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Órgão de proteção de dados da Grécia vai se pronunciar sobre sistemas de IA em campos de refugiados

Neste post:

  • A Autoridade Grega de Proteção de Dados irá se pronunciar sobre a legalidade dos sistemas de vigilância por IA em campos de refugiados – implicações para a gestão da migração na UE.
  • Os controversos sistemas Centaur e Hyperion estão sob escrutínio devido a potenciais violações de privacidade e direitos humanos.
  • A falta de transparência e as avaliações de impacto tardias levantam preocupações sobre a implantação do sistema de vigilância.

A Autoridade Grega de Proteção de Dados (DPA) está prestes a tomar uma decisão crucial sobre a legalidade dos sistemas avançados de vigilância e segurança implantados em campos de refugiados na Grécia. A decisão, esperada para o final do ano, terá implicações para o uso de inteligência artificial (IA) e sistemas de reconhecimento biométrico na gestão da migração na Europa. O caso gira em torno dos sistemas Centaur e Hyperion, financiados pela União Europeia (UE), que suscitaram preocupações quanto a violações de privacidade e direitos humanos. 

Sistemas controversos de vigilância e segurança

O sistema Centaur, um sistema de segurança de análise comportamental com inteligência artificial (IA) que custou milhões de euros, está no centro da controvérsia. Implantado em campos de refugiados nas ilhas do Mar Egeu, o Centaur utiliza algoritmos em equipamentos de vigilância, incluindo câmeras, drones e sensores, para detectarmaticameaças potenciais, notificar as autoridades e registrardent. O sistema Hyperion, por sua vez, utiliza dados biométricos de impressões digitais para o controle de entrada e saída nos campos. Ambos os sistemas foram alvo de escrutínio em março de 2022, quando organizações da sociedade civil e um pesquisador apresentaram uma queixa à Autoridade Grega de Proteção de Dados (DPA), questionando sua legalidade.

Possíveis violações de privacidade e direitos humanos

A iminente decisão da Autoridade Grega de Proteção de Dados provavelmente destacará deficiências processuais significativas na implementação desses sistemas. Entre os principais problemas, destacam-se a ausência de um encarregado de proteção de dados no Ministério das Migrações da Grécia antes do lançamento dos programas, bem como preocupações sobre a conformidade dos programas com as leis gregas e europeias, em particular o RGPD (Regulamento Geral de Proteção de Dados).

A vigilância como solução

Centaur e Hyperion sãomatic dos Centros de Acesso Controlado Fechado (CCACs) da Grécia para migrantes, que começaram a funcionar em 2021 com financiamento e supervisão da UE. As autoridades gregas apresentaram esses sistemas de vigilância como soluções para os problemas enfrentados anteriormente em campos improvisados ​​de migrantes. Centaur, em particular, permite que as autoridades monitorem os campos de refugiados de forma abrangente, chegando a afirmar que não se trata de uma prisão, mas sim de uma medida de segurança necessária.

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Reações mistas e escrutínio da UE

Apesar das alegações das autoridades gregas, esses novos campos foram criticados por alguns, sendo considerados "semelhantes a prisões" e um "pesadelo distópico". Autoridades da UE, incluindo a Agência dos Direitos Fundamentais (FRA), expressaram preocupação com a necessidade e a proporcionalidade dessas medidas, recomendando alternativas menos intrusivas. Além disso, a implantação de sistemas de vigilância na Grécia suscitou questionamentos sobre o papel da inteligência artificial e da biometria na gestão da migração.

Financiamento da UE e reforço das fronteiras

A Grécia recebeu financiamento substancial da UE para seus projetos de reforço de fronteiras, particularmente para seus campos de refugiados financiados pela UE. Entre 2014 e 2020, o financiamento destinado às fronteiras na Grécia aumentou 248%, totalizando mais de € 1 bilhão. Uma instituição, o Centro de Estudos de Segurança, recebeu € 12,8 milhões em fundos da UE para desenvolver tecnologias de fronteira, o maior valor entre as analisadas.

Questões legais e avaliações de impacto

A investigação da Autoridade de Proteção de Dados da Grécia centra-se em determinar se a Grécia possuía uma base legal para o processamento de dados exigido por esses sistemas e se seguiu os procedimentos exigidos pelo RGPD. Isso inclui a realização de Avaliações de Impacto sobre a Proteção de Dados (AIPD) antes da implementação de sistemas de vigilância e controle. Essas avaliações devem demonstrar a conformidade com o RGPD edente mitigar os riscos associados ao processamento de dados pessoais.

Avisos precoces e atrasos na avaliação de impacto

Em junho de 2021, a FRA emitiu alertas precoces sobre a necessidade de avaliações de impacto, enfatizando a importância de avaliar a compatibilidade com os direitos fundamentais, incluindo a proteção de dados e as salvaguardas de privacidade. No entanto, documentos revelam que essas avaliações foram realizadas meses após a implantação dos sistemas, e algumas delas só foram compartilhadas com a Comissão Europeia em janeiro de 2022. Esses atrasos e omissões suscitaram preocupações quanto à conformidade com o RGPD.

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A Comissão Europeia afirmou que aplica verificações e controles relevantes, mas que, em última instância, depende da Grécia para garantir a conformidade com as normas europeias. Os críticos argumentam que a UE financiou essas iniciativas sem a devida supervisão, o que levanta questões sobre responsabilidade e transparência. As tentativas de obter informações sobre esses sistemas encontraram resistência, alimentando preocupações sobre a falta de transparência.

Preocupações mistas com o impacto e a segurança

O impacto real desses sistemas de vigilância na segurança dentro dos campos de refugiados ainda é tema de debate. Embora algunsdentos vejam como uma forma de se sentirem mais seguros, relatos indicam que os sistemas têm pontos cegos e não conseguiram prevenirdentdentro dos campos. Além disso, a vigilância generalizada criou uma atmosfera de medo e intimidação tanto para osdentquanto para os funcionários dos campos.

A iminente decisão da Autoridade Grega de Proteção de Dados sobre a legalidade de sistemas avançados de vigilância e segurança em campos de refugiados poderá estabelecer umdent para o uso de inteligência artificial e sistemas biométricos na gestão da migração em toda a Europa. A controvérsia em torno dos sistemas Centaur e Hyperion levanta questões fundamentais sobre privacidade, direitos humanos e a necessidade de avaliações de impacto rigorosas antes da implementação de tais tecnologias em contextos sensíveis. Com a decisão a caminho, resta saber como a Grécia e a UE abordarão essas questões críticas na interseção entre tecnologia e migração.

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