatamente com novos alertas sobre a dívida dos EUA, o caos fiscal e uma economia que está claramente em declínio.
No início de abril de 2025, Bitcoin estava em queda livre, enquanto os mercados se preparavam para mais uma guerra comercial global. Em 9 de abril, a Casa Branca suspendeu as tarifas, concedendo um adiamento de 90 dias. Esse foi o mesmo dia em que Bitcoin atingiu seu ponto mais baixo. Então, em 20 de abril, sem que nenhuma notícia impactasse os mercados, Bitcoin disparou repentinamente e não parou mais. Algo mais profundo estava impulsionando essa recuperação.
O governo dos EUA acaba de elevar o teto da dívida em US$ 5 trilhões, elevando-o para US$ 41,1 trilhões. Atualmente, a dívida nacional gira em torno de US$ 37 trilhões. Se as coisas continuarem trac, o teto será atingido novamente em menos de três anos. Esse é o verdadeiro problema que está assustando o mercado.
Elon Musk sai do mercado de DOGE com alta Bitcoin
Em 22 de abril, Elon Musk anunciou sua saída do Departamento de Eficiência Governamental, também conhecido como DOGE. O anúncio ocorreu apenas dois dias após o início da alta das ações, e a coincidência de datas foi tão perfeita que não pôde ser ignorada. O mercado interpretou a notícia como um sinal de que a situação fiscal em Washington era ainda pior do que o esperado.
A saída de Elon foi rapidamente seguida por um conflito aberto entre ele e odent Donald Trump, que retornou à Casa Branca após as eleições de 2024. Mas esse embate não foi apenas pessoal. Foi político e ocorreu enquanto Trump pressionava o Congresso a aprovar o que ele chamou de "Grande e Bela Lei" (OBBB, na sigla em inglês). Prevê-se que a lei adicione US$ 5,5 trilhões à dívida nacional, caso se torne permanente. À medida que as discussões sobre a lei se intensificavam, Bitcoin subia ainda mais rapidamente.
A cronologia completa mostra o quão de perto Bitcoin traco progresso do projeto de lei. Em 22 de junho, Bitcoin chegou a cair brevemente abaixo do suporte de US$ 100.000. Mas, em 1º de julho, conforme os analistas aumentavam as chances de aprovação do projeto, o preço começou a subir novamente. Em 3 de julho, a Câmara aprovou o projeto. E, em 4 de julho, Trump o sancionou. Na mesma semana, Bitcoin ultrapassou os US$ 117.000, enquanto o Índice do Dólar Americano caiu para níveis não vistos desde março de 2022.
Esse não é o único sinal de problemas. No primeiro semestre de 2025, o dólar caiu 10,8%, seu pior desempenho no início do ano desde 1973. Nem mesmo durante o pânico inflacionário de 1986 o dólar caiu tão rápido. E a queda continua apesar da campanha tarifária em curso de Trump. O governo tem enviado “cartas tarifárias” e intensificado a pressão sobre parceiros comerciais estrangeiros. Normalmente, esse tipo de agressividade deveria impulsionar o dólar. Mas não é isso que está acontecendo.
Elon lançou seu novo "Partido da América" há alguns dias. Quando questionado no X se o partido apoiaria Bitcoin, Elon não se esquivou. "O dinheiro fiduciário é uma causa perdida, então sim", disse ele.
Ao mesmo tempo, o Federal Reserve adotou uma postura rígida. A ata mais recente do FOMC mostra que vários membros não preveem cortes nas taxas de juros em 2025.
A postura oficial tem sido de "esperar para ver" há meses, o que significa que as taxas de juros provavelmente permanecerão altas por mais tempo. Isso também deveria sustentar o dólar. Mas o oposto está acontecendo. O dólar continua se desvalorizando, e isso tem tudo a ver com a crise da dívida.

