Um grupo de senadores republicanos e democratas dos EUA está pressionando o governo dodent Donald Trump a transferir mais de US$ 300 bilhões em ativos russos apreendidos para ajudar a Ucrânia. Segundo eles, usar os juros da dívida para apoiar Kiev não é suficiente.
Senadores fizeram perguntas em uma carta assinada pelos republicanos Todd Young e Lindsey Graham e pelos democratas Richard Blumenthal e Tim Kaine. Este foi um caso raro em que republicanos de alto escalão defenderam publicamente uma postura mais firme em relação à Rússia. Os democratas Richard Blumenthal e Tim Kaine também assinaram a carta.
Uma das perguntas foi: "Como o governo vê o uso de todas as ferramentas financeiras à sua disposição para aumentar a pressão sobre a Rússia para que ela ponha fim à guerra?" Bem, se perguntado, Trump é bom em usar tudo o que estiver ao seu alcance para pressionar as pessoas.
Outra pergunta foi: “Especificamente, o governo acredita que os ativos detidos pelos EUA e pela UE devem ser usados como moeda de troca nas negociações com a Rússia para pôr fim à guerra? Se sim, como?”
A carta, enviada em 21 de março, coincidiu com as negociações entre os EUA e a Rússia na Arábia Saudita, onde as autoridades discutiram um possível cessar-fogo marítimo no Mar Negro como primeiro passo para negociações de paz mais amplas.
Senadores pedem a Trump que pressione aliados a cessarem o fornecimento de bens que possam ajudar a Ucrânia
Na carta, os senadores perguntaram ao governo se este planejava pressionar a UE, o G7 e outros parceiros a ajudarem a Ucrânia utilizando recursos do governo russo. Além disso, questionaram se a Ucrânia poderia usar esses fundos para comprar equipamentos de defesa.
Esta não é a primeira vez que essas questões são levantadas. Há anos, legisladores americanos pressionam para que os ativos congelados da Rússia sejam usados para ajudar na reconstrução da Ucrânia, em vez de dinheiro do governo americano.
A Rússia invadiu a Ucrânia em 2022, e os EUA e seus parceiros congelaram entre US$ 300 bilhões e US$ 350 bilhões em ativos do governo russo. A maior parte desses ativos estava depositada em bancos europeus, principalmente títulos do governo americano, britânico e europeu mantidos em uma instituição depositária europeia. Segundo fontes, restam apenas cerca de US$ 7 bilhões em bancos americanos.
Devido a preocupações legais, Washington não confiscou totalmente os ativos. Além disso, nunca antes havia confiscado ativos de um banco central de um país com o qual não estivesse em guerra. Diante disso, optou por usar os rendimentos dos juros para ajudar a Ucrânia.
Quais são as chances de todos os ativos congelados serem liberados?
Os líderes europeus querem usar esses recursos para ajudar na reconstrução da Ucrânia. No entanto, ainda não chegaram a um acordo sobre como evitar contestações judiciais ou dar um mau exemplo para o resto do mundo.
Além disso, as autoridades europeias decidiram garantir os empréstimos à Ucrânia com os juros provenientes dos ativos russos congelados, mas não com os próprios ativos.
Por outro lado, Moscou tem uma posição diferente. Afirmou que qualquer possível transferência de ativos é roubo e aparentemente se mostrou disposta a usar fundos europeus congelados para a reconstrução, desde que parte do dinheiro seja destinada a ajudar as regiões da Ucrânia ocupadas pela Rússia.
Os EUA possuem a "Lei de Reconstrução da Prosperidade Econômica e Oportunidades para os Ucranianos", aprovada pelo Congresso americano em 2024 e sancionada pelo entãodent Joe Biden em abril daquele ano. A lei concedeu aodent dos Estados Unidos o poder de transferir para a Ucrânia bens russos apreendidos nos Estados Unidos.
Os EUA são os países com maior probabilidade de liberar os ativos.

