O BRICS decidiu que não permitirá a entrada de novos países como membros plenos este ano. Em seu discurso na cúpula que está sediando em Kazan, odent Vladimir Putin deixou claro que a atual lista de nove membros plenos é suficiente, pelo menos por enquanto.
O que surpreende? A Arábia Saudita, apesar de toda a expectativa e de um convite anterior, recusou oficialmente a oferta e sequer assinou como país parceiro. Resta saber se isso afetará a estreita amizade entre Putin e Mohammed bin Salman Al Saud, bem como entre os dois países.
Visão geral dos BRICS
Treze novos países foram acolhidos como parceiros oficiais do BRICS, garantindo-lhes um lugar à mesa de negociações, mas não o estatuto de membros plenos. Argélia, Bielorrússia, Bolívia, Cuba, Indonésia, Cazaquistão, Malásia, Nigéria, Tailândia, Turquia, Uganda, Uzbequistão e Vietname juntaram-se ao grupo, trabalhando para uma possível adesão futura.
A ausência da Arábia Saudita na lista oficial de membros e parceiros? Isso está dando o que falar. Com a potência do Oriente Médio não aderindo ao acordo, apesar das negociações de expansão previstas para agosto de 2023, parece que as prioridades de Riad estão em outro lugar.
Mas o BRICS não está esperando por ninguém. Já possui impulso suficiente com os países que fazem parte, especialmente com as novas adições, como Irã, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos, que se juntam aos cinco originais: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
A cúpula não foi apenas uma oportunidade para essas nações tirarem fotos e trocarem apertos de mão. O foco principal foi o dinheiro. O BRICS está pressionando fortemente por sistemas de pagamento alternativos que possam contornar redes controladas pelo Ocidente, como o SWIFT.
A Rússia está excluída do sistema SWIFT desde que invadiu a Ucrânia, e agora Putin está reforçando sua posição de que o BRICS está criando um novo sistema de pagamentos transfronteiriços que permite liquidações em moedas locais.
Embora Putin esteja jogando a longo prazo, isso também representa uma demonstração de forçamatic . Odentda Turquia, Tayyip Erdogan, compareceu apesar de seu país ser membro da OTAN. Ele há muito tempo demonstra interesse em integrar a Turquia ao BRICS. Até mesmo o secretário-geral da ONU, António Guterres, deu as caras.
BRICS apostando em suas próprias regras
Então, qual é o objetivo final? O BRICS existe desde 2006, mas as coisas têm avançado um pouco lentamente. O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), lançado pelo BRICS, deverá conceder cerca de US$ 5 bilhões em empréstimos este ano.
Sim, é uma fração minúscula comparada aos US$ 72,8 bilhões do Banco Mundial, mas o impulso existe. O dólar não vai desaparecer amanhã, mas cada vez mais países estão considerando o BRICS como uma apólice de seguro. Eles estão de olho em um mundo onde as regras ocidentais não dominem.
Mas, à medida que o BRICS cresce, as tensões entre os interesses nacionais dos países membros também aumentam. É difícil chegar a um consenso quando se tem países como a China e a Índia, que não são exatamente os melhores amigos.
Os BRICS representam agora um quinto do comércio global. Mas isso significa que irão derrubar o dólar? Não tão cedo.
É claro que Putin está considerando a ideia de um novo sistema de pagamentos, mas não espere que o dólar desapareça das finanças globais apenas por causa de algumas novas iniciativas. Os Estados Unidos ainda são o país mais poderoso do planeta.
FMI comenta sobre os BRICS
O FMI está atento. A diretora-gerente Kristalina Georgieva quer saber mais. Ela afirmou que a ideia não é nova, mas os detalhes são o que importam. "Precisamos de mais informações para avaliar realmente o que está acontecendo."
A Iniciativa de Pagamentos Transfronteiriços dos BRICS (BCBPI) poderia rivalizar com a SWIFT, pelo menos em teoria. Mas é na prática que as coisas podem se complicar.
Enquanto o FMI se concentra em levar a inflação de volta às metas dos bancos centrais e em navegar em um mundo de "baixo crescimento e alta dívida", também está observando como as novas iniciativas dos BRICS podem abalar o status quo.
A Mesa Redonda Global sobre a Dívida Soberana (GSDR, na sigla em inglês) tem tentado ajudar os países a reestruturar suas dívidas e, embora esteja obtendo progresso, ainda há muito trabalho pela frente.

