O setor global de fundos de hedge atingiu um recorde de US$ 5 trilhões em valor total de ativos, à medida que os investidores injetaram quantias maciças de dinheiro em estratégias alternativas, enquanto os fundos apresentaramtronganhos.
O dado, divulgado pela Hedge Fund Research Inc. (HFR) na quinta-feira, mostra entradas líquidas de quase US$ 34 bilhões durante o trimestre encerrado em setembro — a maior entrada trimestral desde 2007, antes da crise financeira atingir os mercados globais.
O aumento não se deveu apenas a novos aportes. Os fundos de todas as estratégias registraram um retorno médio de 5,4% no trimestre, impulsionado por investimentos em ações e macroeconomia que se aproveitaram da volatilidade do mercado durante o governo do presidente dent Trump.
Os fundos de hedge prosperaram em um ano de mercados imprevisíveis, moldados por políticas comerciais, tarifas e oscilações cambiais, com investidores buscando retornos não correlacionados em meio ao aumento do ruído geopolítico. A renovada confiança nos fundos de hedge reflete uma mudança de clientes ricos e instituições em direção à diversificação, especialmente à medida que ações e títulos se movem de forma errática.
Os grandes gestores de fundos de hedge capturam a maior parte dos fluxos de entrada
Os maiores gestores de fundos de hedge captaram praticamente todo o novo capital no terceiro trimestre, já que os investidores preferiram tamanho e liquidez. Empresas com mais de US$ 5 bilhões em ativos sob gestão dominaram as alocações, evidenciando como o capital continua se concentrando em grandes players já consolidados.
Na quarta-feira, durante o Fórum de Fundos de Hedge da Bloomberg em Londres, Adam Singleton, diretor de investimentos da External Alpha, do Man Group Plc, afirmou que os investidores estão desesperados por proteção que não acompanhe a volatilidade do mercado em geral. "Estamos buscando ativos que diversifiquem os mercados neste momento, que não se deixem influenciar demais pela euforia em torno de diferentes aspectos do cenário econômico e que gerem alfa de forma não correlacionada em momentos de bonança, mas principalmente, não correlacionada em momentos de crise", disse Adam.
Essa mentalidade foi exatamente o que impulsionou ostronfluxos de entrada do trimestre; as estratégias de ações e macroeconomia lideraram o desempenho, mas os fundos de hedge focados em criptomoedas se tornaram discretamente um dos ativos detrondesempenho.
Após sofrerem fortes perdas no início de 2025, os fundos de criptomoedas se recuperaram com ganhos de dois dígitos no terceiro trimestre, elevando o retorno acumulado no ano para 6,7%, de acordo com dados da HFR.
Não está claro se esse aumento de capital representa uma mudança duradoura ou apenas mais uma corrida passageira ao mercado financeiro, mas os fundos de hedge nunca pareceram tão comuns.
O setor que antes simbolizava as “finanças alternativas” tornou-se parte essencial dos portfólios institucionais. Em seu relatório, a HFR destacou que a maior parte do capital dos fundos de hedge agora provém de fundos de pensão, fundos patrimoniais de universidades e fundos soberanos, todos em busca de novas maneiras de fortalecer suas estratégias de investimento globais.
No mercado interno, os fundos de hedge continuam restritos a investidores qualificados (pessoas com renda anual de pelo menos US$ 200.000 ou patrimônio líquido de US$ 1 milhão), já que as regulamentações americanas limitam a participação àqueles capazes de suportar riscos mais elevados. Isso demonstra, mais uma vez, a desigualdade do sistema.
De um lado estão os americanos com riqueza suficiente para investir em fundos complexos que prometem diversificação e retorno superior ao investimento (alfa). Do outro, milhões lutam para pagar as prestações do carro, os custos com creche e as compras do supermercado.
Por enquanto, porém, os fundos de hedge estão surfando na sua onda detronimpulso em quase duas décadas.

