Jim Farley, CEO da Ford (F), juntou-se ao restante da indústria automobilística para alertar Trump contra essas medidas. Ele argumentou que os lucros dos EUA seriam dizimados se o governo impusesse tarifas internacionais.
As tarifas atingiram principalmente a indústria automobilística. A Tesla, de Elon Musk, foi a mais afetada. Não é surpresa que o CEO da Ford esteja se manifestando contra as tarifas.
Jim Farley disse: "Acreditamos, com base em nossas conversas em Washington com o governo Trump e líderes do Congresso, que eles estão comprometidos em fortalecer, e não enfraquecer, a indústria automobilística do nosso país. Essa é certamente a nossa expectativa."
Ele acrescentou: " E estamos ansiosos para trabalhar com nossos líderes para garantir que isso se torne realidade. Porque eles entendem e reconhecem o quão vital nossa indústria é para os empregos, a economia, nossa segurança nacional e as comunidades em todo o país."
O CEO da Ford, Jim Farley, alerta que, com as tarifas de Trump, poderíamos ver "bilhões de bilhões de dólares em pressão sobre a indústria, perda de empregos, muitos impactos nas comunidades e em nosso ecossistema na indústria". https://t.co/2AjbgNLN3i pic.twitter.com/iqYCjmDeIZ
— Bloomberg TV (@BloombergTV) 5 de fevereiro de 2025
Ele também falou sobre o adiamento das tarifas do México e do Canadá. Ele afirmou : “Não há dúvida de que tarifas de 25% vindas do Canadá e do México […] se forem prolongadas trac terão um enorme impacto em nossa indústria. Com bilhões de dólares em lucros industriais perdidos e efeitos adversos nos empregos nos EUA, bem como em todo o sistema de valores da nossa indústria.”
De modo geral, todas as críticas estão sendo direcionadas às tarifas de Trump. Até mesmo os americanos se uniram à comunidade internacional para criticá-las. Será que Trump e seu governo vão dar ouvidos? Por ora, o presidente concordou com uma pausa de 30 dias nas tarifas de 25% sobre o Canadá e o México, a partir de segunda-feira.
Impacto atual e futuro das tarifas na indústria automobilística
A maioria dos carros vendidos nos EUA tem peças fabricadas no México ou no Canadá. Alguns são montados nesses países, mas mesmo os fabricados nos EUA contêm muitas peças do Canadá e do México. Especialistas afirmam que as tarifas podem interromper as cadeias de suprimentos de automóveis. Pesquisadores do UBS estimaram que a indústria automobilística responde por 26% das importações do México para os EUA e 12% das importações do Canadá
Nesse mesmo sentido, a Kelley Blue Book prevê que o preço médio dos carros poderá subir US$ 3.000 se Trump impuser um imposto de 25% sobre as importações do México e do Canadá. Isso poderá levar as pessoas a comprar carros usados mais baratos.
As vendas da Ford aumentaram 5% no ano todo em comparação com o ano anterior. No entanto, o lucro ajustado por ação caiu 7%. Essa queda foi atribuída principalmente às dificuldades enfrentadas pela empresa, já que sua divisão de carros elétricos, o Modelo E, registrou um prejuízo de US$ 5 bilhões.
Agora, as ações da Ford caíram 6%, para US$ 9,53, antes da abertura do mercado, em reação aos resultados decepcionantes do trimestre para a empresa. A Ford fabrica 12% de seus produtos no México e no Canadá. Isso representaria um problema caso Trump mantivesse as tarifas sobre o México e o Canadá.
Como resultado, em seu relatório de resultados, a Ford decidiu ser cautelosa em relação às suas perspectivas para 2025. A empresa espera que o lucro operacional fique entre US$ 7 bilhões e US$ 8,5 bilhões, inferior aos US$ 10,2 bilhões do ano passado. O mercado esperava US$ 8,3 bilhões.
A Tesla já sucumbiu às tarifas de Trump. Na segunda-feira, as ações da Tesla caíram 5%, a maior queda entre as sete maiores empresas dos EUA em valor de mercado. Como todas as montadoras, a Tesla seria significativamente impactada pelo plano de Trump de impor uma tarifa de 25% sobre o Canadá e o México.

