A Apple recuperou o maior prejuízo do ano com uma alta de 47%, o que a levou de volta ao território positivo para 2025. As ações subiram até 3,3% na segunda-feira, atingindo US$ 253,78, e fecharam o ano com alta de 0,1%, um marco considerando o ponto de partida.
A empresa sofreu uma forte queda durante o auge do pânico com as tarifas em abril, chegando a registrar um prejuízo de mais de 30%.
A recuperação ocorreu após semanas de arrefecimento das tensões comerciais e renovado interesse nos iPhones mais recentes da Apple, especialmente nos modelos mais caros. Os compradores estão aparecendo, gastando mais e impulsionando um movimento que a maioria dos analistas não previa. A Apple está agora a apenas 3,5% de seu recorde histórico, reduzindo a diferença deixada pelas perdas anteriores.
“Parece claro que a demanda pelos novos produtos tem sido mais robusta do que o esperado”, disse Bill Stone, diretor de investimentos da Glenview Trust, que administra US$ 15,7 bilhões e detém ações da Apple. “As expectativas eram baixas, então a demanda é uma grata surpresa, e sempre que há uma surpresa positiva, isso obviamente impulsiona as ações.” Stone deixou claro que o aumento na atividade de compra desempenhou um papel importante na recente valorização das ações.
A Apple fica para trás em relação aos gigantes da IA, mesmo com o aumento da popularidade da empresa
Mesmo com essa recuperação, a Apple ainda não alcançou suas rivais do setor de tecnologia. O índice Nasdaq 100 já cresceu 17% em 2025, enquanto empresas com maior investimento em inteligência artificial estão se movendo muito mais rápido. Nvidia, Alphabet e Meta subiram mais de 30%, e a Microsoft, mais de 20%. A Apple, apesar da recuperação, ainda está atrás dessas empresas e não possui a narrativa de IA que está impulsionando a maioria das grandes oscilações das ações de tecnologia neste ano.
Mas os analistas ainda não descartaram a Apple. Há uma nova narrativa se formando, e ela gira em torno do iPhone 17. Ele foi lançado na sexta-feira e as vendas iniciais estão de 10% a 15% maiores do que as do iPhone 16 do ano passado, no mesmo período. A produção dos modelos básicos e Pro também está sendo aumentada em cerca de 20%, com base em verificações recentes em fábricas asiáticas.
A diferença de desempenho pode começar a diminuir em breve se a Apple conseguir impulsionar a demanda na China. Dan Ives, um analista renomado da Wedbush, acaba de elevar sua meta de preço para as ações da Apple de US$ 270 para US$ 310, prevendo uma valorização de 26% em relação ao fechamento de sexta-feira. Essa é atualmente a meta mais alta de Wall Street, com base em dados da FactSet.
Analistas observam onda de atualizações do iPhone e impulso na China
Dan acredita que o mercado está perdendo o que ele chama de "uma grande onda de atualizações", já que cerca de 315 milhões dos 1,5 bilhão de usuários de iPhone não compraram um novo aparelho nos últimos quatro anos, e esse acúmulo de compras está sendo resolvido graças a ajustes de design e hardware renovado.
Ele escreveu: "Na nossa opinião, Wall Street está claramente subestimando este ciclo do iPhone, e este é um momento 'Ryder Cup Bethpage' para Cook e Cupertino, depois de alguns anos de crescimento decepcionante."
Dito isso, a China continua sendo uma incógnita. Espera-se que as vendas na região aumentem, mas o iPhone Air, o modelo da Apple que utiliza apenas eSIM, ainda está atrasado por lá. Dan observou o atraso, dizendo: "Embora o iPhone Air esteja atrasado na China... esperamos que isso seja resolvido no próximo mês". Ele vê a China como uma peça fundamental no ciclo do iPhone 17 da Apple e acredita que a empresa tem a chance de reverter os prejuízos recentes em ganhos reais se resolver os problemas de lançamento em breve.
O otimismo de Dan está em sintonia com a visão geral de Wall Street. De todos os analistas que cobrem a Apple, 32 atualmente têm uma recomendação de compratronou compra, representando aproximadamente dois terços da cobertura, segundo dados da LSEG.
Ainda assim, os números não mentem. As ações da Apple subiram quase 1% nas negociações pré-mercado, mas acumulam queda de quase 2% no ano, apesar da recuperação. O desafio da empresa agora é simples: manter essa recuperação e, ao mesmo tempo, acompanhar a alta das empresas de tecnologia impulsionada por inteligência artificial que está acontecendo ao seu redor.

