Trump deu seu aviso final, e desta vez o mundo não está rindo. A Casa Branca enviou notificações formais de tarifas àdent mexicana Claudia Sheinbaum e àdent da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, informando que tarifas de 30% entrarão em vigor para ambos os países a partir de 1º de agosto.
Nessas cartas, Trump acusou o México de não impedir o fluxo de fentanil para os EUA e culpou a UE por um desequilíbrio comercial "injusto". Ele não pediu negociações, apenas disse o que estava por vir.
Ambos foram informados de que poderiam agir rapidamente para evitar o pior, mas ele também avisou que poderia aumentar ainda mais essas taxas se as respostas deles não fossem boas o suficiente.
Isso não é uma ameaça vaga lançada em um comício. O tempo está se esgotando. Enquanto países da Índia ao Japão lutam por espaço para respirar, o governo avança como se nada mais fosse negociável.
Scott Bessent, o Secretário do Tesouro, está viajando para o Japão. Autoridades comerciais da UE estão tentando fechar acordos de última hora para exportações de automóveis e produtos agrícolas. Mas ninguém tem certeza se isso ainda fará alguma diferença. O que Trump iniciou parece muito mais uma declaração do que uma discussão.
Trump pune aliados e avisa que mais cartas estão a caminho
O prazo de 1º de agosto já era brutal. Mas Trump não parou no México e na União Europeia. Ele adicionou Coreia do Sul, Japão, Canadá e Brasil à lista. Coreia do Sul e Japão foram atingidos novamente após o impasse nas negociações. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, também não escapou, mesmo depois do que um funcionário chamou de "ofensiva de charme"
O país de Carney agora enfrenta tarifas de 35%, embora a energia e os produtos em conformidade com o USMCA ainda estejam limitados a 10%. E o Brasil? Foi atingido por tarifas de 50%, não por questões comerciais, mas por motivos políticos. Mais especificamente, Trump quer que o Brasil retire seus processos judiciais contra Jair Bolsonaro e agora está usando tarifas para conseguir isso.
Com o envio de mais cartas, os países que pensavam ter tempo estão começando a entrar em pânico. A Casa Branca deixou claro: os países "que não são mais dignos de negociações" serão simplesmente informados sobre sua nova taxa, e nada mais. Um funcionário americano afirmou que alguns desses países podem nem sequer receber um telefonema antes.
Isso não é novidade. Em 2 de abril, Trump anunciou o que chamou de "Dia da Libertação", quando países com superávit comercial foram atingidos por aumentos unilaterais de tarifas. Mas agora ele está indo além. Peter Navarro, seu assessor comercial, foi à Bloomberg na sexta-feira para dizer aos canadenses que eles precisam "negociar de forma justa". Ele disse que a porta ainda está aberta, mas não especificou por quanto tempo. Em resumo: se você não conseguiu um acordo agora, boa sorte.
Trump prorroga prazo, mas adiciona novas tarifas
O prazo original era 9 de julho. Durante uma reunião de gabinete, Scott disse às autoridades que os EUA estavam arrecadando impostos de importação recordes. Trump aproveitou o momento para anunciar novamente sua tarifa sobre o cobre, agora fixada em 50% e que se aplicará a uma ampla gama de subprodutos. Ele também impôs uma tarifa de 200% sobre produtos farmacêuticos, embora não tenha especificado quando ela entraria em vigor.
Ele também criticou a imprensa financeira e os investidores que apostaram no que ficou conhecido como a estratégia TACO, abreviação de "Trump sempre se acovarda". Essa aposta não está rendendo bons frutos. Agora que países como a Índia estão avançando com acordos para reduzir as tarifas propostas para menos de 20%, cresce a crença de que esse prazo é o verdadeiro. Uma pessoa próxima ao governo indiano disse que não esperam receber uma notificação formal de cobrança, mas que as negociações continuam por precaução.
Mas mesmo com Scott a caminho de Tóquio, não há confirmação de que a oferta do Japão será suficiente. Um funcionário americano disse que ainda estão aguardando "um valor melhor"
Lars Suedekum, assessor do ministro das Finanças alemão Lars Klingbeil, disse que vê toda a situação como tática. "Já vimos isso muitas vezes nas últimas semanas: anúncios alfandegários seguidos de suspensões e flexibilizações", afirmou. "Tem sido uma verdadeira montanha-russa. Não vejo por que seria diferente desta vez."
Até o momento, apenas três acordos foram confirmados: um com o Reino Unido, um com o Vietnã e uma “trégua” tarifária com a China. Mas nenhum deles está totalmente garantido. O acordo com o Reino Unido enfrenta novos problemas relacionados a metais. O acordo com a China amenizou as tensões, mas deixou a maioria das questões importantes sem resposta. O Vietnã foi surpreendido por uma tarifa mais alta do que a esperada, que, segundo autoridades vietnamitas, pareceu mais uma punição do que uma parceria.

