A Geração Z e os millennials estão forçando Wall Street a repensar tudo

- A geração Z e os millennials estão abandonando os investimentos tradicionais e investindo em criptomoedas, imóveis e startups.
- Empresas de Wall Street como a Blackstone e a Forge estão reduzindo as barreiras para tornar os investimentos alternativos mais acessíveis.
- Muitos jovens investidores acreditam que a carteira 60/40 já não funciona após repetidas crises de mercado.
Wall Street está sendo inundada por uma nova geração de investidores que não confiam no sistema tradicional e estão deixando claro que não vão continuar investindo apenas em ações e títulos.
Os millennials e a geração Z, em sua maioria com menos de 43 anos e detentores de dinheiro de verdade, estão direcionando sua riqueza para criptomoedas, imóveis, startups em fase pré-IPO, itens colecionáveis e outros ativos alternativos.
Eles viram crises, resgates financeiros e inflação destruírem portfólios, e não aguentam mais. O dinheiro deles está indo para onde as estratégias antigas não chegam.
Segundo a Bloomberg, o Bank of America viu o número de seus clientes de varejo com investimentos alternativos mais que dobrar desde 2020. O banco adiciona cerca de 50 novos fundos alternativos por ano. Um amplo estudo realizado pelo BofA no ano passado mostrou que 73% dos investidores ricos com menos de 43 anos não acreditam que uma carteira tradicional de ações e títulos os tornará ricos. Cerca de 93% afirmaram que planejam investir mais cash alternativos no futuro.
Empresas de investimento criam versões de varejo de produtos de elite
Essa mudança está forçando grandes empresas a reformularem a maneira como estruturam seus produtos de investimento. Empresas como Blackstone e Apollo estão lançando ETFs e fundos semilíquidos que parecem adequados para investidores individuais, mas que antes eram exclusivos para instituições.
Esses fundos agora estão disponíveis por meio de bancos privados e aplicativos fintech. A Forge Global Holdings reduziu o limite mínimo de investimento para US$ 5.000, o que levou a um aumento repentino nas inscrições diárias. Muitos dos novos usuários buscavam acesso antecipado a empresas como a OpenAI, tentando garantir uma participação antes de um IPO.
Esses novos investidores consideram a carteira 60/40 obsoleta. Esse modelo, que costumava dividir 60% em ações e 40% em títulos, falhou completamente em 2022, quando a inflação pressionou ambos os ativos para baixo simultaneamente.
O Morgan Stanley recentemente protocolou um pedido para lançar um fundo que dá acesso a tudo, desde dívida privada a imóveis e infraestrutura. Uma pesquisa da CAIS revelou que 80% dos gestores de investimentos alternativos planejam lançar produtos para o varejo, quase o dobro do número de três anos atrás. A demanda está crescendo e Wall Street está se adaptando rapidamente.
Produtos de alto risco ganham tracapesar dos alertas
Esses novos investimentos não são simples. Muitos são caros, complexos e ilíquidos — e, mesmo assim, as pessoas continuam investindo. O fundo de investimento imobiliário da Blackstone teve que limitar os saques em 2022 após a disparada das taxas de juros.
Apesar disso, os investidores continuaram a aparecer. Estrategistas do JPMorgan aconselharam seus clientes a reduzir a exposição a crédito e ações privadas, pois esses mercados estão novamente ficando para trás em relação aos mercados públicos neste ano. Um estudo acadêmico classificou os investimentos alternativos como “caros e dispendiosos”, e a Moody's alertou que a entrada de investidores de varejo nos mercados privados adiciona um sério risco de liquidez ao sistema.
Ainda assim, nada disso diminuiu a demanda. No TikTok e no Reddit, a mentalidade de enriquecimento rápido está se espalhando rapidamente. Essa tendência não se limita apenas à Geração Z ou aos millennials. Chad Blackburn, um contador de 45 anos de Nashville, começou a investir em ações na adolescência, mas agora aplica a maior parte do seu cash em Bitcoin e startups.
“A bolha da internet e a grande crise financeira me obrigaram a refletir mais profundamente sobre meus investimentos”, disse Chad. “Por que eu me limitaria apenas a ações e títulos, especialmente quando grande parte disso não é tão diversificado quanto se imagina?”
Imóveis, criptomoedas e private equity são as principais escolhas desses investidores. Há também um aspecto psicológico. Muitos acreditam que os mercados tradicionais são manipulados ou muito frágeis. Owen Lamont, gestor de portfólio da Acadian Asset Management, disse: “Eles acham que o sistema está armado contra eles. Precisam fazer algo fora do comum para ficarem ricos.”
A pressão dos investidores de varejo também está ligada ao esgotamento dos clientes institucionais. Fundos de pensão, fundações e seguradoras já alocam cerca de 20% de seus portfólios em investimentos alternativos. Mas e os investidores individuais? Apenas 7%. Essa diferença é enorme, e Wall Street está de olho nela.
Chris Toomey, diretor administrativo da Morgan Stanley Private Wealth Management, explicou a diferença. Investidores mais experientes preferem infraestrutura e retornos estáveis. Já os mais jovens se inclinam para o private equity. "Eles estão em um momento do ciclo de investimento em que têm condições de assumir esse risco", disse Chris. "São investidores iniciantes e têm um horizonte de investimento muito mais longo."
Mas não são todos os jovens. A Vanguard afirma que milhares de poupadores da Geração Z e millennials estão com grandes quantias em cash em contas IRA padrão, em vez de investir em carteiras diversificadas. Para cada investidor em ativos alternativos, há alguém simplesmente acumulando dólares em fundos de mercado monetário.
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Jai Hamid
Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.
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