O Google acaba de dar um salto gigantesco no mercado de nuvem e inteligência artificial. Wall Street está de olho nisso: o Google Cloud registrou um crescimento de 35% no terceiro trimestre, atingindo US$ 11,35 bilhões. Esse crescimento supera os 29% do trimestre anterior e está agitando o mercado.
Os investidores estão percebendo que o Google não se limita mais a anúncios; seu segmento de nuvem está gerando grandes lucros. Essa gigante da tecnologia tem investido fortemente em inteligência artificial, e isso está dando resultados. A nuvem do Google, que inclui infraestrutura e software, finalmente está em terreno sólido após anos de grandes investimentos.
Enquanto isso, a Amazon Web Services (AWS) continua sendo a líder em tamanho, faturando US$ 27,45 bilhões — um aumento impressionante de 19%. A AWS pode ter mais que o dobro do tamanho do Google Cloud, mas está crescendo a cerca de metade da velocidade. O Azure, da Microsoft, ficou em segundo lugar, com um crescimento de 33%.
A disputa entre essas três empresas está acirrada, mas o ritmo acelerado do Google demonstra que a empresa não pretende recuar. Com a divulgação simultânea dos resultados financeiros dessas gigantes, os investidores puderam ter uma visão completa de como cada uma delas está se esforçando para conquistar o mercado de computação em nuvem com inteligência artificial.
O Google amplia suas ambições em IA
A margem operacional do Google Cloud no terceiro trimestre atingiu 17%, um salto significativo após o negócio ter se tornado lucrativo apenas no ano passado. Durante anos, isso representou um dreno de dinheiro para o Google.
Agora a história é outra. "Superou todas as expectativas", disse Melissa Otto, chefe de pesquisa de tecnologia da Visible Alpha. Ela se mostra cautelosa, no entanto, sem ter certeza se o Google conseguirá manter esse nível de lucro, mas é evidente que a empresa está tomando medidas que dão resultado.
Na Amazon, a AWS sempre foi sua galinha cash . Sua margem operacional no terceiro trimestre foi de expressivos 38%, um número que analistas da Bernstein consideraram "impressionante". A Amazon reduziu as contratações, cortou serviços da AWS com baixo desempenho e estendeu a vida útil dos servidores de cinco para seis anos.
Só isso já aumentou as margens em 2%. A AWS continua sendo o motor do lucro, impulsionando a receita geral da Amazon e mantendo suatrondominância na nuvem.
A Microsoft surpreendeu a todos com os números do Azure neste trimestre, detalhando exatamente o que compõe a receita de sua nuvem pública. Antes, a Microsoft incluía outros produtos, como serviços de segurança e Power BI, ao divulgar a receita do Azure. Agora, os investidores têm uma visão mais clara.
O crescimento do Azure pode desacelerar um pouco neste trimestre, mas a diretora financeira Amy Hood espera que ele se recupere no início de 2025, à medida que a empresa aumenta sua capacidade. "A demanda continua maior do que nossa capacidade disponível", explicou Hood, acrescentando que os investimentos de capital da Microsoft estão preparando o Azure para a crescente demanda por inteligência artificial.
Corrida pelo poder da IA: chips personalizados e a crescente demanda da NVIDIA
Tanto a Amazon quanto o Google estão apostando em chips de IA personalizados para atender à demanda. Os clientes da AWS estão demonstrando interesse no Trainium 2 da Amazon, seu chip de IA de segunda geração para treinamento de modelos.
"Já recorremos diversas vezes aos nossos parceiros de fabricação para produzir muito mais do que havíamos planejado inicialmente", admitiu Andy Jassy, CEO da Amazon, sinalizando que a empresa não consegue atender à demanda, mesmo com processadores próprios e GPUs da NVIDIA.
O Google não está muito atrás, lançando sua sexta geração de Unidades de Processamento Tensorial (TPUs). O CEO Sundar Pichai afirmou estar trabalhando em estreita colaboração com a equipe de TPUs e está ansioso para ver o que será desenvolvido em seu roteiro de desenvolvimento. As TPUs personalizadas do Google estão impulsionando ainda mais os recursos de IA.
A abordagem da Microsoft é semelhante, tendo apresentado seu chip de IA, Maia, no ano passado para impulsionar seus próprios serviços. Até o momento, a empresa manteve o Maia em segredo, para uso exclusivamente interno. Analistas da DA Davidson duvidam que a Microsoft consiga superar a Amazon e o Google nesse quesito, classificando a Microsoft como neutra nessa corrida da IA.
Seu enorme investimento na OpenAI, no entanto, mantém o Azure bem posicionado no mercado de IA. A NVIDIA, por sua vez, está obtendo grandes resultados. Seus chips de IA são tão procurados que a receita da empresa dobrou em cada um dos últimos cinco trimestres.
A saída da Intel do Dow Jones e a ascensão dos gigantes da IA
Esse boom impulsionado pela IA levou até mesmo a NVIDIA a substituir a Intel no Índice Dow Jones Industrial Average, um índice que tradicionalmente não valorizava as ações de tecnologia. As ações da NVIDIA subiram 170% somente neste ano, enquanto as da Intel despencaram mais de 50%. Os chips H100 da NVIDIA são cruciais para a infraestrutura de IA, e os investidores estão correndo para garantir uma fatia desse mercado.
Em 8 de novembro, a Intel deixará o índice Dow Jones, abrindo caminho para a NVIDIA. As dificuldades da Intel na fabricação e sua incapacidade de entrar no mercado de inteligência artificial a deixaram para trás. Os processadores centrais da empresa perderam terreno para a AMD, e agora a Intel enfrenta desafios apenas para se manter competitiva em seu negócio principal.
As ações caíram e a Intel já cortou 16.500 empregos para reduzir custos e espaço físico. Eles estão tentando reverter a situação, mas o trem da IA já partiu.
A NVIDIA, por outro lado, está a todo vapor, com os chips Blackwell a caminho, e uma demanda tão intensa que é considerada "insana". A mudança no Dow Jones reflete essa nova era, onde a tecnologia de IA domina, e a posição da NVIDIA no índice sinaliza uma grande mudança para todo o mercado.
Com a entrada da NVIDIA no Dow Jones, quatro das seis empresas de tecnologia avaliadas em trilhões de dólares agora fazem parte do índice, restando apenas a Meta e a Alphabet.

