A ChangXin Memory Technologies (CXMT) está a caminho de atingir uma avaliação de 300 bilhões de yuans (US$ 42,12 bilhões) se conseguir listar suas ações na Bolsa de Valores de Xangai (STAR Market) e levantar até US$ 5,6 bilhões em seu próximo IPO.
Com a demanda por IA apertando o fornecimento global de DRAM e as tensões geopolíticas em curso, a estreia da CXMT pode se tornar um passo significativo nas ambições da China no setor de semicondutores.
A CXMT está se preparando para uma das maiores ofertas públicas iniciais (IPOs) da China
A fabricante chinesa de chips de memória, ChangXin Memory Technologies (CXMT), anunciou seus planos para uma das maiores ofertas públicas iniciais (IPOs) de semicondutores da China até o momento, com a intenção de arrecadar até 40 bilhões de yuans (US$ 5,6 bilhões) em uma oferta pública inicial no mercado STAR de Xangai no início do próximo ano.
Segundo diversas fontes familiarizadas com o assunto, a abertura de capital pode avaliar a empresa em até 300 bilhões de yuans (US$ 42,12 bilhões).
A CXMT foi fundada com apoio estatal em 2016 e tornou-se uma parte importante da ambição da China de ser autossuficiente no mercado de chips de memória, que é historicamente dominado pela Samsung ElectronicstronSK Hynix e Micron Technology.
A empresa, sediada em Hefei, é a principal fabricante chinesa de chips de memória dinâmica de acesso aleatório (DRAM), essenciais para smartphones, computadores e, cada vez mais, sistemas de inteligência artificial (IA).
Duas das fontes disseram que a CXMT poderia divulgar seu prospecto de IPO já em novembro, embora tenham alertado que a oferta final e a avaliação podem mudar dependendo do mercado. Uma terceira fonte indicou que a empresa está atualmente buscando uma meta de captação de recursos de US$ 5,6 bilhões.
As ações de empresas chinesas de semicondutores registraram um aumento expressivo este ano, com o índice CSI CN Semiconductor subindo quase 49% no acumulado do ano. Essa alta se deve ao crescente entusiasmo dos investidores por fabricantes de chips nacionais, à medida que Pequim se concentra na independência tecnológica em meio ao aumento dos controles de exportação dos EUA.
A empresa controladora da CXMT iniciou o "processo de consultoria" regulatória na China para o IPO em julho. Segundo informações, contratou a China International Capital Corporation (CICC) e a CSC Financial, ambas bancos de investimento estatais, para gerenciar a oferta.
Empresas nacionais chinesas reduzem a lacuna de DRAM
A CXMT está investindo fortemente em tecnologias DRAM avançadas, particularmente em memória de alta largura de banda (HBM), um chip especializado crucial para alimentar aceleradores de IA como as unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia.
Esses chips são cruciais para o atual crescimento da IA, que está impulsionando uma demanda massiva por poder computacional em todo o mundo. Com as restrições de exportação impostas pelos EUA no final de 2024 para cortar o acesso da China a chips HBM avançados, Pequim tem dado maior ênfase ao desenvolvimento de fabricantes nacionais.
“O progresso da CXMT tornou-se crucial para as ambições mais amplas da China em IA”, disse Choe Jeongdong, analista sênior da TechInsights. “Se a empresa conseguir ampliar a produção de HBM3 até 2026, poderá reduzir a dependência da China em relação a fornecedores estrangeiros — embora ainda esteja alguns anos atrás da SK Hynix.”
Segundo a TechInsights, os investimentos da CXMT atingiram entre US$ 6 bilhões e US$ 7 bilhões em 2023-2024, e espera-se que aumentem 5% em 2025, caso não sejam impostas novas sanções dos EUA.
A empresa está construindo uma fábrica de embalagens HBM em Xangai, com previsão de início da produção no final de 2026. A capacidade mensal inicial projetada é de 30.000 wafers, o que representa cerca de um quinto da produção comparável da SK Hynix.
A CXMT planeja iniciar a produção em massa de chips HBM de quarta geração (HBM3) até 2026. A SK Hynix, por outro lado, já concluiu a certificação de seus chips HBM4 de próxima geração e pretende iniciar a produção em massa até o final deste ano.
A Micron Technology, principal fabricante de DRAM dos EUA, anunciou recentemente planos para se retirar do mercado chinês de chips para servidores, dois anos após Pequim restringir seus produtos em importantes projetos de infraestrutura. Essa mudança pode abrir oportunidades para fabricantes nacionais como a CXMT.
A oferta pública inicial (IPO) da CXMT servirá como um importante teste do apetite dos investidores pelo objetivo da China de alcançar a autossuficiência na produção de semicondutores.
Caso seja bem-sucedida, a abertura de capital da CXMT proporcionaria à empresa o capital necessário para aumentar a capacidade de produção, desenvolver produtos de memória de última geração e expandir as capacidades de chips relacionados à IA.
“O entusiasmo interno serátron”, disse uma pessoa familiarizada com a oferta. “Os investidores veem a CXMT não apenas como um negócio, mas como parte de uma missão nacional.”

