Com a chegada de 2024, o mercado de redes corporativas está prestes a passar por mudanças significativas, impulsionadas pela evolução do cenário de operações de TI e pelas tecnologias emergentes. Uma tendência fundamental que deverá moldar o setor é a crescente pressão sobre as equipes de operações de TI. Essa pressão é consequência direta do papel multifacetado da TI, da rápida migração para soluções baseadas em nuvem e da crescente adoção de infraestrutura digital.
A crescente importância da TI nas organizações impôs demandas imensas a essas equipes, muitas vezes levando seus recursos ao limite. Em muitos casos, os departamentos de TI se deparam com a escassez de pessoal qualificado e com a árdua tarefa de manter e proteger ecossistemas tecnológicos complexos. Essa dificuldade continuará a dificultar o progresso dos projetos de digitalização, exceto para as maiores corporações. Mesmo enquanto as organizações se esforçam para adotar tecnologias avançadas como a IA generativa, elas precisam primeiro resolver a lacuna de recursos e habilidades para garantir uma implementação bem-sucedida.
A evolução do NaaS no campus
O conceito de Rede como Serviço (NaaS) tem sido instável, causando confusão no mercado de redes corporativas. No entanto, em 2024, espera-se que o setor testemunhe a cristalização do conceito de NaaS, com uma defimais clara que pode não estar alinhada com as expectativas dos fornecedores tradicionais. O NaaS não será mais visto apenas como um modelo de negócios; em vez disso, emergirá como uma abordagem arquitetural que representa uma mudança fundamental no paradigma das redes corporativas.
Este novo paradigma de NaaS será inerentemente nativo da nuvem e centrado em software, caracterizado por cinco atributos principais:
Conjunto de hardware e software padronizado.
Alto desempenho garantido em termos de disponibilidade, cobertura e capacidade.
Extensão da segurança de confiança zero tanto para os campi universitários quanto para as filiais.
Simplificação e automatização de todos os aspectos dos serviços de gestão do ciclo de vida.
Consumo em modelo de assinatura, com cobrança por uso.
Esses atributos diferenciarão os provedores que oferecem um modelo "como serviço" genuíno, distinguindo-os daqueles que dependem de contratos de locação convencionais. Além disso, essa evolução prepara o terreno para a integração de redes de IA em soluções NaaS.
A ascensão das redes de IA
Embora a IA venha ganhando terreno de forma constante no cenário de TI, espera-se que 2024 testemunhe sua ampla aplicação em todas as facetas da infraestrutura de TI, incluindo LANs com e sem fio e operações de rede em geral. Em contraste com AIOps, que oferece principalmente insights sobre o tráfego de rede, o AI Networking está prestes a revolucionar as operações de rede corporativas, possibilitando a automação completa.
A Inteligência Artificial em Redes engloba uma gama de tecnologias, incluindo Aprendizado de Máquina, análise de fluxos de dados em tempo real, chatbots e automação. Abrange um espectro de operações desde o planejamento inicial (Dia 0) até o gerenciamento e otimização contínuos (Dia N). Isso significa que tarefas como a implantação de pontos de acesso sem fio, a orquestração de atualizações de software e adentde problemas de cabeamento usando sensores de tensão podem ser automatizadas.
Ao adotar os princípios nativos da nuvem, as organizações de TI terão a oportunidade de reduzir significativamente sua dependência dos tradicionais Centros de Operações de Rede (NOCs). Essa mudança em direção à automação pode até levar ao surgimento do termo "NoOps" no domínio de redes corporativas pela primeira vez em 2024. Essa transformação permitirá que as equipes de TI priorizem iniciativas estratégicas de nível superior.
A eliminação gradual de tecnologias de rede obsoletas
Em 2024, o mercado de redes corporativas está prestes a testemunhar o declínio de diversas tecnologias de rede tradicionais que perderam relevância ou não conseguiram atender às necessidades em constante evolução. Algumas dessas tecnologias perderão destaque ou migrarão para a nuvem. Entre as tecnologias que enfrentam a obsolescência estão:
Redes locais virtuais (VLANs): Originalmente concebidas para segmentar dispositivos conectados em redes empresariais, as VLANs tornaram-se menos relevantes nas redes modernas.
Soluções de Controle de Acesso à Rede (NAC): Antes utilizadas para impor políticas em nível de usuário/dispositivo como sobreposições, as soluções de NAC perderam sua proeminência no cenário de redes em constante evolução.
Soluções AIOps: Soluções que fornecem relatórios e alertas resumidos podem perder relevância à medida que as organizações priorizam cada vez mais a automação da infraestrutura.
SD-WAN: Inicialmente concebida como uma tecnologia de transição de redes baseadas em MPLS para IP, a SD-WAN pode perder relevância à medida que as soluções Secure Access Service Edge (SASE) amadurecem e são adotadas.
2024 promete ser um ano transformador para o mercado de redes corporativas. As equipes de operações de TI enfrentarão demandas crescentes e a necessidade de suprir a falta de recursos e habilidades. O modelo NaaS (Network as a Service) sedeficomo uma abordagem arquitetural com atributos específicos, abrindo caminho para que as redes com IA (Inteligência Artificial) assumam o protagonismo. Simultaneamente, tecnologias de rede obsoletas darão lugar gradualmente a soluções mais modernas e nativas da nuvem, permitindo que as equipes de TI se concentrem em aplicações de missão crítica. O mercado de redes corporativas está passando por uma evolução significativa, e só o tempo dirá como essas previsões se concretizarão.

