O cobre nos EUA está agora muito mais caro do que em qualquer outro lugar do mundo, e tudo graças aodent Trump, o presente que não para de dar frutos.
Ele anunciou uma tarifa de 50% sobre todas as importações de cobre e, no final da terça-feira, os preços nos Estados Unidos subiram 13%, fechando a US$ 5,69 por libra. Esse é o maior aumento em um único dia em mais de três décadas. Enquanto isso, os preços do cobre em Londres praticamente não se alteraram, subindo apenas 0,3%.
Antes da tarifa, o cobre americano já era caro. Agora, está atingindo níveis que podem reduzir o consumo, acabar com as margens de lucro das empresas e prejudicar projetos de infraestrutura nacional.
Quase metade de todo o cobre consumido nos EUA é importado, e esse metal é essencial em diversos componentes, desde condicionadores de ar, carros elétricos, geladeiras e smartphones, até construções residenciais e infraestrutura de inteligência artificial. Trump afirma que o objetivo é impulsionar a produção local, mas especialistas do setor disseram à CNBC que isso não deve acontecer tão cedo.
Não existe solução rápida. Levará anos para aumentar a produção de mineração no país e talvez até décadas para que os EUA consigam suprir sua própria demanda, isso supondo que os investidores estejam dispostos a investir bilhões agora.
Tarifas elevam drasticamente o preço do cobre
Desde fevereiro, os comerciantes aguardavam o anúncio das tarifas por Trump. Não tinham certeza do valor ou da data de início, mas sabiam que elas viriam. Remessas de cobre da Europa e da Ásia já foram redirecionadas para os EUA em antecipação a essa medida.
Mas agora que a taxa foi fixada em 50%, os operadores dizem que ainda há confusão em relação ao cronograma exato e às possíveis exceções. Howard Lutnick, secretário de comércio de Trump, disse à CNBC que a nova taxa provavelmente entraria em vigor por volta do final de julho, talvez em 1º de agosto
Isso não impediu que a diferença de preço entre o cobre nos EUA e o cobre global aumentasse drasticamente. Para efeito de comparação, a Bolsa de Metais de Londres (LME) é a referência mundial e, normalmente, a diferença de preço entre ela e o mercado americano Comex é próxima de zero.
No ano passado, o prêmio era de cerca de US$ 150 por tonelada. Mas, desde fevereiro, a diferença tem oscilado entre US$ 500 e US$ 1.500. Na terça-feira, disparou para US$ 2.600 por tonelada, segundo a Benchmark Mineral Intelligence, de Londres.
Os analistas da Benchmark afirmam que, se a tarifa entrar em vigor em 1º de agosto, o cobre nos EUA poderá chegar a US$ 15.000 por tonelada métrica, enquanto o resto do mundo continuará pagando cerca de US$ 10.000. Isso representa uma enorme barreira de preço.
Daan de Jonge, que lidera a pesquisa de preços do cobre da Benchmark, afirmou que isso afetará a todos. "Se você for comprar uma geladeira, um ar-condicionado ou um carro novo, tudo ficará mais caro", disse Daan à CNBC. Ele acrescentou que as empresas provavelmente repassarão esses custos para os consumidores. Isso também pode significar que os americanos começarão a comprar produtos mais baratos fabricados no exterior, mesmo que isso signifique evitar os produtores locais.
Daan também destacou que os investimentos públicos também sofrerão. O cobre é essencial para a infraestrutura nacional. Agora, com preços mais altos, um dólar mais fraco e dívidas mais caras, os projetos governamentais serão afetados. "Eu esperaria que isso começasse a se refletir no emprego", disse ele.
Uma resposta possível seria começar a substituir o cobre pelo alumínio em certos projetos. Isso pode funcionar a curto prazo, mas o alumínio é mais pesado e se desgasta mais rapidamente, não sendo uma solução viável a longo prazo. Daan alertou que tudo isso "entra na faixa de risco de destruição da demanda"
A oferta interna não está preparada para suprir a lacuna
A grande promessa de Trump é que as altas tarifas farão com que as empresas comecem a minerar cobre nos EUA, mas uma enorme constatação da realidade está por vir. Colocar novas minas de cobre em operação não é rápido nem barato.
Peter Chase, pesquisador sênior do German Marshall Fund, disse à CNBC que os EUA não se tornarão autossuficientes da noite para o dia. "O preço do cobre com uma tarifa de 50% não fará com que a produção de cobre nos EUA dispare amanhã", afirmou Peter.
Atualmente, os EUA importam a maior parte do cobre do Chile, Canadá, México e Peru. Substituir essas fontes por produção nacional exigiria mudanças nas licenças, bilhões em novos investimentos e anos de desenvolvimento, e isso somente se os preços do cobre se mantiverem altos por tempo suficiente para tornar o projeto viável.
Peter também alertou que o choque poderia prejudicar a implantação da infraestrutura de IA do país, que depende fortemente de fiação de cobre e sistemas de energia.

