O banco central da Rússia incentivou as empresas a explorarem outros sistemas de pagamento transfronteiriços, como criptomoedas e ativos digitais, para contrabalançar as sanções ocidentais impostas ao país. O uso de criptomoedas e ativos digitais ajudaria as empresas a liquidar pagamentos com parceiros internacionais.
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O país encontra-se atualmente sob sanções ocidentais na sequência do conflito com a Ucrânia, que se intensificou com a invasão russa do país em fevereiro de 2022. A governadora do banco central, Elvira Nabiullina, destacou a importância da adoção de criptomoedas, uma vez que o país enfrenta desafios nos pagamentos devido às sanções impostas.
A Rússia enfrenta dificuldades com pagamentos transfronteiriços.
As empresas russas continuam a ter dificuldades para liquidar pagamentos com parceiros internacionais, incluindo aqueles na Índia, China, Emirados Árabes Unidos e Turquia, entre outros países que não impuseram sanções ao país.
Isso ocorre em um momento em que importantes instituições financeiras, como a Bolsa de Valores de Moscou e seu sistema alternativo de pagamentos globais, o SWIFT, foram atingidas por sanções econômicas que impõem restrições às transações internacionais.
Nabiullina reconheceu que os pagamentos internacionais representam um grande desafio para a Rússia. Ela afirmou, durante uma conferência financeira em São Petersburgo , que o surgimento de novas tecnologias financeiras cria oportunidades para modelos de negócios que nunca existiram antes.
“Por isso, flexibilizamos as regras para o uso de criptomoedas em pagamentos internacionais, permitindo o uso de ativos digitais nesses pagamentos.”
Nabiullina.
“Diferentes alternativas estão sendo discutidas. As empresas se tornaram muito flexíveis e empreendedoras. Elas encontram maneiras de resolver isso e, muitas vezes, não as compartilham conosco”, acrescentou ela.
Algumas empresas russas já começaram a usar criptomoedas para fechar negócios com parceiros internacionais, como os da China.
Os países do BRICS discutem o sistema de pagamento Bridge.
Nabiullina revelou que os parceiros internacionais das empresas russas se sentem "sob pressão" em relação aos pagamentos internacionais. No entanto, eles também têm esperança de que um novo sistema, que não envolva instituições ocidentais, surja gradualmente e resolva o problema.
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Ela acrescentou que seu país e outros do BRICS, ou seja, Brasil, Índia, China e África do Sul, estavam em discussões sobre um sistema de pagamentos para preencher a lacuna existente.
Ela salientou, contudo, que alcançar esse objetivo é difícil e que levaria tempo para criar com sucesso um sistema desse tipo, devido à interferência de países ocidentais.
O presidente do VTB, Andrei Kostin, concordou, acrescentando que tais discussões merecem ser tratadas como "segredo de Estado" devido à sensibilidade do assunto. O VTB é o segundo maior banco da Rússia e foi recentemente alvo de sanções em sua filial em Xangai.
Reportagem Cryptopolitan de Enacy Mapakame

