O dólar se recuperou lentamente nas primeiras horas da quinta-feira, mas ainda permanece próximo da mínima de 2025. Essa pequena recuperação ocorreu após a decisão dodent dos EUA, Donald Trump, de adiar a demissão do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e uma mudança de tom da Casa Branca em relação à disputa comercial com a China.
Ambas as medidas foram suficientes para estancar a sangria — por enquanto —, mas ninguém no mercado está fingindo que o dólar de repente recuperou sua força.
Após cair abaixo de 140 ienes no início da semana, o dólar se recuperou para 142,75 ienes na quinta-feira. Esse movimento ocorreu após atingir uma linha de suporte técnico nos gráficos — um número que os investidores vêm acompanhando de perto durante todo o mês.

A moeda americana também recebeu um impulso com a declaração do secretário do Tesouro, Scott Bessent, de que os EUA não tinham nenhuma taxa de câmbio específica em mente antes de sua reunião com o homólogo japonês. Essa é uma expressão usada por operadores do mercado para dizer "não nos importa para onde o dólar vá", mas mesmo essa resposta vaga foi suficiente para dar um fôlego ao dólar.
Bessent rejeita redução de tarifas e considera congelamento do comércio com a China "insustentável"
Scott deixou claro que o atual congelamento comercial entre os EUA e a China não vai durar. Ele chamou o embargo de fato de "insustentável", embora também tenha dito que os EUA não seriam os primeiros a reduzir as tarifas, mesmo com muitas delas bem acima de 100% sobre produtos chineses. Portanto, ainda é uma disputa de olhares — mas com um dos lados começando a ceder.
Na Europa, o dólar conseguiu se recuperar da mínima de 3,5 anos, de US$ 1,1572 por euro, mas essa alta encontrou resistência na Ásia. Na manhã de quinta-feira, a moeda havia recuado para US$ 1,1338, após algumas vendas pontuais. Francesco Pesole, estrategista do ING, afirmou que o mercado ainda apresenta tendência de baixa.
“Ainda acreditamos que o equilíbrio de riscos permanece inclinado para o lado negativo do dólar no curto prazo”, escreveu Francesco em uma nota para clientes. Ele acrescentou que o par EUR/USD ainda está sendo impulsionado quase que inteiramente pelo comportamento do dólar. “Outra alta acima de US$ 1,15 permanece possível caso os temores sobre a independência do Fed voltem a ser o foco principal.”
Moedas atreladas ao crescimento — especialmente no Pacífico — também estão com dificuldades para encontrar uma direção. O dólar australiano, após ultrapassar US$ 0,64 no início desta semana, caiu para US$ 0,6355 na quinta-feira. Joe Capurso, estrategista do Commonwealth Bank, afirmou que a moeda australiana pode testar o suporte em torno de US$ 0,6286, que é sua média móvel de 50 dias, caso os temores sobre a economia global continuem se espalhando.
O dólar neozelandês manteve-se estável em US$ 0,5951, sem grandes oscilações. Na Europa, a libra esterlina permaneceu em US$ 1,3263, enquanto o franco suíço ficou em 0,8290 por dólar, ambas as moedas ainda absorvendo as vendas anteriores. Na Ásia, o yuan chinês enfraqueceu ligeiramente para 7,2980 por dólar, demonstrando alguma pressão devido à movimentação geral do dólar.
Enquanto isso, os investidores em criptomoedas não se importaram muito. Bitcoin disparou para US$ 92.732 nas negociações asiáticas, acompanhando os ganhos das ações americanas e ignorando completamente a movimentação do dólar. E, em um típico exemplo de 2025, a criptomoeda de Trump — $TRUMP — explodiu da noite para o dia após um tweet promover um jantar de gala para os 220 maiores compradores da moeda.

