Oito das empresas de tecnologia mais valiosas dos EUA acabaram de registrar uma valorização de US$ 420 bilhões em apenas três dias de negociação. O valor total dessas empresas, que valem trilhões de dólares, agora chega a US$ 21 trilhões, com o Google no centro desse movimento.
A maior alta ocorreu após o juiz distrital dos EUA, Amit Mehta, proferir uma decisão no caso antitruste do Google. Em vez de dividir a empresa ou obrigá-la a se desfazer do navegador Chrome, Mehta determinou uma solução mais restrita: o Google terá que compartilhar seus dados de busca com os concorrentes.
Essa notícia fez com que as ações da Alphabet subissem 9% somente na quarta-feira. As ações da Apple também dispararam, porque a decisão judicial permite que a empresa mantenha seu acordo com o Google, no qual a Alphabet paga bilhões para continuar sendo o mecanismo de busca padrão nos iPhones.
A Broadcom fecha acordo com a OpenAI enquanto a Alphabet ignora multa da UE
A Alphabet encerrou a semana com alta de mais de 10%. A Apple subiu 3,2%. O Nasdaq avançou 1,1%. Analistas da Wedbush Securities afirmaram que a decisão “eliminou um grande peso” sobre as ações do Google e dissipou uma “nuvem negra” em relação à Apple.
Eles disseram que isso também abre caminho para um acordo maior de IA entre a Apple e o Google, envolvendo o modelo Gemini.
O Departamento de Justiça vinha processando as grandes empresas de tecnologia desde 2020. Google, Apple, Amazon e Meta enfrentaram processos judiciais relacionados ao poder de mercado. Há um ano, o Google perdeu o julgamento movido pelo Departamento de Justiça, um caso considerado por muitos como o maior desde o da Microsoft na década de 1990.
Mas a decisão de Mehta esta semana não foi tão severa quanto o esperado. Ele afirmou que a ascensão da IA generativa remodelou o mercado, com novos participantes como OpenAI, Anthropic e Perplexity competindo com o Google de maneiras que a busca tradicional não permitia. Mehta disse que essas tecnologias de IA “ainda podem se provar revolucionárias”
Na sexta-feira, a Alphabet enfrentou mais um revés legal, desta vez na Europa. A empresa foi multada em € 2,95 bilhões (US$ 3,45 bilhões) pela União Europeia por práticas anticompetitivas no mercado de tecnologia de publicidade. Mas os investidores não se importaram. As ações se mantiveram estáveis.
Embora a OpenAI tenha influenciado o Google e a Apple indiretamente, ela provocou um movimento direto nas ações da Broadcom. Após a empresa divulgar resultados financeirostrondo que o esperado na quinta-feira, o CEO Hock Tan disse aos analistas que a Broadcom havia fechado um contrato de US$ 10 bilhões com um novo cliente.
Vários analistas dent o cliente como OpenAI, assim como Cryptopolitan noticiou um acordo entre as duas empresas. A Broadcom, que já fornece chips de IA personalizados para o Google, Meta e ByteDance (empresa controladora do TikTok), teve uma valorização de 13% nesta semana.
Suas ações subiram 120% no último ano, elevando o valor de mercado da empresa para cerca de US$ 1,6 trilhão. Analistas do Barclays escreveram que a empresa "está funcionando a todo vapor" e mantiveram sua recomendação de compra, elevando também seu preço-alvo.
Nvidia e Microsoft caem, Tesla sobe após proposta de bônus para Musk
Enquanto outras empresas registraram ganhos, a Nvidia caiu 4%, registrando sua quarta queda semanal consecutiva. Não houve uma razão clara para o declínio, mas isso não impediu a queda. Mesmo assim, a Nvidia continua sendo a empresa mais valiosa do mundo, com valor de mercado superior a US$ 4 trilhões. As ações subiram 56% no último ano.
As ações da Microsoft também caíram esta semana, dando continuidade a uma sequência de cinco semanas de perdas. Apesar da alta de 21% nos últimos 12 meses, o período recente de queda tem sido negativo.
A Tesla teve um ano difícil, com as ações caindo 13% em 2025. As vendas caíram por vários trimestres consecutivos, e os carros elétricos mais baratos da China aumentaram ainda mais a pressão. A linha de veículos elétricos da empresa, já desatualizada, também não ajudou.
Mas esta semana, a Tesla reverteu a tendência. As ações subiram 5%, principalmente devido à notícia de sexta-feira de que a empresa pretende retomar um plano de remuneração massivo para o CEO Elon Musk. O plano, que pode chegar a US$ 1 trilhão, inclui 12 etapas de pagamento.
A primeira condição só se ativa a menos que o valor da Tesla quase dobre, atingindo uma capitalização de mercado de US$ 2 trilhões.
A presidente do conselho, Robyn Denholm, conversou com Andrew Ross Sorkin, da CNBC, e disse que o plano visa manter Musk, que continua sendo a pessoa mais rica do mundo, "motivado e focado em gerar resultados para a empresa".
À medida que tudo isso acontecia, as oito empresas de tecnologia avaliadas em trilhões de dólares cresceram e passaram a representar 36% do índice S&P 500. Como disse Howard Silverblatt, analista sênior de índices da S&P Dow Jones Indices: "Não há comparação"

