Espera-se que os preços do petróleo ultrapassem os 110 dólares hoje, depois que o Irã prometeu "severas consequências" para os Estados Unidos por lançar ataques aéreos diretos contra suas instalações nucleares, arrastando-se ainda mais para a guerra em curso entre o Irã e Israel.
Analistas preveem que a situação piore ainda mais hoje, segundo reportagem da CNBC, alertando que todo o mercado global de petróleo e a economia correm riscos sem precedentes caso Teerã responda militarmente, como prometido. O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que o país tem “todas as opções” sobre a mesa para defender sua soberania.
No início do pregão asiático, o petróleo bruto WTI dos EUA subiu mais de 2%, para US$ 75,22 o barril, enquanto o petróleo bruto Brent, referência global, avançou quase 2%, para US$ 78,53.
A ameaça do Irã de fechar o Estreito de Ormuz desencadeia novo pânico
Parlamentares em Teerã aprovaram uma proposta para fechar o Estreito de Ormuz, uma via navegável estreita que transporta quase 20% do fornecimento mundial de petróleo.
Andy Lipow,dent da Lipow Oil Associates, disse: "Desta vez, a situação é diferente, considerando a saraivada de mísseis disparados há mais de uma semana e agora o envolvimento direto dos EUA". A decisão do Irã de responder militarmente, ou mesmo apenas de hostilizar a navegação no estreito, pode fazer com que os preços subam acentuadamente.
Saul Kavonic, analista sênior de energia da MST Marquee, disse à CNBC que "mesmo um certo grau de assédio" a petroleiros naquela região poderia elevar o preço do petróleo para quase US$ 100 por barril. Um fechamento total que durasse várias semanas provocaria uma ação militar ocidental para reabrir o estreito, afirmou. A verdadeira preocupação é que um evento prolongado retiraria a oferta do mercado rapidamente.
Bob McNally,dent do Rapidan Energy Group, concordou que uma resposta militar do Irã poderia ir muito além de simples ameaças navais. Se o Irã atacar instalações de energia no Golfo ou atingir diretamente a infraestrutura de GNL e petróleo, os preços não se limitarão a US$ 100. "Um fechamento prolongado ou a destruição de infraestrutura energética chave no Golfo poderia impulsionar os preços do petróleo bruto para acima de US$ 100", disse Bob. Ele alertou que, se o Irã usar todas as suas opções militares, o conflito poderá durar "mais tempo do que as duas últimas Guerras do Golfo"
O Goldman Sachs prevê uma breve alta nos preços do petróleo caso os fluxos sejam afetados
Entretanto, analistas do Goldman Sachs também afirmaram que as consequências dos ataques dos EUA ao Irã aumentaram as chances de uma grave crise no fornecimento de energia.
Em uma nota liderada por Daan Struyven, os analistas afirmaram que, se o fluxo pelo Estreito de Ormuz cair 50% por apenas um mês e permanecer abaixo de 10% por quase um ano, o petróleo Brent poderá atingir brevemente US$ 110 por barril.
Se as exportações de petróleo do Irã caírem em 1,75 milhão de barris por dia, os preços poderão chegar a US$ 90. Essa é a projeção do banco, embora eles ainda considerem improváveis cortes totais na produção.
O Goldman Sachs afirmou que tanto os EUA quanto a China teriam tron incentivos para evitar esse tipo de interrupção prolongada. Mas admitiram: "Os riscos de queda no fornecimento de energia e os riscos de alta em nossas previsões de preços de energia aumentaram". Em outras palavras, Wall Street quer dizer: preparem-se para preços mais altos.
O impacto não se limitaria ao petróleo. Os mercados europeus de gás natural também estão em perigo. O Goldman Sachs alertou que os contratos futuros de TTF (Trust de Transferência de Energia) podem subir para € 74 por megawatt-hora, ou cerca de US$ 25 por milhão de BTUs. Isso se aproxima dos níveis que prejudicaram a demanda durante a crise energética de 2022. Se a interrupção se prolongar, os preços podem disparar para € 100.
Vandana Hari, CEO da Vanda Insights, disse que a maioria dos investidores ainda está cautelosa, aguardando o próximo movimento do Irã. "O cenário é um pouco incerto, e acredito que os investidores optarão pela cautela, sem entrar em pânico a menos que haja evidências mais concretas", disse Vandana. Mas ninguém está ignorando o que está acontecendo.
O Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, é uma das artérias mais importantes do sistema energético global. Um fechamento real, ou mesmo a ameaça de um, significa atrasos nos embarques, compras em pânico e um aumento da volatilidade. O mercado global de petróleo acaba de entrar em uma nova e perigosa fase, e o próximo passo cabe ao Irã.

