A empresa de comércio de commodities Trafigura prevê um aumento acentuado na demanda por cobre até 2030. A estimativa é de que a demanda global possa crescer em 1 milhão de toneladas métricas de cobre até esse ano, impulsionada pela indústria de inteligência artificial e pelo crescente número de data centers. A pressão cada vez maior sobre as montadoras de automóveis em relação às emissões de carbono as obrigou a buscar fontes de energia alternativas e renováveis, o que está promovendo a transição energética dos combustíveis fósseis para a energia elétrica. Essa transição também impulsionou a demanda por baterias e, consequentemente, por cobre.
A oferta pode ser insuficiente, mas a demanda por cobre está aumentando ao longo do tempo
O economista-chefe da Trafigura, Saad Rahim, participou da Cúpula Global de Commodities do Financial Times em Lausanne, na Suíça, e revelou alguns dados surpreendentes sobre a situação da oferta e da demanda de cobre. Segundo ele, a inteligência artificial é o principal fator que impulsionou a demanda por data centers.
“Se analisarmos a demanda proveniente de data centers e sua relação com a inteligência artificial, esse crescimento explodiu repentinamente.”
Ele não especificou qual será a demanda total de cobre em 2030, embora tenha mencionado a escassez já existente no fornecimento. Como acrescentou,
“Além disso, já temos um defide quatro a cinco milhões de toneladas até 2030. Isso não é algo que alguém tenha levado em consideração nesses cálculos de equilíbrio entre oferta e demanda.”
Reuters

A Reuters informou que, segundo uma pesquisa realizada no início deste ano, a demanda global por cobre deverá atingir cerca de 26 milhões de toneladas até 2024. Além disso, espera-se que o defina oferta de cobre aumente para 100 mil toneladas no próximo ano.
Cenário geopolítico
Ao analisar os fornecedores e compradores globais, torna-sedent que a China é a maior produtora de cobre, além de ser também a maior consumidora. Isso se deve ao fato de ser uma gigante da manufatura, uma verdadeira fábrica global. As empresas de mineração chinesas detêm a maioria das minas de cobre no Congo, o maior produtor de cobre da África. As empresas chinesas enjde um alto nível de benefícios fiscais no Congo, que nenhum outro país pode obter.
A China também controla muitos outros metais essenciais para a fabricação de baterias e para a transição energética, o que representa outra preocupação para os países ocidentais em relação ao alcance de suas metas de emissão zero de carbono. Como a China domina a produção de matérias-primas críticas para a indústria, e o Ocidente não possui uma tron forte nesse aspecto, qualquer escalada nas tensões geopolíticas pode afetar a causa ambiental, que depende da energia gerada por baterias produzidas a partir desses mesmos elementos, a menos que ocorra um avanço extraordinário na tecnologia de baterias.
No mês passado, a Spglobal publicou um artigo no qual o economista-chefe da Trafigura, Saad Rahim, afirmou que cada projeto de cobre é agora 30% menor, comparando o tamanho com o de uma década atrás. Ele enfatizou que são necessários mais projetos para manter o fornecimento, cuja lacuna já está aumentando.

