Jornalistas na Venezuela adotaram avatares de inteligência artificial (IA) como medida de segurança contra a crescente repressão governamental. Com odent Nicolás Maduro consolidando seu controle sobre a liderança do país, o trabalho jornalístico convencional tornou-se bastante arriscado.
A Connectas, uma plataforma colombiana de jornalismo, criou uma ferramenta de inteligência artificial que permite aos jornalistas venezuelanos escreverem sem se exporem à prisão ou à perseguição. O governo Maduro está sufocando gradualmente a mídia, tornando o jornalismo tradicional uma atividade arriscada. Jornalistas são ameaçados, presos e, em alguns casos, até mesmo atacados quando investigam determinados assuntos.
“A perseguição e a crescente repressão que nossos colegas estão sofrendo na Venezuela, onde a incerteza sobre a segurança de exercerem seu trabalho… aumenta a cada minuto”.
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As eleições recentes provocaram um aumento nas prisões e na violência contra jornalistas
Para contornar esses riscos, uma coalizão de cerca de 20 veículos de notícias e checagem de fatos venezuelanos lançou uma iniciativa inédita: avatares de inteligência artificial para a entrega de notícias. Esse projeto, conhecido como Operação Retuito, permite que jornalistas cubram notícias e forneçam informações sem arriscar suas próprias vidas.
Esses avatares de IA, conhecidos como La Chama (Melhor Amiga) e El Pana (Amigo), trazem notícias ao público diariamente e reportam sobre os acontecimentos na Venezuela. Esses avatares ajudam a disfarçar os repórteres reais, de forma que os jornalistas possam trabalhar em segurança sem deixar de gerar notícias importantes.
Jornalistas venezuelanos enfrentam riscos cada vez maiores, especialmente após as recentes eleições altamente contestadas no país. O regime de Maduro intensificou suas ações contra opositores, ativistas e a imprensa, e a violência e as prisões aumentaram. Em duas semanas, mil pessoas foram presas e, atualmente, o número chega a 1.400.
Avatares de IA revelam a responsabilidade do governo em casos de violência relacionada às eleições
Nove jornalistas teriam sido presos e detidos; entre eles está Paúl León, um repórter esportivo de 26 anos, que foi acusado de terrorismo por cobrir o protesto.
O governo tem sido bastante agressivo, o que resultou em que a maioria dos jornalistas exerça sua profissão sobdentfalsas ou disfarçados. Até mesmo as plataformas de mídia social que antes eram usadas para compartilhar informações foram limitadas; contas foram silenciadas e algumas plataformas, como o X, foram banidas.
A Operação Retuit tem ganhado destaque, e seus avatares de IA se tornaram uma ferramenta valiosa para jornalistas venezuelanos. Durante a primeira transmissão ao vivo, os dois apresentadores de notícias de IA começaram indicando que eram IA e, em seguida, leram os fatos sobre a repressão ao governo Maduro. "Mas antes de prosseguirmos – caso vocês não tenham percebido – queremos deixar claro que não somos reais", declarou o avatar.
O segundo episódio do projeto focou na questão da responsabilidade do Estado pela violência eleitoral. Enquanto as fontes oficiais culpavam os grupos de oposição pelos assassinatos, os apresentadores de notícias com inteligência artificial forneceram os fatos que retratavam as forças de segurança do Estado como as principais responsáveis pelas mortes.

