Durante o "Dia da Libertação", os americanos compraram US$ 57 bilhões em ativos japoneses, o maior valor já registrado

- Durante o "Dia da Libertação" em abril, os americanos compraram US$ 57 bilhões em ações e títulos japoneses
- A entrada de US$ 57 bilhões foi o maior valor mensal já registrado pelo Ministério das Finanças do Japão.
- Bancos centrais e investidores transferiram dinheiro para o Japão como parte de uma tendência global de desdolarização.
Em abril, os americanos investiram um valor recorde de US$ 57 bilhões em ações e títulos japoneses, o maior montante já registrado em um único mês.
A onda de compras ocorreu após o anúncio das tarifas do chamado "Dia da Libertação" dodent Donald Trump, que causou grande volatilidade nos mercados globais e abalou a confiança no dólar americano.
À medida que o capital buscava um local estável para investir, os investidores voltaram-se para o Japão, considerando-o um porto seguro para guardar fundos em meio ao caos da economia global.
O Ministério das Finanças do Japão confirmou esta semana que o país registrou compras estrangeiras líquidas no valor de ¥ 8,2 trilhões somente em abril. Esse número supera qualquer valor já registrado desde 2005 e é mais de três vezes a média típica de abril dos últimos 20 anos.
Os fluxos de entrada incluíram US$ 25,5 bilhões em ações japonesas, um volume não visto desde abril de 2023, e US$ 31,5 bilhões em títulos de longo prazo, o maior valor desde julho de 2022.
Os bancos centrais globais injetaram cash no Japão
Operadores disseram que a alta nos títulos provavelmente se deveu a gestores de reservas de bancos centrais que precisavam retirar dinheiro de ativos americanos rapidamente. Uma grande parte das compras foi direcionada a títulos do governo japonês (JGBs) — vistos como uma opção líquida e estável em tempos de incerteza.
Yujiro Goto, estrategista-chefe de câmbio da Nomura, afirmou que o volume de compras de títulos de longo prazo "superou significativamente" o que é típico para abril. Mais importante ainda, ele destacou como foi incomum ver investidores aplicando fortemente tanto em títulos quanto em ações simultaneamente. Yujiro explicou que a movimentação parecia ser uma estratégia de desdolarização, com investidores estrangeiros saindo dos EUA e indo para o Japão, onde os mercados são grandes e estáveis o suficiente para absorver esse volume de capital.
Mansoor Mohi-uddin, economista-chefe do Banco de Singapura, afirmou que a entrada maciça de dinheiro no Japão ocorreu depois que os investidores se assustaram com as políticas econômicas de Trump, incluindo sua guerra comercial e as críticas públicas ao presidente do Federal Reserve, Jay Powell.
“Provavelmente há alguma verdade na ideia de que o Japão estava sentindo os efeitos da desdolarização em abril”, disse Mansoor. Ele explicou que, quando os bancos centrais diversificam suas reservas, buscam mercados líquidos, e o Japão se encaixa nesse perfil melhor do que a maioria.
Esta semana, Trump concordou em suspender as novas tarifas sobre a China por 90 dias, o que ajudou a acalmar um pouco a situação. Mas ainda não está claro se essa desaceleração impedirá o fluxo para os mercados japoneses.
Em 9 de maio, o Bank of America divulgou novos dados de sua pesquisa com investidores institucionais. Quase todos os gestores de fundos entrevistados disseram que as políticas econômicas de Trump levariam à estagflação nos EUA, ou seja, crescimento lento combinado com aumento de preços. A pesquisa também constatou que apostar contra o dólar americano se tornou a estratégia mais comum entre os gestores desde a medida de tarifas recíprocas de Trump.
Apesar do receio, analistas do Bank of America afirmaram que o dólar ainda não está morto. Segundo eles, a posição da moeda “permanece intacta em termos absolutos e em relação a todas as moedas alternativas viáveis”. Os investidores podem estar nervosos, mas o dólar ainda não tem um substituto real.
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Jai Hamid
Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.
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