Num esforço crucial para mudar o rumo das suas tensas relações com os Estados Unidos, a China manifestou, na segunda-feira, o desejo de que os EUA desenvolvam uma compreensão correta do seu homólogo global e se juntem a eles num esforço mútuo para reconduzir as suas relações bilaterais ao caminho certo.
O apelo de Pequim surge num momento de crescente tensão, desencadeada por uma medida para restringir americana Micron Technology Inc. a setores domésticos vitais.
Essa decisão não apenas intensificou o conflito comercial com Washington, mas também estimulou o mercado de ações, impulsionando as ações de empresas que poderiam se beneficiar da medida.
Disputas comerciais provocam reações no mercado
O órgão regulador de segurança cibernética da China anunciou no final do domingo que a Micron, a maior fabricante de chips de memória dos EUA, não passou em sua avaliação de segurança de rede e será proibida de vender para operadores de infraestrutura essenciais.
Apesar da relutância do órgão regulador em divulgar detalhes sobre os riscosdentou os produtos afetados pelo embargo, a resposta do mercado foi imediata.
As ações da Micron caíram 5,5% nas negociações pré-mercado de segunda-feira. Outras fabricantes de chips americanas com negócios significativos na China, incluindo Qualcomm, Intel e Broadcom, registraram queda de quase 1%.
Em nítido contraste, as ações das concorrentes da Micron na China e na Coreia do Sul, que se previa que se beneficiariam com a busca das empresas locais por fornecedores alternativos de produtos de memória, enjalta.
O Departamento de Comércio dos EUA criticou abertamente a decisão de Pequim, declarando: “Nós nos opomos firmemente a restrições que não têm fundamento. Essa ação, juntamente com as recentes batidas policiais e a perseguição a outras empresas americanas, é inconsistente com as afirmações da China de que está abrindo seus mercados e comprometida com uma estrutura regulatória transparente.”
As tensões entre os EUA e a China têm aumentado após ações recentes envolvendo empresas americanas como o Mintz Group e a Bain.
Este último desenvolvimento com a Micron marca o primeiro caso em que uma fabricante de chips dos EUA é alvo de Pequim, após uma série de controles de exportação de Washington destinados a impedir que componentes e ferramentas de fabricação de chips americanos sejam usados para aprimorar as capacidades militares da China.
Reação do mercado interno chinês
O anúncio da revisão da Micron pela China impactou positivamente as ações de empresas locais do setor de semicondutores na segunda-feira. Espera-se que as empresas nacionais capitalizem sobre a notícia. Empresas como Gigadevice Semiconductors, Ingenic Semiconductor e Shenzhen Kaifa Technology viram suas ações subirem entre 3% e 8% no início do pregão.
Os principais concorrentes da Micron, a sul-coreana Samsungtrone a SK Hynix, também enjalta, embora esses ganhos tenham sido atenuados, já que o impacto geral sobre a Micron deve ser limitado.
Apesar do revés da Micron, a empresa de análise de mercado Jefferies acredita que, “Como os produtos de DRAM e NAND da Micron são muito menos utilizados em servidores, acreditamos que a maior parte de sua receita na China não é gerada por empresas de telecomunicações e pelo governo. Portanto, o impacto final sobre a Micron será bastante limitado.”
A mais recente intervenção regulatória da China faz parte de uma narrativa mais ampla, que inclui seus esforços contínuos para aumentar a autossuficiência na fabricação de chips.
Simultaneamente, reforça o apelo de Pequim para que os EUA compreendam melhor sua posição, encontrem um meio-termo e colaborem para retificar as relações tensas. Esse apelo coincide com a sugestão dodent Joe Biden de que uma transformação nas relações EUA-China pode ser iminente.
Como o maior comprador de semicondutores do mundo, a China continua demonstrando seu empenho em diminuir sua dependência de chips fabricados no exterior.
Contudo, em meio ao clamor dos conflitos comerciais internacionais e às reações do mercado interno, a mensagem subjacente permanece clara: a China está ansiosa para que os EUA se juntem a ela em um esforço conjunto para restaurar o entendimento mútuo e restabelecer o equilíbrio em seu relacionamento conturbado.
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