Quase US$ 20 bilhões foram retirados de fundos de ações globais na semana passada, à medida que a guerra entre Irã e Israel levou os investidores ao pânico.
A retirada maciça totalizou US$ 19,82 bilhões até 18 de junho, segundo dados publicados pela LSEG Lipper, representando a maior saída semanal em três meses. A onda de vendas ocorreu justamente quando o mercado se preparava para uma combinação volátil de tensões relacionadas à guerra, impasses nas decisões comerciais dos EUA e preocupações com a inflação.
Os investidores retiraram US$ 18,43 bilhões de fundos de ações dos EUA, a maior saída em uma única semana desde março. A Ásia veio em seguida, com saídas líquidas de US$ 2,86 bilhões. A única região a nadar contra a maré foi a Europa, que, de alguma forma, conseguiu atrair US$ 640 milhões.
Fundos de renda fixatracfluxos de entrada, enquanto apostas setoriais em ações continuam
Mesmo com o sentimento geral do mercado de ações se deteriorando, alguns setores ainda atraíram novos investimentos. Os fundos de ações setoriaistracUS$ 573 milhões em entradas líquidas, marcando a quarta semana consecutiva de interesse. O setor de tecnologia liderou o ranking com US$ 1,5 bilhão, seguido pelo setor industrial com US$ 752 milhões. O setor financeiro seguiu a direção oposta, perdendo quase US$ 1,5 bilhão no mesmo período.
A verdadeira demanda foi por títulos. Os fundos globais de títulos receberam US$ 13,13 bilhões em entradas líquidas, estendendo sua sequência de ganhos para nove semanas. Somente os títulos denominados em euros atraíram US$ 3,07 bilhões, após terem captado US$ 7,97 bilhões na semana anterior. O apetite também cresceu por títulos de curto prazo e de alto rendimento, que atraíram US$ 2,93 bilhões e US$ 1,94 bilhão, respectivamente.
Os investidores também retiraram US$ 2,7 bilhões de fundos do mercado monetário, após os US$ 4,1 bilhões retirados na semana anterior. Ao mesmo tempo, a demanda por fundos de ouro e metais preciosos aumentou consideravelmente — as entradas líquidas atingiram US$ 2,84 bilhões, o maior valor em dois meses, indicando que os mercados começaram a se proteger contra maiores riscos.
O interesse em títulos de mercados emergentes não diminuiu. Eles atraíram US$ 2,5 bilhões, dando continuidade a uma sequência de oito semanas de entradas de capital. Mas as ações de mercados emergentes não acompanharam o mesmo ritmo. Elas registraram perdas de US$ 234 milhões, com dados coletados de quase 30.000 fundos.
Enquanto isso, as ações americanas fecharam a semana em queda, em um limbo enquanto todos aguardam a decisão dodent Donald Trump. Na sexta-feira, Trump afirmou que esperaria duas semanas antes de decidir se as forças armadas americanas apoiarão a campanha de Israel contra Teerã. Essa pausa temporária acalmou os ânimos após dias de discursos agressivos da Casa Branca.
Ao final do pregão, o S&P 500 havia caído 0,15%. O Dow Jones subiu apenas 0,02%, enquanto o Nasdaq avançou 0,2%, registrando sua terceira semana positiva nas últimas quatro.
Apesar de tudo o que está acontecendo, muitos investidores não conseguem entender como as ações continuam subindo. Desde que atingiu o fundo do poço em abril, o mercado vem se recuperando, ignorando guerras, tarifas e sinais de desaceleração econômica. Os analistas gráficos continuam otimistas. A IBM é a principal ação do Dow Jones este ano, com alta de 28%, superando até mesmo as ações do grupo Magnificent Seven.
O setor industrial é agora o de melhor desempenho no S&P 500, o que alguns interpretam como um sinal de que a economia americana ainda tem fôlego. Outros acreditam que os semicondutores são a chave para uma valorização completa. Se a Nvidia conseguir ultrapassar os US$ 150 por ação, poderá impulsionar o índice a um novo recorde.

