O governo dos EUA não comprará Bitcoin, mas não está desistindo de criar uma reserva de criptomoedas.
Em entrevista à Fox Business na quinta-feira, Scott Bessent, Secretário do Tesouro durante odent do presidente Donald Trump, deixou claro que a única maneira de mais Bitcoin acabar em mãos federais é confiscando-o de outras entidades. "Criamos uma reserva estratégica Bitcoin ", disse Scott, "mas não vamos comprar mais dessa reserva."
Essa declaração surgiu bem no meio de uma crescente polêmica sobre a quantidade Bitcoin que o governo realmente possui. E isso é munição política.
Segundo o The Rage, que levantou as primeiras dúvidas em meados de julho, os EUA podem deter apenas cerca de 29.000 Bitcoin, bem abaixo dos 200.000 BTC que foram mencionados pelo czar das criptomoedas de Trump, David Sacks. Isso irritou a senadora Cynthia Lummis, que classificou a situação como um desastre. "Se for verdade, trata-se de um erro estratégico total", escreveu ela no X.
O escrutínio aumenta à medida que as autoridadestrace desistem
David nunca apresentou comprovantes para sustentar sua alegação de possuir 200.000 BTC. Ainda não há auditoria pública. O número que circula publicamente agora vem do Bitcoin Treasuries, que estima que o governo dos EUA possua mais de 198.000 Bitcoin, avaliados em cerca de US$ 23 bilhões.
Mas mesmo esse número não é preciso, pois engloba BTC confiscado, que pertence integralmente ao governo, com BTC apreendido, que poderia legalmente ser devolvido às vítimas de crimes cibernéticos. Essa confusão acabou custando o emprego de alguém.
Na terça-feira, Bo Hines, conselheiro de criptomoedas da Casa Branca de Trump, renunciou ao cargo. Sua renúncia ocorreu em meio à crescente pressão sobre o tamanho incerto da reserva Bitcoin dos EUA. Bo não se pronunciou publicamente, mas sua saída está sendo interpretada como consequência do caos interno em torno da contagem de criptomoedas.
Scott não havia terminado de falar. Ele também aproveitou sua participação para rebater as sugestões de que estaria defendendo cortes nas taxas de juros. "Eu não disse ao Fed o que fazer", afirmou. O que ele disse foi que, para atingir o que os modelos deficomo uma taxa neutra, o Fed teria que reduzir as taxas em cerca de 1,5 ponto percentual. Isso se traduziria em um corte de 150 pontos-base em relação aos níveis atuais.
Ele disse à Bloomberg na quarta-feira que um corte de 50 pontos-base poderia ocorrer já em setembro. "Se você analisar qualquer modelo", disse ele, "provavelmente deveríamos estar com uma redução de 150 a 175 pontos-base". Scott acrescentou que os primeiros cortes poderiam já ter acontecido em junho e julho.
Neste momento, os mercados futuros indicam uma possível queda para 3% no próximo ano, enquanto a taxa básica de juros do Fed está em torno de 4,38%. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano com vencimento em dois anos estão mais altos, em 3,68%, o que torna a ideia de Scott ainda mais ousada do que aquela em que Wall Street está apostando atualmente.
Trump avalia substitutos para o Fed enquanto o mandato de Powell se aproxima do fim
Scott também revelou novos detalhes sobre o plano de Trump para o Federal Reserve. Com o mandato de Jerome Powell como presidente do Fed terminando em maio, o governo está analisando nomes. "Estamos trabalhando na lista principal agora", disse Scott, e insinuou que dois novos nomes seriam divulgados até quarta-feira.
A CNBC noticiou que Trump está considerando nomes como David Zervos, estrategista de mercado da Jefferies; Rick Rieder, que dirige a área de renda fixa global da BlackRock; e Larry Lindsey, ex-membro do conselho do Fed. Todas essas pessoas já se manifestaram publicamente sobre política monetária no passado.
Quanto a Stephen Miran, o atual indicado de Trump para ocupar a vaga no Fed, Scott disse que não se espera que ele permaneça no cargo após janeiro, quando seu mandato de curto prazo termina. Um novo mandato de 14 anos se inicia então, e Scott deu a entender que Trump indicará outra pessoa.
A reestruturação da liderança do Fed é complexa. Se Powell decidir permanecer no conselho como membro, o que ele pode legalmente fazer até 2028, substituí-lo como presidente não será simples. Essa vaga teria que ser preenchida por alguém que já faz parte do conselho ou por quem ocupar a vaga em janeiro. Scott não explicou como esse quebra-cabeça seria resolvido, mas seus comentários confirmaram que o planejamento já está em andamento.

