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A Europa deve agir de forma mais ofensiva em relação ao comércio com a China, afirma Nagel, do Bundesbank

Neste post:

  • Joachim Nagel instou a Europa a adotar uma posturatronfirme contra a China no comércio e a proteger os seus próprios mercados.

  • Os Países Baixos apreenderam a Nexperia de seu proprietário chinês em meio à pressão dos EUA e preocupações com a segurança.

  • A China retaliou com proibições de exportação e novas restrições às terras raras, afetando duramente os fabricantes europeus.

Segundo odent do Bundesbank, Joachim Nagel, durante um encontro financeiro em Washington, a Europa deve parar de agir timidamente em sua relação comercial com a China e começar a defender seus próprios interesses econômicos "de uma forma mais ofensiva"

Nagel disse: “A China precisa da Europa mais do que a Europa precisa da China. Somos uma economiatronquanto a Europa. Somos quatrocentos e cinquenta milhões de pessoas… Portanto, devemos usar a carta europeia de uma forma mais ofensiva.”

O economista, que também integra o Conselho de Governadores do Banco Central Europeu, deixou claro que o continente não deve depender de outros para proteger seus mercados. "O mercado mais importante para a Europa é a própria Europa", afirmou.

As tarifas intermitentes impostas por Trump à China este ano desencadearam uma nova onda de retaliação por parte de Pequim, forçando os exportadores chineses a redirecionar as mercadorias para mercados como o europeu, onde muitas vezes são vendidas abaixo dos custos de produção locais.

Economistas alertam que isso está pressionando os fabricantes europeus, enquanto as restrições de Pequim às terras raras, materiais essenciais para as indústrias de tecnologia e defesa, aprofundam ainda mais o desequilíbrio. Em toda a China, as empresas europeias continuam a enfrentar dificuldades contra concorrentes nacionais fortemente subsidiados, segundo a Reuters.

Holanda assume o controle da Nexperia em meio à pressão de Washington

No início desta semana, o governo holandês confiscou a Nexperia, uma empresa de semicondutores que produz chips básicos para automóveis,tronde consumo e dispositivos industriais, de seu proprietário e diretor executivo chinês, Zhang Xuezheng.

A aquisição, aprovada em 2017, foi revertida por força de uma lei de emergência que alegava a necessidade de “preservação de conhecimentos tecnológicos cruciais, bem como das capacidades de produção e desenvolvimento nos Países Baixos e na Europa”

O ministro da Economia, Vincent Karremans, disse ao parlamento no sábado que Zhang transferiu indevidamente propriedade intelectual e recursos financeiros para uma entidade estrangeira que ele controlava, mesmo após todos os avisos de Washington, que já havia incluído a empresa de Zhang, a Wingtech, em sua lista negra em dezembro e imposto pesadas restrições à exportação.

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Quando as autoridades americanas informaram Haia de que as próximas alterações nas regras ampliariam esses limites para incluir o Nexperia, o governo holandês assumiu o controle em 30 de setembro.

Pequim condenou a apreensão, com a Câmara de Comércio da China junto à UE classificando-a como um "ato moderno de banditismo econômico". Após a decisão, a China proibiu a exportação de certos produtos Nexperia montados em seu território.

Analistas do Rhodium Group descreveram a situação como parte de um esforço tácito de Washington para "recuperar ativos estratégicos" das mãos chinesas sob o pretexto de segurança nacional. Embora Haia tenha negado agir sob ordens dos EUA, documentos judiciais revelaram clara pressão americana durante o processo.

As consequências também evidenciaram a crescente complexidade da cadeia de suprimentos de semicondutores na Europa. Mesmo com a produção em território europeu, a dependência da China para montagem e matérias-primas persiste. A Lei de Chips da União Europeia, que visa produzir 20% dos chips globais até 2030, já enfrenta dificuldades, com diversos projetos atrasados ​​ou abandonados.

A China restringe as exportações de terras raras enquanto a Europa fica para trás

À medida que o caso Nexperia se desenrolava, a China introduziu novas e abrangentes restrições às exportações de terras raras, espelhando as proibições tecnológicas dos EUA. A medida ameaça interromper as cadeias de suprimentos vitais para as indústrias europeias, particularmente os setores automotivo e de defesa. Restrições parciais já aumentaram os custos e atrasaram a produção. A Europa, com seus grandes investimentos em veículos elétricos e energia eólica, está mais vulnerável do que os Estados Unidos.

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A Lei de Matérias-Primas Críticas da UE, aprovada no ano passado para diversificar as cadeias de abastecimento, está paralisada. Um fundo alemão de 1 bilhão de euros destinado a apoiar projetos de minerais críticos foi suspenso, e o progresso na redução da dependência continua lento.

Rebecca Arcesati e Jacob Gunter, do Instituto Mercator para Estudos da China, argumentaram que a Europa deve agir "de forma mais decisiva", utilizando subsídios e regulamentações para promover novas operações de mineração e processamento e intervindo como "compradora de último recurso" quando necessário.

Entretanto, as proibições de exportação impostas por Pequim levaram os líderes europeus a repensar sua abordagem. A Comissão Europeia acusou a China de inundar os mercados com produtos industriais a preços abaixo do mercado e de ignorar os apelos para reduzir a capacidade ociosa.

Inicialmente, a UE impôs tarifas sobre veículos elétricos chineses, mas isso mal dentas vendas, apenas levando Pequim a retaliar com suas próprias tarifas sobre as importações europeias de conhaque, carne suína e laticínios.

O analista comercial Noah Barkin, escrevendo para o German Marshall Fund, descreveu o episódio como prova de que "a UE tem sido lenta demais, tímida demais e apegada demais a um conjunto de regras que os outros já descartaram"

Durante sua viagem a Pequim em julho, a presidente da Comissão Europeiadent Ursula von der Leyen, afirmou que a relação entre a UE e a China havia chegado a um "ponto de inflexão"

Alguns dos planos em análise pela UE são: restrições mais rigorosas às importações de aço, regras obrigatórias de conteúdo local e requisitos de compartilhamento de tecnologia para novos investimentos chineses em praticamente toda a Europa.

Mas a principal questão, segundo relatos de autoridades, é se as capitais da UE estão preparadas para usar essas ferramentas ou se continuarão esperando enquanto outros definem as regras. Resta saber.

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