Os reguladores financeiros australianos lançaram uma ofensiva contra os fornecedores de caixas eletrônicos de criptomoedas devido a preocupações com controles inadequados de combate à lavagem de dinheiro.
O Centro Australiano de Relatórios e Análises de Transações (AUS TRAC ) lançou uma força-tarefa especializada para abordar possíveis problemas de conformidade no setor em crescimento.
O CEO da AUSTRAC Brendan Thomas, criou a força-tarefa interna em dezembro. Ele reuniu especialistas das divisões de regulamentação, fiscalização e inteligência da agência. O grupo tem como foco os riscos de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo associados a caixas eletrônicos de criptomoedas.
“O grupo de trabalho tem estado empenhado em dialogar com as empresas para compreender os riscos no seu setor e avaliar o seu cumprimento da lei”, afirmou Thomas em comunicado.
Setor de caixas eletrônicos de criptomoedas em expansão na Austrália
A Austrália tem estado na vanguarda da implantação de caixas eletrônicos de criptomoedas na região da Ásia-Pacífico. O país vivenciou uma expansão massiva no setor, com o número de máquinas aumentando de apenas 23 em 2019 para 60 em 2022. Atualmente, existem cerca de 1.600 caixas eletrônicos de criptomoedas em operação na Austrália.
Estatísticas do Coin ATM Radar indicam uma distribuição geral dessas máquinas pelas principais cidades da Austrália. Sydney lidera com 451 caixas eletrônicos de criptomoedas, Brisbane vem em segundo lugar com 267 e Melbourne em seguida com 200. Há outras concentrações em Perth com 157 caixas eletrônicos e Adelaide com 97. Essas máquinas também são encontradas em áreas regionais, mas em menor número em cidades como Cairns (16), Townsville (13) e Hobart (12).

A grande maioria das transações realizadas nesses caixas eletrônicos são depósitos cash para a compra Bitcoin. Esse fluxo cashpara criptomoedas tem gerado preocupações específicas para os órgãos reguladores, pois é difícil traca origem da moeda física depois que ela entra no sistema de criptomoedas.
“Queremos garantir que os fornecedores de caixas eletrônicos de criptomoedas tenham práticas robustas para minimizar o risco de que suas máquinas possam ser usadas para lavagem de dinheiro sujo ou para aplicar golpes e fraudar pessoas inocentes”, explicou Thomas.
A rede de criptomoedas na Austrália vai muito além dos caixas eletrônicos. Segundo as estatísticas, existem 37.996 caixas eletrônicos de criptomoedas no mundo todo, e a Austrália detém aproximadamente 4,2% do total. Além dos caixas eletrônicos, o país oferece 235.495 outros serviços de criptomoedas em diversas plataformas. Essa enorme rede é operada por 356 empresas e 40 fornecedores em 69 países.
A AUSTRAC relata vários problemas com caixas eletrônicos de criptomoedas
A força-tarefa de criptomoedas da AUSTRACdentdiversas áreas de preocupação na atividade de caixas eletrônicos de criptomoedas em toda a Austrália. A investigação revelou o que a agência chama de "tendências preocupantes e indicadores de atividade suspeita". Eles estão particularmente atentos a transações que envolvam golpes e fraudes.
A principal preocupação do órgão regulador é garantir que os operadores de caixas eletrônicos de criptomoedas realizem triagens eficientes de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo (AML/CTF). As primeiras conclusões da força-tarefa sugerem que alguns operadores podem não ter controles adequados para impedir que suas máquinas sejam usadas para atividades criminosas.
A natureza das transações em caixas eletrônicos de criptomoedas, que envolvem cashem espécie, apresenta dificuldades para a regulamentação. Ao contrário das transferências bancárias normais ou dos pagamentos com cartão de crédito, as injeções de cash em caixas eletrônicos de criptomoedas são, por vezes, mais difíceis de trace verificar.
Thomas reiterou o compromisso da agência em lidar com esses problemas com base em uma abordagem dupla de cooperação com a indústria e fiscalização. "Continuaremos trabalhando com a indústria para elevar os padrões, mas também tomaremos medidas contra os operadores que não cumprirem as normas", disse Thomas.

