Os lobistas do setor de criptomoedas estão revoltados com o recém-lançado banco de dados Consolidated Audit Trail (CAT) da SEC. Eles alegam que essa medida visa injustamente qualquer pessoa envolvida no espaço blockchain.
Basicamente, o CAT é uma coleta massiva de dados, uma verdadeira espionagem, reunindo cada fragmento de informação de negociação nos mercados de valores mobiliários dos EUA. E isso não está agradando aos entusiastas de criptomoedas, que se sentem envolvidos nisso sem motivo.
O CAT surgiu graças à Regra 613 da SEC, que entrou em vigor após a crise financeira. A ideia? Dar à SEC mais supervisão sobre os mercados, para garantir que ninguém esteja agindo de forma fraudulenta.
Agora, esse banco de dados coleta todas as informações de negociação de bolsas de valores, corretoras, membros da FINRA — enfim, de todos os envolvidos. A SEC quer todos esses dados para monitorar as negociações mais de perto.
Mas, embora a regra não mencione criptomoedas ou ativos digitais diretamente, a opinião da SEC de que as empresas de criptomoedas são basicamente como qualquer outra entidade financeira — “bolsas de valores, corretoras, negociadores” — significa que essas empresas também podem ser incluídas.
E é aí que os lobistas das criptomoedas perdem a cabeça.
Um grupo conservador, o Centro Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas, já estava de olho na SEC em abril passado. Eles entraram com uma ação judicial, alegando que todo esse processo do CAT era inconstitucional.
Eles estão classificando isso como "uma das maiores coletas em massa de dados financeiros pessoais, obrigatórias por lei, na história dos EUA". É uma afirmação ousada, mas eles não estão sozinhos nessa luta.
A Blockchain Association (BA) e o DeFi Education Fund (DEF) entraram na disputa, apresentando um parecer jurídico em apoio ao processo.
Eles estão dizendo que a Regra 613 é um desastre anunciado para as criptomoedas. O documento afirma que , se a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) estiver mesmo disposta a tratar os participantes do mercado de criptomoedas como entidades financeiras tradicionais, o banco de dados CAT (Community Trader Program) poderá se tornar uma ferramenta de vigilância em larga escala.
Imagine isto: um arquivo gigantesco e totalmente transparente onde todas as transações da blockchain são armazenadas e podem ser vasculhadas pelo governo americano sem a necessidade de qualquer mandado judicial. Parece um pesadelo para a privacidade, não é?
Segundo Marisa Coppel, da BA, e Amanda Tuminelli, da DEF, isso poderia expor tudo, desde IDs de transações até endereços de carteiras. Em um artigo de opinião publicado em junho, elas escreveram: "Trata-se de observar quem está comprando o quê, quando e onde — para sempre.".
Mas não são apenas os defensores das criptomoedas que estão se opondo a isso. A Citadel Securities e a American Securities Association também estão criticando a SEC. Essas entidades processaram a agência no outono passado, argumentando contra o banco de dados CAT.
E eles têm um verdadeiro exército por trás deles — pense em todos os grandes bancos, corretoras, fundos de hedge e gestores de ativos dos EUA, além de várias associações comerciais como a Financial Markets Association e a Managed Funds Association.
Até mesmo a concorrente da Citadel, a Virtu Financial, aderiu ao processo. É uma coalizão enorme, e todos dizem a mesma coisa: a CAT vai longe demais.
A SEC, porém, não está recuando. Ela mantém sua posição em relação ao CAT, classificando os processos judiciais como "sem mérito". Em sua visão, esse banco de dados é apenas parte de seu trabalho — manter os mercados limpos e justos.
Para eles, chamar o CAT de ferramenta "para espionar as decisões financeiras pessoais dos americanos" é um exagero. A SEC teve alguns contratempos recentes nos tribunais com casos envolvendo criptomoedas, então não é surpresa que estejam reforçando sua autoridade para supervisionar os mercados tradicionais.
E historicamente, quando se trata de regulamentar o TradFi, a SEC tem um tracbastante sólido.

