A Assembleia Geral da ONU está prestes a abordar a crescente influência da inteligência artificial (IA) ao se reunir para discutir uma resolução que visa estabelecer padrões internacionais para a tecnologia. Copatrocinada por diversos países, a resolução destaca a necessidade de diretrizes para garantir a segurança, a proteção e a confiabilidade dos sistemas de IA. Embora se concentre principalmente no potencial positivo da IA, a resolução também ressalta preocupações quanto ao seu uso indevido e a necessidade de reduzir a exclusão digital.
Normas internacionais para a implantação segura de IA
O projeto de resolução, liderado pelos Estados Unidos, busca promover o desenvolvimento e a implementação responsáveis de tecnologias de IA, excluindo a IA militar de seu escopo. Ele enfatiza a importância de fomentar o acesso equitativo à IA para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU até 2030. A embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, destacou a urgência de uma ação coletiva, visto que as tecnologias de IA evoluem rapidamente.
Apesar da perspectiva otimista, a resolução reconhece as ameaças representadas pela IA quando mal utilizada, incluindo a erosão dos direitos humanos, o reforço de preconceitos e os riscos para a proteção de dados pessoais. Exorta os Estados-Membros a absterem-se de utilizar sistemas de IA que violem as leis internacionais de direitos humanos ou que representem riscos indevidos para o enjdos direitos humanos. Além disso, a resolução destaca as crescentes apreensões relativamente às ferramentas de IA generativa e ao seu potencial para disseminar desinformação, particularmente no contexto da interferência eleitoral.
Apelo do Secretário-Geral da ONU por regulamentação
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, priorizou a regulamentação da IA, defendendo a criação de uma entidade da ONU semelhante à Agência Internacional de Energia Atômica. Guterres alertou para os vieses nas tecnologias de IA, particularmente aquelas projetadas predominantemente por homens, que podem perpetuar desigualdades e desrespeitar os direitos das mulheres. Ele advertiu sobre as consequências a longo prazo de "algoritmos dominados por homens" e enfatizou a necessidade de um desenvolvimento de IA inclusivo e imparcial.
A resolução reflete os esforços contínuos de vários Estados-membros da ONU, incluindo os Estados Unidos, a China e a Coreia do Sul, para assumir a liderança na definição da governança da IA. Em outubro, a Casa Branca apresentou regulamentações com o objetivo de posicionar os EUA como pioneiros na regulamentação da IA, com odent Joe Biden enfatizando a necessidade imperativa de governar a tecnologia de forma eficaz. No entanto, a competição entre as nações para liderar o debate sobre a governança da IA ressalta a complexidade e a sensibilidade do tema.
Enquanto a Assembleia Geral da ONU se prepara para deliberar sobre a resolução, a comunidade global enfrenta decisões cruciais sobre o futuro da regulamentação e governança da IA. Embora reconhecendo o potencial transformador da IA, é imprescindível abordar as preocupações em torno do seu uso responsável e mitigar os riscos para os direitos humanos e o bem-estar da sociedade. Estabelecer padrões internacionais para uma IA segura e confiável representa um passo fundamental para aproveitar os benefícios da tecnologia, protegendo-a, ao mesmo tempo, contra suas potenciais armadilhas.
A resolução destaca a necessidade de esforços colaborativos para navegar no cenário em constante evolução da inteligência artificial e garantir seu alinhamento com os princípios de transparência, responsabilidade e inclusão.

