O CEO da Nvidia, Jensen Huang, defendeu na quinta-feira o acordo de US$ 5 bilhões da empresa com a Intel, classificando a colaboração como uma jogada bem planejada após quase um ano de negociações privadas.
O anúncio foi feito durante uma teleconferência na qual Jensen confirmou ter discutido pessoalmente os termos com Lip-Bu Tan, CEO da Intel e seu colaborador de longa data. "Acreditávamos que seria um investimento incrível", disse Jensen, acrescentando que o acordo foi finalizado no sábado, após meses de negociações.
Conforme Cryptopolitan relatado, a parceria envolve a Nvidia na construção de sistemas de IA e chips para PCs em conjunto com a Intel, combinando os processadores gráficos da Nvidia com as CPUs x86 da Intel.
O acordo vai além de um simples aperto de mãos. A Nvidia comprará processadores centrais da Intel para alimentar seus servidores de IA em rack NVLink, que atualmente utilizam chips Arm. Jensen explicou:
“Vamos comprar essas CPUs da Intel e depois conectá-las a superchips que se tornarão nosso nó de computação, que por sua vez será integrado a um supercomputador de IA em escala de rack.”
Ao mesmo tempo, a Intel começará a promover laptops e chips para PCs que incluem componentes de GPU da Nvidia, tecnologia que, segundo Jensen, ajudará ambas as empresas a explorar um mercado de US$ 50 bilhões.
A Nvidia se integra ao hardware da Intel enquanto a Intel vende ativos
Greg Ernst, diretor de receitas da Intel, afirmou no LinkedIn que o acordo foi negociado nos últimos meses e finalizado no sábado. Pelo acordo, a Nvidia se torna uma importante cliente de CPUs da Intel, além de fornecer chiplets de GPU que são utilizados nos produtos da Intel voltados para o consumidor.
“Vamos nos tornar um cliente muito importante das CPUs da Intel e um grande fornecedor de chiplets de GPU para chips da Intel”, disse Jensen a repórteres. Ele esclareceu que a parceria não afetará o trabalho já existente da Nvidia com a Arm e que o anúncio de quinta-feira se refere apenas a produtos, não à fundição da Intel.
Atualmente, a Nvidia utiliza a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) para fabricar seus chips. Mas Jensen afirmou que eles ainda estão avaliando as capacidades de fundição da Intel e que podem trabalhar com eles no futuro.
No entanto, nesta parceria, a colaboração envolverá apenas a embalagem de chips da Intel, a etapa final da produção de chips que combina os componentes em uma única peça pronta para instalação.
Tan, que foi nomeado CEO da Intel em março após a saída de Pat Gelsinger, disse durante a mesma teleconferência: "Gostaria de agradecer a Jensen pela confiança depositada em mim, e nossa equipe e a Intel trabalharão arduamente para garantir que seja um bom retorno para vocês."
Pat foi destituído do cargo pelo conselho da Intel no ano passado devido ao aumento dos custos de fabricação e à dificuldade em entrar no mercado de chips de IA. Desde então, Tan liderou a Intel em importantes cortes de custos e captação de recursos.
A Intel captou US$ 2 bilhões do SoftBank, vendeu uma participação majoritária em sua subsidiária de ASICs, a Altera, para a Silver Lake por US$ 3,3 bilhões e se desfez de US$ 1 bilhão em ações da Mobileye, sua unidade de tecnologia de direção autônoma. A empresa também anunciou em julho que demitirá 15% de sua força de trabalho até o final do ano.
No total, a Intel recebeu US$ 8,9 bilhões em subsídios e empréstimos do governo dos EUA, ao abrigo da Lei CHIPS — mas a administração Trump solicitou uma participação acionária de 10% em troca dos fundos. Essa participação foi garantida em agosto.
Apesar do cash, a Intel ainda não conquistou nenhum grande cliente do setor de semicondutores, como a Nvidia ou a Apple. Analistas afirmam que a empresa precisa de pelo menos um para comprovar a confiabilidade de sua tecnologia em larga escala.
Caso contrário, poderá ser forçada a abandonar completamente o negócio de fundição. Isso gerou preocupação em Washington, onde os legisladores consideram a Intel estrategicamente importante devido ao seu status como a única empresa americana capaz de fabricar chips de alta qualidade em território nacional.
Jensen esteve na Inglaterra no início desta semana com odent Donald Trump, participando de um jantar de estado no Palácio de Windsor e anunciando novos projetos no Reino Unido.
Mas tanto Jensen quanto um funcionário da Casa Branca confirmaram que o governo dos EUA não esteve envolvido no acordo entre a Nvidia e a Intel. Kush Desai, porta-voz da Casa Branca, afirmou posteriormente em um comunicado: "A nova parceria da Intel com a Nvidia é um marco importante para a indústria de alta tecnologia americana."
A queda da Intel nos últimos cinco anos foi acentuada. Suas ações despencaram 31,78%, enquanto as da Nvidia subiram 1.348%, elevando o valor de mercado da Nvidia para US$ 4,25 trilhões, em comparação com os US$ 143 bilhões da Intel no fechamento de quinta-feira.

