Os Estados Unidos aumentaram a pressão sobre Taiwan para que transfira parte de sua produção de semicondutores para o país. Howard Lutnick afirmou que Taiwan deve ajudar os Estados Unidos a produzir até metade dos chips necessários para o consumo interno.
Os EUA citaram ameaças geopolíticas e vulnerabilidades na cadeia de suprimentos ao pressionarem por uma redução em sua dependência da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC). Lutnick argumentou, em entrevista à NewsNation, que transferir uma capacidade substancial de produção de semicondutores para os EUA é necessário para neutralizar o risco de agressão chinesa contra Taiwan.
Os Estados Unidos almejam uma participação de 50% no mercado global de semicondutores, enquanto a produção interna permanece abaixo de 10%
Durante a entrevista, Howard Lutnick enfatizou que Taiwan deveria permitir que os EUA produzissem 50% dos chips e wafers para consumo local. Lutnick foi além, sugerindo que a cooperação de Taiwan estaria diretamente ligada ao apoio militar dos EUA. Ele levantou uma questão: como os EUA protegeriam Taiwan se o país detivesse 95% do fornecimento global de semicondutores?
Washington está incentivando a produção nacional de chips por meio de subsídios, acordos de investimento e pressões regulatórias. Em março, Trump anunciou um acordo com a TSMC para um investimento de US$ 100 bilhões em fábricas, instalações de embalagem e centros de P&D nos EUA, ampliando o compromisso anterior de US$ 65 bilhões. A TSMC já investiu cerca de US$ 165 bilhões em suas operações nos EUA.
O governo Trump também está considerando medidas comerciais adicionais, como tarifas elevadas e uma possível exigência de produção na proporção de 1:1, que obrigaria as empresas a fabricar nos EUA a mesma quantidade de chips que importam. Essa escalada poderia ajudar a trazer de volta para o país a produção avançada de semicondutores.
Os EUA atualmente menos de 10% dos chips do mundo e uma proporção ainda menor dos dispositivos lógicos mais avançados. Para atingir pelo menos 40% da oferta global, Lutnick estimou que seria necessário um investimento de aproximadamente US$ 500 bilhões. A reportagem destacou que transferir a produção para os EUA seria caro, demorado e disruptivo devido à complexidade dos processos industriais de semicondutores, que dependem de componentes e materiais especiais de empresas especializadas.
Karen Kuo, porta-voz do Gabinetedent, observou em março que a TSMC não transferirá sua produção de chips mais avançada para instalações estrangeiras, citando a política N-1 do governo, que exige que as fábricas no exterior permaneçam pelo menos uma geração atrás das fábricas nacionais.
As ações da TSMC caíram 1,5% hoje após as declarações de Lutnick
Em abril, Taiwan também alterou o projeto de lei de Inovação Industrial para impor multas de até NT$ 10 milhões (US$ 310.000) para investimentos estrangeiros não autorizados. A alteração permitiu ao governo bloquear projetos considerados de risco para a segurança nacional e a estabilidade econômica.
Enquanto isso, a TSMC vem expandindo sua presença nos EUA, com operações no Arizona para sua fábrica de quatro nanômetros e uma fábrica de três nanômetros com previsão de inauguração em 2028. A empresa também planeja inaugurar uma fábrica de dois nanômetros até 2029. A TSMC opera centros de design no Texas, Califórnia e Washington.
As ações da TSMC caíram 1,5% hoje, sendo negociadas a US$ 1.300, ante o fechamento anterior de US$ 1.320. No entanto, o desempenho acumulado no ano, com alta de 22,07%, demonstra que a empresa manteve atronconfiança dos investidores no setor de semicondutores.
A pandemia da COVID-19 destacou os riscos da produção concentrada de chips, que pode afetar diversos setores, desde o automotivo até a inteligência artificial e a defesa, devido a interrupções na cadeia de suprimentos. Lutnick enfatizou que reduzir a dependência excessiva de Taiwan é essencial para evitar vulnerabilidades semelhantes no futuro. Apesar da resistência de Taiwan, Lutnick revelou que todos ficarão surpresos com o sucesso dos EUA. Até o momento, permanece incerto se Washington conseguirá implementar o plano.

