Donald Trump está de volta à Casa Branca, e Wall Street está comemorando como se fosse 1999. Os mercados dispararam em todos os setores na quarta-feira, com investidores fazendo grandes apostas nas promessas de Trump de cortes de impostos corporativos, tarifas que eles realmente apreciam e menos regulamentação.
Basicamente, o cara recupera seu lugar e, de repente, bancos, empresas de pequena capitalização e a própria Trump Media estão em festa.
E depois temos a Tesla — com alta de 14% depois que Trump anunciou que nomearia Elon Musk para chefiar uma comissão governamental de eficiência. Aparentemente, o apoio de Musk no Twitter deu resultado. Trump pegou o microfone para elogiar Musk como um gênio dos negócios e, pronto, as ações da Tesla dispararam.
Bancos e small caps: uma história de superação
Então, eis o que aconteceu. O Dow Jones Industrial Average, o S&P 500 e o Russell 2000 dispararam, atingindo níveis que não víamos há anos. O Dow ultrapassou os 3%, o S&P 500 subiu mais de 2% e o Russell 2000 — o índice de referência para empresas americanas de pequena capitalização — disparou quase 5%, chegando a uma alta que não se via há cerca de três anos.
As ações dos grandes bancos? Pode apostar que elas também dispararam. JPMorgan Chase, Bank of America e Goldman Sachs subiram entre 8% e 12%, o que é um valor enorme. O grande atrativo? Um ambiente regulatório muito mais flexível.
“Há uma expectativa de que as regulamentações sejam flexibilizadas sob o governo Trump”, disse David Ellison, que administra os fundos da Hennessy e tem uma predileção por ações de bancos. Scott Chronert, do Citi, concordou, afirmando que os mercados “já precificaram um mandato bastantetronpara os republicanos”
E aqui está o ponto crucial. A vitória de Trump também fez com que os analistas comentassem bastante sobre Basileia III. Caso você nunca tenha ouvido falar, trata-se de um conjunto de regulamentações bancárias globais que obrigariam os bancos americanos a manterem mais capital. Atualmente, Basileia III exige um aumento de 9% no capital, mas, sob o governo Trump, esses números poderiam ser bem diferentes. Greg Hertrich, da Nomura, aposta que poderíamos até ver fusões bancárias se as exigências de capital forem flexibilizadas.
E não se engane: essa explosão do mercado não é só para os grandes investidores. As empresas de menor capitalização também receberam bastante atenção. Jeff Schulze, da ClearBridge Investments, resumiu bem a situação: "O otimismo empresarial pode ser reacendido". Tradução: as empresas podem realmente começar a gastar novamente.
Ações de tecnologia divergem em função das políticas de Trump
Passando para o setor de tecnologia, os semicondutores receberam um impulso, mas nem tudo são flores. As ações de fabricantes de chips estão em alta, com a Nvidia registrando um sólido aumento de 3,5%. O índice de fabricantes de chips teve um ganho geral de 2,3%. Mas nem todos estão entusiasmados, especialmente com a posição de Trump sobre o CHIPS Act dos EUA — a legislação que financia a produção de chips nos Estados Unidos.
Trump acha que é uma medida branda. Em vez disso, ele quer impor tarifas sobre chips importados, especialmente os da TSMC, de Taiwan. Adivinhe? As ações da TSMC listadas nos EUA caíram 2,3%.
E depois, temos toda a turma das energias renováveis. Se você trabalha com energia verde, provavelmente teve um dia difícil. Ações como as da NextEra Energy e da First Solar caíram, com o índice de energia do S&P 500 fechando em alta de 3,5%. A estratégia de Trump para o setor energético? Perfurar, meu bem, perfurar.
Ele está empenhado em maximizar a produção de combustível nos EUA e deixar para trás as medidas climáticas da era Biden. A Plug Power e a Sunrun, duas grandes empresas de energia limpa, registraram prejuízos superiores a 20%. Portanto, sim, este novo governo não parece nada bom para a energia solar.
Tesla? Essa é uma história completamente diferente. A amizade de Musk com Trump fez as ações da Tesla subirem 14%. Mas nem todos no setor de veículos elétricos estão em alta. A Rivian caiu 10% e a Nikola recuou 3,6% depois que Trump insinuou que poderia acabar com o crédito fiscal de US$ 7.500 para veículos elétricos. Uma situação difícil para as outras empresas de carros elétricos. Mas parece que a Tesla é a queridinha do momento.
Criptomoedas e ações chinesas sentem a pressão
As ações de criptomoedas e Bitcoin não ficaram para trás. Trump é pró-criptomoedas — pelo menos é mais favorável do que qualquer um de seus antecessores. Bitcoin atingiu um recorde histórico, impulsionando ações como Coinbase e MicroStrategy.
As ações da Coinbase subiram 28% e as da MicroStrategy ganharam 12%. Os investidores em criptomoedas apostam em um ambiente regulatório favorável com a volta de Trump ao poder. A Riot Platforms e a MARA Holdings também se beneficiaram, com ambas as ações registrando ganhos.
Mas e as ações chinesas listadas nos EUA? A história é outra. As tensões entre os EUA e a China estão aumentando, e as ações chinesas sofreram uma forte queda. O ETF iShares MSCI China caiu 2,4%, enquanto a equipe de Trump pressionava por mais tarifas de importação.
Desta vez, estamos falando de uma tarifa universal de 10% sobre todas as importações e de 60% sobre qualquer produto proveniente da China. É uma estratégia que pode ripple nos mercados globais, especialmente se desencadear uma guerra comercial em grande escala.
A vitória de Trump também impulsionou a demanda por centros de detenção nos EUA. A Geo Group e a CoreCivic, duas operadoras de prisões privadas, viram suas ações dispararem — com altas de 39% e 32%, respectivamente. A postura rígida de Trump em relação à imigração, que inclui a promessa de deportações em massa, torna essas empresas de prisões ações novamente muito procuradas.
Os setores siderúrgico e varejista reagem aos temores relacionados às tarifas
Vamos falar de aço. Trump tem grandes planos para as siderúrgicas americanas, e os investidores estão animados. As ações da Cleveland-Cliffs, Steel Dynamics e Nucor dispararam, já que a postura protecionista de Trump em relação à economia doméstica significa potenciais aumentos nos preços do aço americano. As ações da Cleveland-Cliffs subiram 21%, enquanto as da Nucor ganharam 16%.
Analistas acreditam que as tarifas impostas pelo governo Trump podem proteger as siderúrgicas americanas da concorrência estrangeira de preços mais baixos, facilitando o aumento de preços por essas empresas.
As ações do setor varejista, no entanto, sofreram um baque na quarta-feira. Aquelas que dependem da China para o fornecimento de mercadorias sentiram o impacto, com o Bank of America rebaixando a recomendação para as ações da Five Below de "neutra" para "desempenho abaixo da média" e para as da Yeti de "compra" para "neutra". As ações da Five Below caíram cerca de 7%, as da Yeti recuaram 9%, e as da Dollar Tree e da Dollar General também registraram perdas.
Para esses varejistas, as tarifas propostas por Trump podem significar uma coisa: preços de importação mais altos. E isso nunca é uma boa notícia para o resultado final.
A Planet Fitness, por outro lado, teve um aumento de 6% depois que a CNBC noticiou que a rede está considerando adquirir a rede de academias de baixo custo Blink Holdings, que está em processo de falência.
É um dia agitado para os investidores, com várias ações de grandes empresas se movimentando no meio do pregão. A Trump Media & Technology, controlada por Trump, subiu quase 5%, enquanto a Phunware, desenvolvedora do aplicativo de sua campanha, teve alta de 5%. A CVS Health também registrou ganhos.
As ações da gigante farmacêutica dispararam 10% após a divulgação de receita de US$ 95,43 bilhões no terceiro trimestre, superando as expectativas. No entanto, o lucro ajustado ficou aquém do esperado, com US$ 1,09 por ação em vez dos US$ 1,51 previstos.
Por outro lado, as ações de empresas de cannabis despencaram depois que os eleitores da Flórida rejeitaram uma proposta para legalizar a maconha. A Tilray caiu 14%, enquanto as empresas canadenses Aurora Cannabis e Canopy Growth perderam 18% e 23%, respectivamente.
A Super Micro Computer também sofreu uma queda acentuada, despencando 24% após não atingir as expectativas de receita dos analistas para o trimestre de dezembro e anunciar que está se esforçando para regularizar seus relatórios financeiros.
É evidente que Wall Street não está exatamente chateada com o retorno de Trump.

