O Banco Central Europeu afirma que as tarifas de Trump estão afetando duramente as famílias da zona do euro. Novos dados de pesquisa, referentes a junho de 2025, confirmam que famílias em toda a Europa estão gastando menos, prevendo aumento de preços e reduzindo a compra de produtos americanos em resposta direta à guerra comercial iniciada pela Casa Branca no início deste ano.
A Pesquisa de Expectativas do Consumidor do BCE mostra que os receios em relação à inflação, o stress financeiro pessoal e a desaceleração do crescimento económico associados a estas tarifas estão a moldar a forma como as pessoas fazem compras, poupam e pensam no futuro.
Aproximadamente 40% das pessoas na zona do euro acreditam que as tarifas estão aumentando a inflação. Cerca de 13% afirmam que suas finanças pessoais foram prejudicadas e 24% acreditam que toda a economia irá desacelerar devido às medidas comerciais dos EUA.
Isso não é especulação. O BCE reuniu esses números após o anúncio das tarifas de Trump em abril, e eles mostram mudanças reais nas expectativas e no comportamento das pessoas.
Consumidores na zona do euro se preparam para inflação mais alta e crescimento mais lento
As pessoas que acreditam que as tarifas irão alimentar a inflação já revisaram para cima suas próprias previsões. A pesquisa mostra que, em comparação com janeiro de 2025, esses indivíduos agora esperam que a inflação seja 0,2 ponto percentual maior daqui a um ano.
A previsão para os próximos três anos subiu 0,13 pontos percentuais, e até mesmo as expectativas para os próximos cinco anos aumentaram 0,06 pontos percentuais. Isso é muito para a inflação de longo prazo, que normalmente não apresenta grandes variações. Demonstra que eles acreditam que essa situação não vai se resolver rapidamente.
Em relação ao crescimento, a situação é semelhante. Aqueles que consideram as tarifas como gatilhos para uma recessão reduzem suas expectativas de crescimento para os próximos 12 meses em 0,4 ponto percentual. Isso representa o dobro da redução observada entre aqueles que não acreditam que as tarifas prejudicarão a economia.
O BCE afirma que essa divisão mostra uma clara separação entre as pessoas que estão sentindo a pressão e as que não estão. De qualquer forma, o clima é de cautela.
Os gastos caem e os consumidores abandonam os produtos americanos
A reação não se limita às previsões, mas também se reflete nos bolsos. 26% dosdentdisseram já ter parado de comprar produtos americanos. 16% afirmaram ter reduzido seus gastos no geral desde o anúncio das tarifas.
As famílias mais ricas tendem a evitar produtos americanos, enquanto as famílias de baixa renda estão economizando em todos os setores. O que está causando essa disparidade? Educação financeira. As pessoas que entendem de economia mais profundamente são as que trocam de marcas. Aquelas com menos conhecimento simplesmente compram menos de tudo.
Uma grande parte dos cortes de gastos está afetando itens não essenciais. O BCE afirma que os gastos com necessidades básicas, como alimentação e aluguel, não mudaram muito. Mas e os gastos extras? É aí que está o aperto. Comparando janeiro com abril de 2025, as famílias que mudaram seus hábitos após a implementação das tarifas reduziram seus gastos mais do que as outras. Todo o impacto foi sobre as despesas discricionárias.
Mislav Matejka, estrategista do JPMorgan Chase, afirmou que essa desaceleração pode não durar. "A possível recuperação dos lucros e das recompras de ações pode ser um dos fatores que sustentam uma postura mais positiva da Zona do Euro no próximo ano, após o término da atual consolidação", escreveu Matejka em uma nota aos investidores. O mercado de ações da Zona do Euro, tracpelo índice Stoxx 600, acumula alta de 9% neste ano, mas ainda está abaixo dos 13% registrados pelo S&P 500. Os lucros na Zona do Euro já caíram 1% neste ano.
Segundo dados compilados pela Bloomberg Intelligence, o consenso prevê um aumento de 11% nos lucros por ação do Stoxx 600 em 2026. Os lucros do S&P 500 devem crescer cerca de 14% no próximo ano, de acordo com os mesmos dados.

