Um consultor do principal tribunal da UE decidiu na quinta-feira que os Estados-membros individuais têm liberdade para introduzir regras destinadas a reforçar o poder de negociação dos editores com as principais plataformas online, como a Meta, desde que essas regras não violem a liberdadetrac.
O caso em questão é uma disputa em curso entre a Meta Platforms, proprietária do Facebook, WhatsApp, Threads e Instagram, e a AGCOM , sobre taxas pelo uso de pequenos trechos de artigos de notícias. A Meta questionou se a implementação nacional italiana da diretiva de direitos autorais da UE entrava em conflito com os direitos que as editoras já enj sob a legislação da UE.
Tribunal exige equidade na partilha de receitas
Em seu parecer, o Advogado-Geral Maciej Szpunar observou que a legislatura da UE pretendia mais do que simplesmente conceder aos editores o poder de veto caso as plataformas publicassem seu conteúdo sem pagamento. Em vez disso, o objetivo da diretiva é estabelecer regras claras de utilização e garantir que os editores recebam uma parcela justa dos recursos que as plataformas ganham com o compartilhamento de seus materiais.
“O objetivo é estabelecer as condições sob as quais essas publicações são efetivamente utilizadas, permitindo ao mesmo tempo que as editoras recebam uma parte justa das receitas obtidas pelas plataformas com essa utilização.”
– Advogado-Geral Maciej Szpunar.
“As limitações introduzidas visam um interesse público reconhecido pelo legislador da UE: reforçar a viabilidade económica da imprensa, um pilar fundamental da democracia”, escreveu ele, enfatizando que as medidas procuram reforçar a saúde financeira da imprensa, um componente vital de uma sociedade democrática.
Szpunar destacou que essas limitações servem a um reconhecido interesse público; elas visam reforçar a viabilidade econômica da imprensa. Sem jornais e sites de notícias robustos, os cidadãos correm o risco de perder um importante instrumento de fiscalização dos governos e das empresas.
O consultor insistiu que as editoras deveriam poder negociar condições de pagamento que refletissem o valor real do seu jornalismo, garantindo que não fiquem de mãos vazias enquanto as plataformas lucram com o seu trabalho.
Este é mais um dos muitos embates entre editoras e empresas de tecnologia sobre o uso de conteúdo, com o recurso Visão Geral de IA do Google no centro das atenções, acusado pelas editoras de matic resumos que aparecem acima dos links de busca tradicionais e são exibidos em mais de cem países.
Meta lamenta a fragmentação das regras em todo o bloco
A Meta indicou que aguardará a decisão final do tribunal, mas mantém a posição de que a implementação da diretiva pela Itália prejudica o objetivo de harmonização das regras de direitos autorais em toda a UE.
“Precisamos de uma legislação consistente”, disse um porta-voz da Meta.
“A fragmentação entre os Estados-Membros sufoca a inovação e gera incerteza jurídica.”
– Porta-voz da Meta.
A empresa argumenta que um conjunto fragmentado de regras nacionais poderia criar obrigações complexas e conflitantes para os serviços digitais que operam em todo o bloco.
Na opinião dele (o porta-voz da Meta), Szpunar disse que o regulador italiano deveria levar em consideração a liberdadetrac.
“Os poderes conferidos à AGCOM – incluindo a defide critérios de referência para a determinação da remuneração, a resolução de divergências e o acompanhamento da obrigação de fornecer informações – são permitidos se se limitarem à assistência e não privarem as partes da sua liberdadetrac”, afirmou.
Ainda assim, Szpunar alertou que os poderes da AGCOM, que vão desde a definição de critérios de referência para a remuneração até à resolução de litígios e à monitorização da divulgação de informações, devem ser exercidos com moderação.
Segundo ele, esses poderes são permitidos apenas se auxiliarem, e não coagirem, as partes a abandonar sua liberdade de redigirtracda maneira que considerarem adequada. Qualquer abuso de poder poderia anular o propósito da diretiva, corroendo a própria autonomiatracque ela busca defender.
O Tribunal de Justiça da União Europeia normalmente acata a maioria das recomendações do advogado-geral, embora as suas decisões não sejam obrigadas a segui-las. Espera-se uma decisão final nos próximos meses.
Até lá, editoras, plataformas e reguladores de toda a UE estarão acompanhando de perto, ansiosos para ver se medidas nacionais como a da Itália serão mantidas ou se uma abordagem mais uniforme prevalecerá na definição do futuro do compartilhamento de notícias digitais.

