Cathie Wood continua apostando todas as fichas em Elon Musk, mesmo com as ações da Tesla em queda livre e suas ambições políticas cada vez mais evidentes.
Em entrevista à Bloomberg Television esta semana, o fundador da Ark Invest defendeu o CEO enquanto as ações da empresa de carros elétricos continuavam a cair.
As ações da Tesla caíram quase 7% na segunda-feira, eliminando US$ 68 bilhões do valor de mercado da empresa, após Musk anunciar a criação de um novo partido político. Mas Cathie, que mantém ações da Tesla em seus fundos desde 2014, disse não estar preocupada.
Segundo a Bloomberg, Cathie apontou a recente decisão de Elon Musk de assumir as vendas da Tesla nos EUA e na Europa como um sinal de que ele finalmente está se concentrando novamente na empresa. Ela disse:
“Um dos anúncios que Elon fez recentemente foi que ele vai supervisionar as vendas nos EUA e na Europa. Quando ele decide fazer algo, geralmente consegue. Então, acho que ele está muito menostracagora do que estava, digamos, na Casa Branca 24 horas por dia, 7 dias por semana.”
O anúncio surge num momento em que a posição de mercado da Tesla na Europa e na China se enfraquece, com queda nas entregas e resistência por parte dos clientes.
Musk forma partido político enquanto a Tesla tropeça
O anúncio de Elon Musk no fim de semana adicionou mais uma camada de caos. Ele disse que está lançando o "Partido da América" para enfrentar tanto republicanos quanto democratas nas próximas eleições para a Câmara e o Senado. Ele também não descartou apoiar um candidatodent. Isso ocorre em um momento em que Donald Trump, agora novamentedentdos EUA, recuperou o controle do Partido Republicano.
Wall Street não gostou nada disso. A queda das ações agravou um ano difícil; a Tesla agora acumula queda de 27% em 2025 e registrou recuo em oito das últimas nove sessões. A mudança de posicionamento político de Elon Musk não ajudou, principalmente nos mercados internacionais, onde as vendas estão em declínio.
Mas Cathie não está recuando. Ela aposta que a próxima onda de crescimento da Tesla virá do projeto de robotáxis. Ela já havia declarado à Bloomberg que as ações poderiam chegar a US$ 2.600 em cinco anos, quase nove vezes o valor atual, e que 90% do valor futuro da empresa virá do lançamento dos robotáxis.
O apoio dela não se limita à Tesla. Cathie também ocupa cargos em outras empresas de Elon, incluindo xAI, SpaceX e Neuralink. Ela se manteve discreta sobre a polêmica política, dizendo: "Temos lidado com controvérsias em torno de Elon Musk de uma forma ou de outra desde que compramos as ações. Confiamos no conselho e em seus instintos e nos mantemos afastados da política."
Dan Ives entra em conflito com Musk sobre controle e responsabilidade
Na terça-feira, a situação se acirrou quando Dan Ives, diretor administrativo da Wedbush Securities e um dos analistas mais otimistas da Tesla, pediu mudanças urgentes. Ives tem a maior meta de preço para as ações da Tesla em Wall Street — US$ 500 — mas usou o X para criticar o desvio político de Elon e recomendou que o conselho assuma o controle. Ele apresentou três sugestões: oferecer a Elon um novo pacote de remuneração que lhe dê 25% do poder de voto, aprovar uma fusão com a xAI e estabelecer limites claros sobre o tempo que ele passa longe da Tesla.
Elon não respondeu com indiferença. "Cala a boca, Dan", escreveu ele no X, descartando todas as propostas de Ives. Não importava que a primeira ideia de Ives, na verdade, apoiasse o antigo desejo de Elon por mais controle sobre a Tesla. A publicação chamou ainda mais atenção para a confusão que se desenrolava dentro da empresa.
No mesmo dia, Ives e sua equipe divulgaram um relatório detalhado intitulado "O conselho da Tesla PRECISA agir e criar regras básicas para Musk; a novela precisa acabar". O relatório afirmava que a decisão de Elon de entrar para a política representava um "ponto de inflexão na história da Tesla" e alertava que o conselho precisava intervir antes que mais valor fosse destruído. Mesmo assim, a Wedbush manteve sua recomendação de compra e preço-alvo.
Entretanto, as ações se recuperaram ligeiramente na terça-feira, subindo 1,3%. Mas os problemas maiores permanecem. O envolvimento de Elon na política americana, combinado com a queda nas vendas e a redução nas entregas na Europa e na China, levantou novas preocupações sobre os rumos da empresa.
Cathie, porém, não mudou de ideia. Ela continua apoiando o conselho. Ela continua detendo ações da Tesla. E continua apostando na estratégia de longo prazo de Elon Musk, em robôs-táxi, inteligência artificial e em tudo o que ele decidir ser a próxima fronteira.
Além de falar sobre a Tesla, Cathie também criticou a recente perda do principal executivo de IA da Apple para a Meta. "Se você pensar no dispositivo móvel definitivo, é um veículo autônomo, e esse deveria ter sido o carro que a Apple deveria ter conquistado", disse ela.
Ela acredita que o Apple Car foi o maior projeto de IA já realizado e, agora que outro talento se foi, a empresa está "em uma posição precária". O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, está apostando tudo em IA, tentando competir com a OpenAI e o Google. Cathie disse que a estratégia de código aberto da Meta em IA generativa é "bastante admirada", mas questionou se Zuckerberg está apenas repetindo o erro do metaverso.
Mesmo com todo o caos, Cathie não está se afastando de Elon ou de suas empresas. Ela já passou por situações semelhantes antes e não parece se abalar com a tempestade atual. Quanto a Dan, ele também não está mudando de posição. Em um e-mail para a CNBC, ele escreveu: "Elon tem sua opinião e eu a entendo, mas mantemos nossa posição sobre o que é certo para o Conselho"

