Steve Witkoff, o executivo do setor imobiliário que se tornou o principal enviado para o Oriente Médio durante o governo Trump, está sendo pressionado por senadores democratas a explicar por que ainda mantém investimentos em criptomoedas enquanto atua como diplomata americano.
Na quarta-feira, oito senadores democratas, liderados pelo senador Adam Schiff, da Califórnia, enviaram uma carta a Steve exigindo explicações sobre seus laços financeiros com a World Liberty Financial, uma empresa de criptomoedas que ele cofundou com o presidente dent 2024. A carta foi divulgada inicialmente pelo The New York Times , que também revelou a sobreposição dos negócios de Steve com a política externa dos EUA na região.
A declaração de ética apresentada por Steve em 13 de agosto mostra que, apesar de ter se desfeito de US$ 120 milhões de seus negócios imobiliários, ele ainda possui criptoativos vinculados à World Liberty Financial, bem como ações de outras empresas relacionadas. "Sua recusa em se desfazer da propriedade desses ativos levanta sérias questões sobre sua conformidade com as leis federais de ética e, mais importante, sobre sua capacidade de servir ao povo americano acima de seus próprios interesses financeiros", escreveram Schiff e os outros sete senadores na carta.
Parlamentares destacam laços comerciais com os Emirados Árabes Unidos
Segundo o processo, Steve ainda detém criptomoedas por meio da World Liberty Financial, além de participações na WC Digital Fi LLC, descrita em documentos internos da empresa como uma entidade “afiliada a Steve Witkoff e a alguns membros de sua família”. Ele também possui interesses financeiros na WC Digital SC LLC e na SC Financial Technologies LLC, ambas aparentemente envolvidas em atividades relacionadas a criptomoedas.
Os democratas dizem que isso levanta suspeitas, especialmente considerando as operações da World Liberty Financial nos Emirados Árabes Unidos, onde Steve atualmente atua como o principal diplomata do governo americano. Suas funções empresariais ematic se sobrepõem, e os senadores querem saber se suas decisões no exterior estão sendo influenciadas por incentivos financeiros nos Estados Unidos.
A carta surge poucas semanas depois de o The New York Times ter publicado uma investigação que revelou o envolvimento de Steve num acordo multimilionário de inteligência artificial entre os EUA e os Emirados Árabes Unidos. O acordo foi assinado em maio e visa estabelecer o maior campus de IA fora dos Estados Unidos. O problema? Apenas duas semanas antes desse acordo, a World Liberty Financial fechou o seu próprio acordo de 2 mil milhões de dólares com a MGX, uma empresa de investimento estatal dos Emirados Árabes Unidos.
Acordo sobre stablecoin com Binance alimenta preocupações
O investimento em MGX foi canalizado para Binance usando USD1, uma stablecoin criada e emitida pela World Liberty Financial. Stablecoins são atreladas a moedas como o dólar americano e, neste caso, a transação não só impulsionou o USD1 a se tornar uma das maiores stablecoins em circulação, como também posicionou a empresa para lucrar dezenas de milhões em juros com os ativos que lastreiam essas moedas.
Mas, segundo a Fortune, essa sequência de reportagens chamou a atenção de órgãos de fiscalização ética e legisladores, com dois senadores republicanos dos EUA já tendo solicitado uma investigação sobre os negócios de Steve após a publicação da matéria no Times. Agora, a nova carta intensifica essa pressão com um grupo maior de signatários, incluindo os senadores Ron Wyden, Andy Kim, Richard Durbin, Catherine Cortez Masto, Gary Peters, Elissa Slotkin e Cory Booker.
Esses legisladores argumentam que os laços de Steve com criptomoedas representam um conflito de interesses, que poderia minar a confiança na política externa dos EUA, especialmente em uma região onde o investimento em criptomoedas e a diplomacia americana parecem estar intimamente ligados.
Na carta, eles pedem a Witkoff que explique o alcance total de seus investimentos em criptomoedas, qualquer renda obtida com elas e se ele divulgou esses interesses enquanto trabalhava em acordos dos EUA no exterior.
Deram-lhe até 31 de outubro para responder.
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