O Telegram lucrou 540 milhões de dólares no ano passado, alcançando um crescimento rápido apesar da polêmica em torno do fundador da plataforma de mensagens, Pavel Durov.
Segundo o grupo sediado em Dubai, as receitas atingiram US$ 1,4 bilhão em 2024, um aumento em relação aos US$ 343 milhões do ano anterior. A empresa também se recuperou de um prejuízo de US$ 173 milhões em 2023.
Uma possível oferta pública inicial (IPO) é viável, mas o processo contra Durov representa um obstáculo
Fontes familiarizadas com o assunto disseram que os lucros extraordinários foram compartilhados com potenciais investidores antes do Telegram lançar uma oferta de títulos de cerca de US$ 1,5 bilhão para recomprar dívidas existentes.
A venda de dívida começou na terça-feira e pode ser concluída já na próxima semana. Os resultados sugerem que o Telegram foi impulsionado, em parte, por um aumento no número de usuários pagantes e por ganhos provenientes de parcerias ligadas à criptomoeda que a empresa fundou.
O crescimento ocorreu apesar da polêmica envolvendo Pavel Durov, seu fundador. No entanto, muitos agora questionam sua sustentabilidade, pois um futuro em que o fundador continue enfrentando problemas legais não é promissor.
O fundador, nascido na Rússia e que também possui cidadania francesa e dos Emirados Árabes Unidos, foi alvo de acusações que recaem sobre a suposta falha do aplicativo em combater crimes, incluindo abuso infantil e terrorismo. Se considerado culpado, ele poderá ser condenado à prisão.
Nos últimos dias, Durov tem se mostrado mais ousado e franco sobre o caso. Na segunda-feira, ele afirmou que o foco principal dos serviços de inteligência franceses sempre foi a geopolítica e que o abuso infantil/terrorismo era apenas um pretexto.
Ele havia afirmado anteriormente que recusou um pedido de Nicolas Lerner, chefe da inteligência francesa, para proibir vozes conservadoras na Romênia antes das eleições no país. O serviço de inteligência francês negou as alegações de Durov.
Apesar de tudo isso, o diretor de investimentos do Telegram, John Hyman, afirmou que uma possível oferta pública inicial de ações (IPO) seria viável caso a situação se tornasse menos turbulenta.
A empresa também reconheceu que o interesse dos franceses na Durov poderia ser um obstáculo para a oferta pública inicial (IPO). No entanto, expressou esperança de que a situação possa ser resolvida ainda este ano.
A nova oferta de títulos, que está sendo avaliada com um rendimento de 9%, permitiria aos investidores comprar ações em qualquer IPO futuro com um desconto de 20%, espelhando os termos das vendas de títulos anteriores, segundo uma fonte.
Planos futuros do Telegram
De acordo com os documentos para investidores, o Telegram pretende atingir uma receita de US$ 2 bilhões em 2025, um aumento de 46% em relação ao ano anterior. A empresa também almeja um lucro de US$ 720 milhões no próximo ano.
A empresa está no traccerto para atingir essas metas, tendo registrado cerca de US$ 530 milhões em cash em fevereiro de 2025, valor que não inclui seus ativos em criptomoedas.
Nos últimos quatro anos, o Telegram emitiu cerca de US$ 2,4 bilhões em títulos e, entre setembro e dezembro de 2024, recomprou US$ 375 milhões de seus títulos em circulação, segundo os documentos.
Ao que tudo indica, Durov também planeja estreitar seu relacionamento com Elon Musk, defensor da liberdade de expressão.
O Telegram mantém atualmente uma parceria com o grupo de IA de Elon Musk, xAI, e integrou o chatbot Grok da xAI ao Telegram "com planos de promovê-lo dentro da plataforma e dividir a receita resultante", sem divulgar mais detalhes.
A parceria marca a primeira grande expansão da Grok para um novo serviço de mídia social além de sua plataforma X.
— Kekius Maximus (@elonmusk) 18 de maio de 2025
Vale destacar também que Durov e Musk compartilham a mesma posição sobre a liberdade de expressão. No domingo, o dono do Model X compartilhou com seus 220 milhões de seguidores a publicação de Durov sobre o pedido de informações da inteligência francesa referente à Romênia, acompanhada de uma legenda de surpresa.
É evidente que Durov pretende continuar resistindo às autoridades, mas também fez diversas tentativas de atenuar as preocupações sobre as ameaças que o Telegram representa para os usuários.

