As criptomoedas, a corrida do ouro digital dos nossos tempos, esbarraram em um obstáculo regulatório. A Autoridade Reguladora do Setor Financeiro (FINRA) divulgou um relatório alarmante: aproximadamente 70% das comunicações relacionadas a criptomoedas estão envoltas em uma teia de violações. Não se tratam apenas de pequenos deslizes; são infrações graves envolvendo alegações falsas, exageradas e enganosas.
Em novembro de 2022, a FINRA voltou seu foco regulatório para as empresas associadas envolvidas em comunicações sobre criptomoedas. A missão? Garantir a conformidade com a Regra 2210, um pilar fundamental no âmbito das comunicações públicas. Essa regra não é apenas uma diretriz; é o baluarte contra a desinformação, exigindo que as comunicações sejam justas, equilibradas e baseadas em fatos.
O Desafio Enigmático da Conformidade com Criptomoedas
A análise foi rigorosa. Mais de 500 comunicações relacionadas a criptoativos foram dissecadas, revelando que uma parte significativa não diferenciava entre os produtos oferecidos pelas empresas membros e aqueles oferecidos por terceiros ou afiliados. A falta de clareza não parou por aí. Essas comunicações frequentemente equiparavam criptoativos a cash ou instrumentos similares, de forma enganosa, e comparações com outras classes de ativos, como ações ou cash eram feitas sem fundamento sólido.
Essa névoa de confusão se estendeu às explicações sobre o funcionamento dos criptoativos. Detalhes essenciais sobre emissão, posse, transferência e venda eram frequentemente omitidos, deixando os investidores no escuro. Além disso, algumas comunicações davam a entender falsamente que os criptoativos eram protegidos pelas leis federais de valores mobiliários ou pelas regras da FINRA, e algumas até mesmo deturparam o alcance da proteção oferecida pela Securities Investor Protection Corporation (SIPC).
Relatório da FINRA de 2024: Um novo capítulo na supervisão de criptomoedas
Este desenvolvimento coincide com o Relatório Anual de Supervisão Regulatória de 2024 da FINRA, marcando a primeira vez que uma seção é dedicada a criptoativos. Como órgão autorregulador sob a SEC , o mandato da FINRA é claro: supervisionar as corretoras de valores mobiliários. Este relatório é mais do que apenas um documento; é uma ferramenta essencial para que as empresas associadas aprimorem seus programas de conformidade.
O relatório abrange uma ampla gama de tópicos, incluindo o desenvolvimento de criptoativos e os volumes anunciados em 26 áreas. É direcionado a empresas envolvidas ou que planejam se envolver em atividades relacionadas a criptomoedas, guiando-as pelo complexo labirinto da conformidade com a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA). Isso inclui um checklist completo para avaliar se um criptoativo é um valor mobiliário, medidas de segurança cibernética e protocolos de combate à lavagem de dinheiro.
As comunicações no varejo, um aspecto crucial do engajamento do cliente, têm apresentado uma taxa de não conformidade significativamente maior em comparação com outros produtos. Isso destaca a necessidade de maior vigilância e adesão às normas regulatórias.
O papel e as práticas da FINRA podem ser ainda mais influenciados por uma decisão iminente da Suprema Corte sobre o uso de juízes internos pela SEC. Essa decisão, prevista para 2023, pode ter repercussões para a FINRA, que também emprega juízes internos para casos relacionados a seus membros. Isso ocorre após uma decisão de 2023 do Tribunal de Apelações do Circuito do Distrito de Columbia contra o uso desses juízes pela FINRA.
Em resumo, o relatório da FINRA serve como um forte lembrete das dificuldades de crescimento do setor de criptomoedas. A alta taxa de descumprimento das normas nas comunicações relacionadas a criptomoedas ressalta a necessidade de uma supervisão rigorosa e da adesão aos padrões regulatórios. À medida que o setor continua a evoluir, este relatório e as subsequentes ações regulatórias desempenharão um papel fundamental na definição do cenário das criptomoedas e sua integração ao sistema financeiro em geral.

