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O FMI insta a China a mudar o foco das exportações para a demanda interna

PorNélio IreneNélio Irene
Tempo de leitura: 3 minutos
  • O FMI instou a China a mudar o foco das exportações para o aumento dos gastos internos, à medida que a demanda global enfraquece.
  • A recuperação da China é frágil devido a uma crise imobiliária, à baixa confiança do consumidor e aos crescentes riscos financeiros.
  • O FMI alertou que o elevado investimento estatal e a fraca procura podem alimentar as tensões comerciais e a pressão orçamental.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu a Pequim que reequilibre seu crescimento econômico, reduzindo sua dependência das exportações e promovendo, em vez disso, o consumo interno dos chineses.

chinês O modelo baseado nas exportações está perdendo força à medida que a demanda externa esfria e os preços dos produtos manufaturados despencam, afirmou o Fundo Monetário Internacional (FMI) em sua mais recente edição do relatório Perspectivas da Economia Mundial, divulgada na terça-feira. O FMI alertou que a segunda maior economia do mundo deve reequilibrar seu foco para priorizar a demanda interna, ou estagnará no longo prazo.

A China ainda produz um grande volume de bens para exportação, mas a fraca demanda global tem pressionado os preços para baixo, afirmou Pierre-Olivier Gourinchas, economista-chefe do FMI.

Os apelos renovados surgem num momento em que os responsáveis ​​políticos ocidentais pressionam cada vez mais o FMI para que adote uma postura mais rigorosa em relação às políticas económicas. A mensagem do FMI não é nova, mas o momento é crucial. A recuperação da economia chinesa permanece frágil após anos de perturbações causadas pela pandemia, turbulências no setor imobiliário e uma confiança do consumidor que ainda não se recuperou.

A fraca procura interna dificulta a recuperação

O FMI descreveu as perspectivas da China como "preocupantes", citando riscos crescentes à estabilidade financeira e um consumo fraco. A economia está à beira de uma armadilha de deflação por dívida, disse Gourinchas, com a queda dos valores dos imóveis, a demanda de crédito anêmica e as restrições ao crédito corporativo prejudicando a recuperação.

A crise imobiliária na China — outrora uma gigantesca fonte de riqueza urbana — ainda se faz sentir. Muitas construtoras enfrentam dificuldades para concluir projetos habitacionais, os bancos estão sobrecarregados com empréstimos inadimplentes e as famílias estão relutantes em gastar ou investir. A incerteza resultante abalou a confiança tanto dos consumidores quanto das empresas.

O FMI também observou que, embora os elevados gastos de Pequim em indústrias estratégicas, incluindo veículos elétricos e energia renovável, tenham sido lucrativos em alguns setores, podem estar alocando recursos de forma inadequada e contribuindo para pressões fiscais. Subsídios e investimentos dirigidos pelo Estado, afirmou o Fundo, podem distorcer a concorrência e excluir pequenas empresas privadas.

O FMI sugeriu que a China embarcasse em uma chamada “expansão fiscal transitória e recomposição fiscal permanente”, que, segundo a instituição, implicaria em um aumento temporário dos gastos do governo para impulsionar o consumo das famílias privadas antes de direcionar as prioridades fiscais de longo prazo para redes de proteção social e apoio à renda.

O crescimento das exportações chinesas também começou a perder força. Embora as exportações totais em setembro tenham aumentado em relação ao mesmo período do ano anterior, os embarques para os Estados Unidos despencaram mais de 27% em comparação com o ano passado, segundo dados fornecidos pela alfândega chinesa. Analistas afirmam que um dos motivos, além dos fatores geopolíticos, é a menor demanda global em geral.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação tanto na União Europeia quanto nos Estados Unidos com a entrada maciça de produtos chineses de baixo custo — principalmente veículos elétricos e painéis solares — que estão prejudicando as indústrias nacionais. Tal cenário, alertou o FMI, poderia exacerbar as fricções comerciais, a menos que o mercado interno da China crie demanda suficiente para absorver uma parcela maior de sua produção.

Pequim enfrenta escolhas políticas difíceis

Os líderes da China reconheceram o desafio. O primeiro-ministro Li Qiang afirmou recentemente a autoridades que a expansão da demanda interna é crucial para manter o crescimento sustentável e prometeu apoio fiscal direcionado a famílias e pequenas empresas.

No entanto, economistas argumentam que reformas estruturais muito mais profundas são necessárias em 2020 para que isso se torne realidade. Essas medidas poderiam incluir o aumento da renda familiar, a reforma da previdência social para reduzir a poupança por precaução e a concessão de maior flexibilidade ao setor privado, o que desempenharia um papel importante tanto na inovação quanto na geração de empregos.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, expressou um sentimento semelhante este ano, ao afirmar que o Fundo tem se manifestado veementemente sobre a necessidade de a China mudar seu modelo econômico. Ela enfatizou que medidas para impulsionar a confiança do consumidor e aumentar a transparência no setor financeiro também são cruciais para o crescimento sustentável.

No entanto, Pequim precisa fazer escolhas políticas e sociais difíceis. A desaceleração do crescimento no curto prazo pode exigir também a redução do investimento industrial liderado pelo Estado. Contudo, sem reformas, argumenta o FMI, a China poderá permanecer presa em um ciclo de baixa demanda, preços baixos e dívidas crescentes.

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