De acordo com a Bloomberg, o JPMorgan começará a permitir que seus clientes de trading e gestão de patrimônio tomem cash usando ativos relacionados a criptomoedas como garantia. O plano entra em vigor nas próximas semanas, começando com empréstimos garantidos pelo iShares Bitcoin Trust da BlackRock.
O banco também começará a incluir criptoativos nos cálculos do patrimônio líquido de alguns clientes, colocando Bitcoin e outros ativos digitais na mesma categoria que ações, carros e obras de arte.
Isso é importante porque afeta a quantia de dinheiro que os clientes podem tomar emprestado do banco. Esse novo modelo será aplicado a todos os clientes de gestão de patrimônio do JPMorgan no mundo todo, incluindo clientes de varejo e clientes com patrimônio líquido ultra-elevado.
O JPMorgan amplia o acesso às criptomoedas para além da análise caso a caso
Antes dessa mudança, o JPMorgan só aceitava ETFs de criptomoedas como garantia para empréstimos sob condições específicas. Com esse novo sistema, o banco está ampliando sua atuação, começando com o ETF Bitcoin da BlackRock e, posteriormente, expandindo para outros produtos de criptomoedas negociados em bolsa.
Essas mudanças ocorrem em um momento em que a demanda por acesso a criptomoedas entre os clientes está aumentando e a postura do governo federal em relação aos ativos digitais está se tornando mais flexível.
Jamie Dimon, CEO do banco, tem se mantido crítico ao Bitcoin. Durante o encontro com investidores em maio, ele disse: "Não acho que devamos fumar, mas defendo o seu direito de fumar. Defendo o seu direito de comprar Bitcoin, vá em frente."
Ele deixou isso ainda mais claro no início deste ano, no Fórum Econômico Mundial de 2024, em Davos, na Suíça. "Bitcoin não faz nada. Eu o chamo de pedra de estimação", disse Jamie. "Esta é a última vez que falo sobre isso com a CNBC, que Deus me ajude."
Apesar dessa visão, o banco trabalha com plataformas de criptomoedas há anos. Ele utiliza a tecnologia blockchain para serviços internos e conta com a Coinbase entre seus clientes. Essas novas políticas de crédito mostram que, embora Jamie não seja fã do Bitcoin, o JPMorgan não tem problemas em lucrar com ele, desde que haja demanda por parte dos clientes.
Governo Trump remove barreiras para Wall Street
O retorno de Trump à Casa Branca em janeiro de 2025 mudou a forma como os reguladores dos EUA lidam com as criptomoedas. O FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation) e o Escritório do Controlador da Moeda (OCC) revogaram políticas anteriores contrárias às criptomoedas. Até mesmo o Federal Reserve (Fed) recuou, embora não completamente.
Ainda está em vigor um aviso de 2023 que limita algumas atividades bancárias relacionadas a criptomoedas. Mas, graças à revogação da SAB 121, os bancos agora podem custodiar criptomoedas, algo que antes era proibido.
Desde essas flexibilizações regulatórias, as criptomoedas explodiram. Bitcoin atingiu um novo recorde histórico em maio, chegando a US$ 111.980, apenas alguns meses após a vitória de Trump nas eleições de novembro de 2024. Os ETFs atrelados ao Bitcoin, lançados nos EUA em janeiro de 2024, agora administram cerca de US$ 128 bilhões. Essa é uma das taxas de crescimento de produto mais rápidas já vistas em Wall Street.
Desde que assumiu o cargo, Trump tem promovido ativamente políticas relacionadas a criptomoedas. O setor também o ajudou a retornar ao poder com doações significativas. Os negócios de sua família também entraram no ramo das criptomoedas, envolvendo-se na mineração Bitcoin e lançando memecoins.
O apoio político tem sido um fator importante nas mudanças de políticas que estão permitindo que bancos como o JPMorgan e seus concorrentes se aprofundem no setor de criptomoedas.
O Morgan Stanley também está se movimentando. O banco está trabalhando para adicionar negociação de criptomoedas à sua plataforma E*Trade, segundo a Bloomberg. Em Davos, Ted Pick, CEO do Morgan Stanley, afirmou que o banco está buscando novas maneiras de se envolver no mercado de criptomoedas sob a liderança de Trump.
Mesmo com todas as novas oportunidades, Jamie Dimon ainda alerta sobre os riscos das criptomoedas. Ele mencionou preocupações com lavagem de dinheiro, tráfico sexual, terrorismo e propriedade de ativos pouco clara ao discutir Bitcoin.
Mas nada disso impede que o banco inclua as criptomoedas nos contratos de empréstimo e nas avaliações de patrimônio dos clientes. Essa mudança do JPMorgan facilita o uso de criptomoedas em transações financeiras reais, da mesma forma que qualquer outro ativo.

