Novas análises estatísticas de atividade on-chain revelam que cento e dezenove endereços controlam principalmente o fornecimento de Tether, contrariando completamente o objetivo da descentralização por defi.
A Tether, sem dúvida a criptomoeda mais controversa do mundo, já teve sua parcela de polêmicas. No mês passado, pesquisadores de renomadas universidades americanas, John M. Griffin e Amin Shams, acusaram a Tether e a já problemática corretora de criptomoedas Bitfinex de orquestrar a vertiginosa Bitcoin em 2017. Embora a Tether tenha se defendido, rejeitando as acusações e questionando o conhecimento dos pesquisadores sobre o mercado de criptomoedas, a atitude deixou os investidores com uma sensação de traição.
Mais uma vez, a Tether e a Bitfinex roubaram a cena no mês passado, embora por motivos errados, ao serem consideradas duas faces da mesma moeda. Os Paradise Papers deram origem ao processo alegando que a Tether e a Bitfinex são, na verdade, administradas pelas mesmas pessoas.
Apesar desses contratempos, o USDT continua a dominar o mercado. No início deste mês, foi relatado que a criptomoeda detém noventa e sete por cento (97%) da quota de mercado das stablecoins.
A análise da atividade on-chain da Tether esclarece o fornecimento da criptomoeda
O tweet mais recente compartilhado pela empresa de análise de blockchain, IntoTheBlocks, revelou três fatos surpreendentes sobre a atividade on-chain do Tether. Primeiro, afirmou que cerca de 64% do suprimento de Tether em circulação é manipulado por 119 endereços. Além disso, o volume de transações acima de 100 mil dólares americanos (US$ 100.000) ultrapassou 3,5 bilhões de dólares americanos (US$ 3,52 bilhões) em apenas uma semana. Terceiro e último, o relatório alegou que um USDT permanece em uma conta por um período médio de cerca de 20 dias, o que implica que a criptomoeda não apresenta tanta movimentação no mercado quanto suas concorrentes.
Vamos falar sobre o #Tether e apresentar alguns fundamentos on-chain:
– Existem 119 endereços que controlam 64% da oferta circulante
. – Nos últimos 7 dias, o volume total de grandes transações (acima de US$ 100 mil) foi de US$ 3,52 bilhões.
– O tempo médio de posse do token é de 21,2 dias.— IntoTheBlock (@intotheblock) 12 de dezembro de 2019
Então, quem é o dono de tantos Tether?
Uma análise mais aprofundada dessas métricas on-chain recentemente reveladas nos dá a ideia de que cada endereço controla cerca de vinte milhões de USDT, sugerindo uma abordagem um tanto contraditória e centralizada para seu controle e fornecimento, um conceito que uma criptomoeda inicialmente pretendia eliminar. Além disso, outra questão que se torna evidente é: quem confiaria tanta riqueza ao Tether?
Apesar de se envolver em processos judiciais dispendiosos e controvérsias difamatórias, o fato é que o Tether continua sendo claramente a stablecoin preferida do mercado. Seu supera Bitcoin em dezenove bilhões de dólares (US$ 19,6 bilhões). Parece que finalmente está colhendo os frutos de seus esforços concentrados para monopolizar o mercado.
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