Em uma audiência judicial histórica, Ilya Lichtenstein, um autoproclamado investidor anjo de 35 anos, e sua esposa Heather Morgan, uma rapper da internet que se autodenomina "Razzlekhan" ou o "Crocodilo de Wall Street", admitiram ter orquestrado o roubo de bilhões de Bitcoin da corretora de criptomoedas Bitfinex.
Lichtenstein e Morgan se declararam culpados de conspiração para lavagem de dinheiro perante a juíza distrital dos EUA, Colleen Kollar-Kotelly. A declaração de culpa é o culminar de umatracsaga que começou com o ataque hacker à Bitfinex em 2016, no qual 119.754 Bitcoin foram roubados. O valor dos Bitcoinroubados, que antes valia menos de US$ 1.000, disparou para US$ 44.000 na época da prisão do casal em 2022, elevando o valor dos ativos roubados para US$ 4,5 bilhões.
Lichtenstein, que se apresentava como investidor em tecnologia nas redes sociais, confessou durante a audiência que foi o principal orquestrador do ataque cibernético de 2016. Ele agora enfrenta uma pena máxima de 20 anos de prisão.
Casal fecha acordo com a promotoria em meio a acusações de lavagem de dinheiro
Morgan, que construiu uma presença marcante nas redes sociais fazendo rap sobre estratégias de investimento, confessou que só tomou conhecimento do ataque cibernético em 2020, partindo do pressuposto inicial de que os fundos do marido poderiam ter origem em drogas ou sonegação fiscal. Ela pode pegar até cinco anos de prisão por conspiração para fraudar o governo dos EUA.
Durante a audiência, a acusação revelou os complexos processos pelos quais Lichtenstein realizou o ataque cibernético e como Morgan ajudou a ocultar a origem dos fundos ilícitos. Desde o enterro de moedas de ouro convertidas a partir de Bitcoin roubados até a criação de contas fictícias, o casal adotou medidas elaboradas para lavar o dinheiro e esconder os lucros de suas atividades ilegais.
De acordo com uma denúncia do Ministério Público dos EUA para o Distrito de Columbia, a movimentação de fundos criou inúmeras transações planejadas para ocultar o destino do dinheiro roubado. Os promotores afirmaram que, em fevereiro de 2018, Lichtenstein e Morgan abriram uma conta em uma instituição financeira americana para sua empresa, a Endpass. Eles declararam à instituição que os principais pagamentos para a conta viriam de clientes do serviço de software como serviço (SaaS). No entanto, conforme alegado na denúncia, a conta foi usada para lavar o dinheiro obtido com o ataque hacker à Bitfinex.
A acusação também revelou que Lichtenstein ocultou o rastro das transações fazendo depósitos e saques em diversas corretoras de criptomoedas e mercados da darknet. Os fundos também foram usados para comprar tokens não fungíveis (NFTs), ouro e cartões-presente do Walmart.
Essa admissão surge como parte de um acordo de cooperação com o governo, após múltiplos pedidos de adiamento feitos pelo casal desde sua prisão em 2022. Segundo o acordo, a dupla concordou em renunciar a quase US$ 73 milhões em conjunto.
A dupla concordou em cooperar com os investigadores federais. Lichtenstein, considerado um risco de fuga, permanece sob custódia até a sentença. Morgan, no entanto, está em liberdade sob fiança de US$ 3 milhões desde sua prisão.
Segundo um porta-voz da Bitfinex, a empresa trabalhou em estreita colaboração com o Departamento de Justiça dos EUA para traco casal responsável pelo ataque cibernético, recuperar os bitcoin roubados e garantir que eles enfrentassem as consequências de seus atos. A Bitfinex afirmou que seus esforços finalmente deram resultado após sete anos de tracpelos responsáveis pelo ataque.
Casal do ramo das criptomoedas se declara culpado de conspiração para lavagem de dinheiro ligada ao roubo de US$ 4,5 bilhões da Bitfinex