As corretoras de criptomoedas estão entrando cada vez mais no mercado de stablecoins porque querem lançar seus próprios substitutos digitais para o dólar. Após mudanças na regulamentação na Europa que levaram à exclusão do USDT da Tether das bolsas de valores, corretoras como Kraken e Crypto.com estão aproveitando a oportunidade para lançar seus ativos estáveis.
Uma fonte com conhecimento da situação afirma que a Kraken pretende criar uma stablecoin atrelada ao dólar americano por meio de sua entidade irlandesa.
A medida surge num contexto de endurecimento das regulamentações globais na UE, que, como já mencionamos, ordenou às corretoras que removam as stablecoins que não cumprem as normas, incluindo a popular USD Tether (USDT), até 31 de março.
Embora a Kraken tenha afirmado que converterá automaticamente quaisquer ativos não conformes em outra stablecoin, o token proprietário da exchange ainda está em fase inicial de desenvolvimento. É provável que não esteja pronto até o prazo final.
A Kraken já participou de iniciativas com stablecoins anteriormente. Ela também se tornou membro do consórcio Global Dollar Network, que lançou o USDG com a Paxos no ano passado. Outros membros do consórcio, como Robinhood e Galaxy Digital, também estão explorando iniciativas com stablecoins.
A Crypto.com prepara o lançamento de sua stablecoin enquanto as regulamentações europeias remodelam o mercado
A Crypto.com também revelou planos ambiciosos para um projeto de stablecoin, com previsão de lançamento para o terceiro trimestre de 2025. Enquanto isso, a exchange está trabalhando para compensar a liquidez perdida com a saída do Tether da Europa, garantindo que seu novo ativo digital esteja em conformidade com a rigorosa estrutura regulatória europeia, segundo fontes. Um porta-voz da Crypto.com não informou uma data de lançamento específica.
Oferecer uma stablecoin na Europa é mais complexo do que costumava ser, graças às regras da UE introduzidas no ano passado que exigem que os emissores possuam uma licença de moedatronem pelo menos um Estado-membro. Até agora, apenas alguns seguiram esse caminho, sendo que a Circle obteve sua licença para operar com USDC no bloco no verão passado.
A Tether, cuja USDT é a maior stablecoin do mundo, com US$ 142 bilhões, ainda não obteve as mesmas autorizações e criticou as regras da UE por serem muito rigorosas.
O domínio de mercado do Tether está diminuindo gradualmente, com sua participação caindo de 70% em dezembro para cerca de 63%, afirmou DeFiLlama. Com o USDT sendo progressivamente retirado das listas de criptomoedas e enfrentando crescente concorrência de novos emissores, o mercado está preparado para isso.
As corretoras firmam parcerias à medida que a competição no mercado de stablecoins se intensifica
Em vez de criarem suas próprias stablecoins, algumas corretoras estão adotando uma abordagem de parceria mais estratégica.
O USDC tornou-se a alternativa preferida entre as corretoras que buscam opções diferenciadas. No final do ano passado, a Coinbase, que possui um acordo de compartilhamento de receita com a Circle, proativamente removeu o Tether e outros tokens não conformes da lista de criptomoedas na Europa, em favor do USDC.
Em dezembro, Binance também firmou uma parceria com a Circle, comprometendo-se a torná-la mais acessível aos usuários da exchange.
Ao mesmo tempo, algumas corretoras estão se retirando de suas estratégias com stablecoins. A Gemini também chegou a considerar expandir a negociação de GUSD para a Europa, mas recuou posteriormente.
Mesmo sob escrutínio regulatório, a emissão de stablecoins continua sendo um negócio lucrativo. Os emissores obtêm um bom rendimento sobre as reservas que lastreiam seus tokens. A Tether, por exemplo, reportou US$ 13 bilhões em lucros não auditados no ano passado.

