Exclusivo: Paolo Ardoino, CEO da Tether, fala sobre a evolução e o impacto do USDT além dos Estados Unidos

A Tether, plataforma baseada em blockchain que impulsiona a principal stablecoin do mundo, o USDT, não precisa do mercado dos Estados Unidos. O CEO da Tether, Paolo Ardoino, em entrevista exclusiva ao Cryptopolitan logo após sua apresentação no Token2049 em Dubai, compartilhou sua visão abrangente sobre a evolução e o papel do USDT nas finanças globais, especialmente fora dos Estados Unidos.
A Tether foi concebida em 2014, época em que a negociação de criptomoedas enfrentava dificuldades devido à lentidão das transferências de moeda fiduciária. Paolo descreveu o ambiente inicial das criptomoedas como limitado a um pequeno número de corretoras, com grandes obstáculos às oportunidades de arbitragem por causa da lentidão do processo de movimentação de dinheiro entre fronteiras.
A solução da empresa dele era um dólar baseado em blockchain que podia se movimentar tão rapidamente quanto as criptomoedas com as quais era negociado. Nos últimos quatro anos, o papel do USDT se expandiu para além do setor de criptomoedas. A stablecoin está sendo usada por pessoas comuns em economias em desenvolvimento ou subdesenvolvidas, como Paolo nos explicou.
Para muitas pessoas em países como a Argentina e a Turquia, o USDT oferece uma alternativa estável às suas moedas locais, que frequentemente se desvalorizam, afetando a capacidade das pessoas de manter seu poder de compra.
Paolo nos contou que é por isso que todas essas comunidades estão de olho no USDT. Ele descreve sua criação como um produto "simples", a ideia mais "básica" que alguém pode imaginar.
“E simplesmente funciona. Estávamos lá quando as pessoas mais precisavam de nós”, disse ele com orgulho. “Não atendemos mais clientes nos EUA. Eles não são nosso principal mercado. A economia dos EUA não precisa nem de USDT nem de Tether Gold.”
Ao abordar a cunhagem de novas moedas, Paolo mencionou a rigorosa supervisão envolvida. Ele explicou que a Tether opera sob a supervisão do FBI e está buscando ativamente licenças em diversas jurisdições, com foco em mercados emergentes.
“As pessoas na Europa e nos EUA têm o melhor acesso a serviços bancários. Elas têm o melhor acesso a cartões de crédito e débito. Isso não é possível com uma stablecoin”, destacou Paolo.
Ao discutir o escrutínio e os desafios regulatórios a que a Tether está sujeita, Paolo observou: “A Tether foi e continua sendo a empresa mais escrutinada do mundo. Isso nos impulsiona a sermos melhores. Melhores do que os bancos.” Ele compartilhou com orgulho que a Tether tem 106% de seu capital garantido, um contraste marcante com os bancos tradicionais que operam com reservas fracionárias.
Paolo não se surpreende com os obstáculos regulatórios, visto que os reguladores são frequentemente influenciados pelo sistema financeiro tradicional, mas permanece otimista quanto ao potencial das stablecoins, especialmente em mercados fortemente dependentes de remessas. Nas palavras dele:
“Países menores têm o maior incentivo para criar boas regulamentações que ajudem as stablecoins a prosperar, porque tornaremos seu sistema econômico mais rápido e melhor.”
Paolo contou que os primeiros dias da Tether foram repletos de ceticismo. Ninguém acreditava no conceito de stablecoins. Mas essa descrença só alimentou a determinação deles, em um esforço para mostrar ao mundo as aplicações práticas e a estabilidade das stablecoins.
Com a tracdas stablecoins como o USDT, a abordagem do setor bancário mudou da resistência para a parceria. Agora, encontrar bancos não é mais o problema que era antes. Todos enxergam o potencial e querem participar.
Os bancos estão cada vez mais abertos à integração de soluções em criptomoedas, utilizando-as como aprimoramento de seus serviços. Ao oferecer custódia de criptomoedas e integrar stablecoins, esses bancos buscam fidelizar clientes. Paolo afirmou que, basicamente, as stablecoins ajudam os bancos a manterem-se honestos e transparentes com seus clientes.
A conversa então mudou para a outra abordagem inovadora da Tether para se proteger contra a volatilidade econômica — o Tether Gold. Paolo nos contou que sua empresa lançou o Tether Gold, totalmente lastreado em ouro, porque o valor do ouro é comprovado pelo tempo. Traçando paralelos com a estabilidade histórica, ele destacou o valor duradouro do ouro, dizendo: “Assim como Cícero disse há dois mil anos, uma onça de ouro comprava uma bela roupa naquela época, e ainda compra hoje.”
Ao respondermos à nossa pergunta sobre possíveis cenários de recessão econômica, Paolo nos garantiu que a Tether está muito bem preparada. Se o governo americano der um calote, o lastro do Tether Gold garante sua estabilidade. "É como durante a República de Weimar. Ter uma reserva estável significa sobrevivência", disse ele.
Em seguida, Paolo detalhou a visão atual da Tether, que inclui investimentos maciços em educação e tecnologia. No dia 18 de abril, a empresa lançou iniciativas como Tether Data, Tether Finance, Tether Power e Tether Edu.
Essas plataformas foram projetadas para revolucionar setores ainda sobrecarregados por intermediários obsoletos. Em particular, a Tether Edu foi criada para transformar o sistema educacional, oferecendo cursos online diretos para habilidades práticas, desde encanamento até programação.
“Tudo o que fazemos é centralizado, nas mãos de algumas poucas empresas no mundo. Mas, no caso da educação, acreditamos que o processo deve ser desintermediado.”
A Tether também está investindo fortemente em infraestrutura de IA para apoiar diversas opiniões e inovações dentro da comunidade de IA, disse Paolo. Ele acrescentou que a Tether está comprometida em ser um avanço tecnológico equilibrado que respeita a autonomia de seus usuários e promove o uso ético da IA.
Para finalizar a entrevista, perguntamos a Paolo se ele tinha alguma palavra final ou algum conselho para as pessoas no mundo das criptomoedas. E aqui está o que ele disse:
“Os ETFsBitcoin são ótimos, mas aprenda sobre autocustódia.”
Escrito e editado para publicação por Jai Hamid
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Jai Hamid
Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.
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