Um plano de resgate para a Intel, apoiado pelo governo, está sendo elaborado a portas fechadas, com Donald Trump, Lip Bu Tan e bilhões em petróleo federal impulsionando toda essa confusão.
, o governo dos EUA, sob o segundo mandato de Trump, estaria discutindo a possibilidade de adquirir uma participação acionária na Intel Corp. para ajudar a financiar a fábrica de chips da empresa em Ohio, que sofreu atrasos. A medida, se concretizada, romperia com as políticas de livre mercado de longa data e levaria os Estados Unidos a uma maior dependência da propriedade estatal de tecnologia, algo que presidentes anterioresdent.
As ações da Intel subiram 7,4% após a divulgação da reportagem da Bloomberg, acumulando uma alta de 15% desde março, mesmo mês em que Lip Bu Tan assumiu o cargo de CEO. O governo Trump vê o potencial investimento como uma forma de fortalecer a produção nacional de chips, que vem perdendo força sob a gestão da Intel.
O acordo está ligado à Lei de Commodities (Chips Act), com fundos originalmente destinados a subsídios ou empréstimos que agora podem ser convertidos em participação acionária. Isso daria ao governo uma parte da empresa em um momento em que a Intel vem sofrendo com cash, demitindo funcionários e paralisando seus projetos.
Trump corteja Lip Bu Tan após criticar duramente a liderança da Intel
Apenas alguns dias antes da notícia ser divulgada, Trump pediu a demissão do CEO da Intel. Mas, após uma reunião privada, ele mudou de ideia. Em uma publicação no Truth Social, Trump elogiou a trajetória de Lip, chamando-a de "uma história incrível". A mudança de tom ocorreu após a reunião, na qual Trump aparentemente reconheceu o valor do tracde Lip.
Isso inclui os doze anos de Lip à frente da Cadence Design Systems, onde ele cashUS$ 575 milhões em ações e ainda detém uma participação de US$ 500 milhões. Agora na Intel, a liderança de Lip já aumentou o valor de sua participação pessoal em mais de US$ 29 milhões, segundo dados da Bloomberg.
O acordo em discussão pode ser a primeira vez que fundos da Lei de Chips dos EUA são usados para adquirir diretamente participação em uma empresa de semicondutores. A Intel já estava prestes a receber US$ 7,9 bilhões para a fabricação comercial de chips e até US$ 3 bilhões adicionais do Pentágono para a produção segura relacionada a aplicações militares.
Além disso, a empresa tem acesso a US$ 11 bilhões em empréstimos federais. Mas isso não impediu a Intel de cortar gastos ou atrasar os cronogramas de produção. Apesar de todo esse cash, a fábrica de Ohio ainda está atrasada.
O analista da Bernstein, Stacy Rasgon, em nota divulgada na sexta-feira, afirmou que a empresa não está convencida pelo entusiasmo. Ele disse aos clientes: "Ainda não estamos muito tentados a nos envolver". A Bernstein classifica as ações da Intel como "desempenho de mercado", com preço-alvo de US$ 21, bem abaixo do último fechamento de US$ 23,86. Rasgon disse que a reação atual do mercado é predominantemente emocional: "A expectativa em relação à Intel provavelmente voltou (por enquanto), enquanto os investidores aguardam para ver se Trump conseguirá 'Tornar a Intel Grande Novamente'".
Ohio se torna o campo de batalha crucial para a tecnologia e a política
O projeto da Intel em Ohio adquiriu importância que vai além da simples fabricação. Trump venceu no estado três vezes, e os republicanos conquistaram uma cadeira no Senado por lá em 2024.
Seu vice-dent, JD Vance, já foi senador por Ohio, e agora o ex-senador democrata Sherrod Brown está se preparando para disputar sua cadeira novamente em 2026. Isso torna Ohio novamente um campo de batalha político crucial, e injetar dinheiro público em uma fábrica de grande visibilidade no estado pode ajudar Trump a consolidar seu poder.
O plano em discussão pode envolver a conversão de verbas existentes do Chips Act em participação acionária ou a combinação de novas verbas, empréstimos e outras fontes de financiamento para adquirir uma participação. Tudo ainda está em negociação, e as autoridades não definiram se o financiamento virá do pacote original da Intel ou de outra fonte completamente diferente.
No início do ano, os assessores de Trump cogitaram a ideia de que a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) ajudasse a administrar as fábricas da Intel. Mas o CEO da TSMC, CC Wei, rejeitou a proposta, afirmando que a empresa não tinha interesse em operações conjuntas e que se manteria focada em seus próprios planos. Isso deixou o governo Trump em busca de outra solução, que agora parece estar prestes a ser aceita pelos EUA.
Até agora, os únicos que realmente se beneficiam com isso são os investidores e o próprio Lip. As ações da Intel estão subindo com base em expectativas, não em resultados. A construção da fábrica ainda está atrasada, a empresa ainda enfrenta dificuldades e esse acordo, se concretizado, significa apenas que o governo americano está jogando mais lenha na fogueira que a Intel começou anos atrás.

