Na quinta-feira, a ministra das Finanças britânica, Rachel Reeves, admitiu sua intenção de alterar as regras fiscais do país no orçamento de outubro. Ela revelou que o novo orçamento visa liberar bilhões de libras para investimentos.
Após semanas de especulação, a ministra das Finanças do Reino Unido, Rachel Reeves, revelou na quinta-feira que pretende alterar as regras orçamentárias do país. A confirmação ocorre dias antes de o ministro da Fazenda apresentar o primeiro orçamento do governo trabalhista.
O Ministro das Finanças britânico revela planos para alterar as regras fiscais
Rachel Reeves anunciou que as novas regras de endividamento poderiam permitir que o governo britânico investisse mais em infraestrutura. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, havia destacado que os novos planos fiscais seriam "dolorosos" para os cidadãos. Ele acrescentou que o governo teria que pedir a muitos contribuintes que financiassem a dívida pública.
“O investimento público é extremamente necessário”
O FMI apoia uma parte fundamental dos planos orçamentários do chanceler para impulsionar o crescimento econômico.
Mas Vitor Gaspar também reitera a opinião do FMI de que a dívida nacional do Reino Unido é “alta, crescente e arriscada”, o que limita a margem de manobra do ministro das Finanças. pic.twitter.com/mWfJ36XpJu
— Joel Hills (@ITVJoel) 23 de outubro de 2024
Na quinta-feira, o ministro das Finanças afirmou que as novas regras reduziriam a dívida da economia britânica. Reeves, no entanto, alertou que, além das difíceis decisões sobre gastos e bem-estar social, isso também significaria um aumento de impostos para viabilizar a implementação das regras.
Ela criticou os planos do governo anterior, que previam reduções nos investimentos do setor público. Reeves salientou que as novas regras orçamentais garantiriam que o investimento fizesse parte da economia britânica.
Na reunião anual do fundo em Washington, na quinta-feira, a ministra afirmou que o novo orçamento incluiria um novo método para avaliar a dívida britânica. No entanto, ela não especificou as medidas concretas que o governo tomaria para implementar essa mudança.
No entanto, segundo uma reportagem do The Guardian, uma fonte do governo revelou que Reeves pretende focar no passivo financeiro líquido do setor público (PSNFL, na sigla em inglês) nas novas medidas. O novo critério levará em conta todos os ativos e passivos do governo. O modelo visa permitir que o governo britânico tome mais empréstimos para investimentos em infraestrutura de longo prazo.
Custos de empréstimo do Reino Unido aumentam após anúncio de Reeves
Antes de partir para o FMI na quarta-feira, a ministra das Finanças afirmou que uma Grã-Bretanha economicamente estável seria uma parceira internacional credível. Ela acrescentou que a reunião lhe permitiria representar os melhores interesses da Grã-Bretanha e demonstrar liderança em questões emergentes, como a guerra na Ucrânia.
Segundo previsões oficiais feitas em março, as novas alterações orçamentais permitiriam a Reeves contrair empréstimos adicionais de 50 mil milhões de euros por ano. Relatos indicam que, após o anúncio desta manhã, a taxa de juro da dívida pública britânica aumentou, em meio à queda das taxas de juro em todo o mundo.
Segundo uma reportagem do The Guardian, o rendimento dos títulos do governo britânico subiu seis pontos base. A reportagem também indicou que os títulos estavam sendo negociados acima de 4,2% na manhã de quinta-feira, antes de uma leve queda. O aumento contrastou com a queda nos rendimentos de países como os Estados Unidos.
Segundo Lyn Graham Taylor, estrategista sênior de taxas de juros, o aumento parece estar relacionado ao anúncio de Reeves sugerindo que as regras fiscais seriam revisadas. Andrew Bailey, governador do Banco da Inglaterra, destacou que as taxas de inflação na Grã-Bretanha estavam caindo muito mais do que o esperado. Ele, no entanto, expressou preocupação sobre se as pressões inflacionárias persistiriam.

