Construindo uma infraestrutura Web3 resiliente em um mundo instável: Entrevista com Pauline Shangett, Diretora de Estratégia da ChangeNOW

A infraestrutura raramente é notícia na Web3. No entanto, sem ela, nenhum DApp, carteira ou exchange sobreviveria um único dia. Cryptopolitan conversou com Pauline Shangett, Diretora de Estratégia da ChangeNOW e Consultora Estratégica da NOWNodes, para discutir por que a resiliência é mais importante do que o debate nuvem versus hardware e como a próxima onda de adoção do blockchain dependerá de fundamentos sólidos.
Infraestrutura e risco
Pauline, você disse que na Web3, o momento mais assustador não é necessariamente um ataque hacker, mas sim o colapso silencioso da infraestrutura. Por que você considera essa distinção tão crucial?
Porque quando você é hackeado, pelo menos sabe o que aconteceu – há um invasor, uma vulnerabilidade explorada e uma narrativa que você pode usar como referência. Mas quando sua infraestrutura falha inesperadamente, parece que o chão está sumindo debaixo dos seus pés. Uma atualização desatualizada, um incêndio, um endpoint sobrecarregado, e de repente seu serviço não está mais hackeado ou censurado; ele simplesmente desaparece.

Para uma equipe Web3, isso é devastador. Os usuários não se importam se foi malicioso oudent; eles só veem a indisponibilidade do serviço. Os fundos não podem ser movimentados, as transações falham e a confiança se deteriora instantaneamente. É por isso que enfatizo este ponto: a infraestrutura pode ser invisível quando funciona, mas se torna a única coisa que importa quando não funciona.
A indústria tende a romantizar o hardware como a alternativa “descentralizada” à nuvem. No entanto, em sua palestra, você alertou contra a visão do hardware como a solução definitiva. Por quê?
Porque a descentralização não te protege magicamente das leis da física do mundo real. As ameaças ao hardware são frequentemente físicas, não digitais. Veja o que aconteceu na Coreia do Sul em 2022: um único incêndio em um data center do KakaoTalk derrubou pagamentos, logins e até mesmo o acesso a uma das maiores corretoras do país, a Upbit. Não foi um ataque hacker. Foi fumaça em uma sala de servidores.
Esse caso é importante porque demonstra a fragilidade dos "pontos únicos de falha". E não se tratam de acidentes raros edent; fazem parte de um cenário mais amplo de riscos físicos: apagões, inundações, rompimentos de cabos e instabilidade política. Esses eventos estão se tornando mais frequentes, não menos. E se a sua infraestrutura Web3 for construída com base na premissa de que o mundo físico é estável, você estará se preparando para um desastre.
Construindo resiliência
Então, como se preparar para a instabilidade? O que significa resiliência na prática para os NOWNodes?
Para nós, a resiliência começa com a distribuição. Operamos em diversas regiões estratégicas – Europa, América do Norte e Ásia, com presença física em países como Alemanha, Finlândia, Holanda, Estados Unidos e Singapura. Isso é intencional. Não se deve colocar todos os ovos na mesma cesta, seja ela política, geográfica ou técnica.
Em segundo lugar, trata-se de redundância. Nossa infraestrutura segue um modelo 2N+1: para cada componente crítico, seja ele de computação, energia ou rede, mantemos dois backups e um componente reserva adicional. Assim, se um falhar, o sistema continua funcionando. Se o backup falhar, o componente reserva assume o controle. O objetivo é a continuidade sem que o usuário perceba.
E em terceiro lugar, testamos constantemente a falha. Desligamos sistemas em ambientes espelhados, simulamos ataques e desconectamos regiões de propósito, porque o pior momento para descobrir que seu failover não funciona é quando você está no meio de uma crise real.
O custo sempre foi um fator decisivo entre a computação em nuvem e o hardware. Como você vê a mudança nesse cenário econômico hoje em dia?
Antigamente, a computação em nuvem era a opção financeira mais vantajosa: você evitava investimentos iniciais, pagava apenas pelo que usava e a escalabilidade parecia infinita. Mas agora, a realidade é bem diferente. Os grandes provedores de nuvem, como AWS, Google e Microsoft, controlam o mercado e, com pouca concorrência, os preços só sobem. Observamos um aumento de mais de 20% nos custos de computação em relação ao ano anterior e empresas relatando contas inesperadas com aumentos de 25% ou mais em um único ciclo.
Entretanto, o hardware está se tornando mais previsível. Sim, você precisa investir inicialmente, mas quando esse investimento é diluído ao longo de sete a dez anos, os cálculos mostram que a aquisição é vantajosa. Um servidor que custa US$ 1.100 hoje acaba custando cerca de US$ 110 por mês durante uma década. O equivalente na nuvem? De dois a sete mil dólares por mês. É uma diferença enorme.
E além do aspecto financeiro, existe a liberdade. Em servidores físicos, você controla seus patches, sua implantação e seu ambiente. Na nuvem, você fica limitado ao que seu provedor determina que você pode fazer.
Tecnicamente, isso faz sentido, mas e o fator humano? O que acontece se um provedor não lhe der suporte quando você mais precisa?
É aí que a maioria das equipes subestima o risco. Nem o melhor hardware nem a configuração de nuvem mais otimizada importam se o seu provedor desaparecer quando você precisar dele. O que nossos clientes nos dizem constantemente é que a fidelidade deles não se deve ao hardware que usamos, mas sim à forma como respondemos.

Eles valorizam o fato de nossos engenheiros responderem em minutos, não em horas. Confiam que podemos crescer junto com eles sem custos inesperados. Apreciam o fato de oferecermos suporte a mais de 115 blockchains, incluindo as mais complexas que outros evitam. E, talvez o mais importante, sabem que, se algo der errado às duas da manhã, estaremos online, resolvendo o problema em tempo real. Isso não é marketing. É a realidade do dia a dia que os faz continuar conosco.
Os modelos de suporte e precificação costumam ser pontos problemáticos na infraestrutura Web3. Como sua abordagem se diferencia?
Em relação ao suporte, adotamos uma postura firme: nada de chatbots, nada de intermináveis sequências de chamados. Se você entrar em contato conosco, falará diretamente com um engenheiro que poderá resolver seu problema em tempo real, seja pelo Slack, Telegram ou outro canal. Nosso tempo médio de resposta é inferior a três minutos. Para bugs complexos, a resolução ocorre em horas, não em dias.
Em relação aos preços, rejeitamos o modelo de "pegadinha" tão comum no mundo da nuvem, onde limites invisíveis restringem sua velocidade ou um pico repentino de tráfego resulta em uma fatura três vezes maior. Nossas assinaturas são transparentes. Você sabe exatamente pelo que está pagando, e o escalonamento é rápido e previsível. Essa estabilidade permite que as equipes planejem o crescimento sem temer que os custos de infraestrutura as levem à falência repentinamente.
O futuro de uma Web3 sustentável
Em resumo, o hardware é o futuro da infraestrutura Web3 sustentável? Ou a nuvem ainda reina absoluta?

Sinceramente, nenhuma das duas. O verdadeiro futuro não se resume a escolher entre uma coisa ou outra. Trata-se de resiliência. E a resiliência se constrói combinando backups inteligentes, ampla distribuição, economia transparente e suporte centrado no ser humano.
A nuvem ou o hardware sozinhos não vão te salvar. A resiliência, sim. E resiliência não se aluga. Ela é construída, testada e conquistada ao longo do tempo. Essa é a mentalidade que trazemos para a NOWNodes, e é a mentalidade que acredito ser necessária para que todo o setor cresça de forma sustentável.
Considerações finais para fundadores e equipes que estão desenvolvendo projetos na Web3 neste momento?
Minha mensagem é simples: infraestrutura é chata até deixar de ser. Mas quando ela falha, nada mais importa no seu produto. Se seus usuários não conseguem realizar transações, se seus endpoints RPC estão fora do ar, se seu serviço desaparece sem explicação, você perdeu a confiança deles.
Portanto, não trate a infraestrutura como ruído de fundo. Trate-a como a espinha dorsal do seu produto. Construa partindo do princípio de que algo vai falhar. Porque vai. As equipes que sobreviverem ao próximo ciclo da Web 3 não serão aquelas com a interface de usuário mais chamativa ou o melhor marketing baseado em memes. Serão aquelas cuja infraestrutura as manteve online quando o mundo lhes pregou uma peça.
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