A dívida nacional dos Estados Unidos está crescendo mais rápido do que nunca, e qualquer pessoa que acredite que a economia esteja em terreno sólido precisa analisar a situação mais de perto, porque os números contam uma história completamente diferente.
Atualmente, a dívida nacional dos EUA ultrapassou US$ 35,27 trilhões, praticamente dobrando nos últimos dez anos. Simplificando, cada americano agora arca com cerca de US$ 105.000 dessa dívida.
Não é de admirar que os economistas estejam soando o alarme, com os riscos de recessão se aproximando. A grande questão agora é: quanto tempo até que tudo desmorone?
A relação dívida/PIB é outro sinal claro da pressão. No segundo trimestre, essa relação estava em 121,57%, muito acima da zona segura recomendada de 77%.
Prevê-se que os pagamentos de juros da dívida nacional disparem de US$ 659 bilhões em 2023 para US$ 870 bilhões até o final de 2024. Esse dinheiro está sendo drenado de investimentos públicos, como infraestrutura e saúde.
Crescimento da dívida e um desastre político
A dívida começou a crescer exponencialmente após a crise financeira de 2008, especialmente após a pandemia de COVID-19.
Todos os principais eventos econômicos das últimas duas décadas aumentaram ainda mais a dívida, e se nada mudar, as projeções mostram que a dívida dos EUA poderá atingir 166% do PIB até 2054. Um número completamente insustentável.
Tanto democratas quanto republicanos contribuíram para que essa situação se agravasse.
Entre planos de gastos dispendiosos e cortes de impostos, ambos os partidos agravaram o problema, adiando a solução sem oferecer soluções reais. E isso não é o pior.
O defiorçamentário federal para 2023 atingiu US$ 1,7 trilhão, com previsões sugerindo que em 2024 ele poderá subir para US$ 1,9 trilhão. É um ciclo vicioso.
Crescimento econômico e batalha contra a inflação
Apesar do aumento da dívida, a economia dos EUA conseguiu, de alguma forma, crescer de maneira constante na última década. Mas sejamos honestos, esse crescimento não se baseia em fundamentos sólidos. É como construir um arranha-céu em areia movediça.
Com a inflação mostrando sua face perigosa, qualquer crescimento econômico futuro pode ser facilmente aniquilado. Se a inflação continuar subindo, o governo terá que aumentar as taxas de juros para conter a situação.
E quando isso acontecer, os custos de empréstimo para o governo aumentarão drasticamente, elevando ainda mais a dívida pública.
A inflação não é apenas um problema do governo. É também um pesadelo para o consumidor. Taxas de juros mais altas significam menos dinheiro para as pessoas gastarem.
Some a isso as tensões geopolíticas e a menor demanda por exportações americanas, e a perspectiva começa a ficar bem mais sombria. Pior ainda é o impasse político que estamos vendo em Washington.
Ambos os lados do espectro político parecem estar ocupados demais brigando para abordar os verdadeiros perigos econômicos que em breve podem explodir na cara de todos.
Recessão: Toc, toc?
Os sinais de recessão são evidentes, e os economistas vêm tracdiversos indícios há dois anos. E se ela de fato ocorrer, os Estados Unidos não serão a única economia a sofrer um grande impacto.
Quando ocorre uma recessão, a economia encolhe. O PIB cai, as pessoas perdem seus empregos e os consumidores param de gastar.
Durante a Grande Recessão de 2007-2009, o PIB caiu 4,3%, e isso pode acontecer novamente. A atividade empresarial despenca, principalmente em setores como o industrial e o imobiliário.
As vendas e os lucros diminuem, e as empresas se esforçam para cortar custos. Isso frequentemente leva a demissões, o que só piora a situação.
Condições de crédito mais restritivas significam que as empresas não conseguem obter empréstimos com a mesma facilidade, colocando ainda mais empresas à beira da falência.
Historicamente, o desemprego aumenta durante recessões. Durante a Grande Recessão, a taxa de desemprego chegou a atingir 10%.
Os trabalhadores que perdem seus empregos durante recessões frequentemente enfrentam períodos mais longos de desemprego e, quando retornam ao trabalho, seus salários geralmente são menores.
Pesquisas mostram que os trabalhadores que perderam seus empregos durante a Grande Recessão tiveram uma perda de rendimentos ao longo da vida de 19%, aproximadamente US$ 112.100 em 25 anos.
A estagnação salarial também é um problema grave. Mesmo que os trabalhadores consigam encontrar novos empregos, seus rendimentos podem ser muito menores do que ganhavam antes.
Após a Grande Recessão, aqueles que conseguiram ser recontratados estavam ganhando 17% menos dois anos depois de perderem seus empregos.
É uma pílula difícil de engolir para milhões de pessoas, mas a dura realidade de uma recessão é que não se trata apenas de perder empregos. Trata-se de perder a estabilidade financeira por anos, senão décadas.
Resposta do governo: Muito pouco, muito tarde?
Quando a situação se complica, o governo normalmente implementa pacotes de estímulo para tentar impulsionar a economia. Injeta dinheiro em setores em dificuldades e reduz impostos para incentivar as pessoas a gastarem mais.
Mas sejamos realistas, essas medidas geralmente são insuficientes e chegam tarde demais. Quando o governo reage, o estrago já está feito.
O Federal Reserve também pode reduzir as taxas de juros para incentivar empréstimos e investimentos. Em recessões passadas, chegou a recorrer ao afrouxamento quantitativo, basicamente inundando o mercado com dinheiro barato para tentar manter a economia à tona.
As recessões também têm consequências sociais muito reais. A desigualdade de riqueza se agrava. Os ricos geralmente se recuperam mais rapidamente porque possuem ativos e investimentos que amortecem o impacto.
Os pobres? Nem tanto. As recessões aprofundam a desigualdade de renda, deixando milhões de pessoas lutando para sobreviver. Mas isso não é tudo.
As recessões afetam a saúde mental das pessoas. O estresse causado pela perda de emprego, a instabilidade financeira e a incerteza quanto ao futuro levam a taxas mais altas de depressão e ansiedade.
O desemprego de longa duração pode ser devastador para as pessoas, levando a uma espiral de problemas de saúde mental da qual é difícil escapar.
Consequências globais de uma recessão nos EUA
Os Estados Unidos são a maior economia do mundo e, quando enfrentam dificuldades, o comércio global para completamente.
Países que dependem fortemente das exportações para os EUA sentirão o impacto, especialmente nações como o México e o Canadá. Na última recessão global, o volume de comércio caiu mais de 15% devido à incerteza generalizada.
Os preços das commodities também sofrem um impacto durante recessões. Petróleo, metais, tudo se desvaloriza. Durante a crise financeira de 2008, os preços do petróleo despencaram de mais de US$ 140 por barril para menos de US$ 40.
Trata-se de um colapso gigantesco, que arrastou consigo países como a Rússia e a Arábia Saudita, dependentes da exportação de commodities. Some a isso as interrupções na cadeia de suprimentos e você terá o caos global.
Além disso, os mercados de ações não gostam de incerteza, e as recessões trazem muita incerteza. Historicamente, o índice S&P 500 caiu, em média, 24% durante recessões nos EUA.
Investidores globais tendem a se desfazer de ativos de risco, criando ainda mais volatilidade nos mercados emergentes. Esse tipo de pânico pode levar a uma fuga maciça de capitais dos países em desenvolvimento, prejudicando ainda mais suas economias.
O setor bancário global também não está a salvo. Uma recessão nos EUA pode se espalhar rapidamente para outros países, causando problemas de liquidez à medida que os bancos tentam se estabilizar diante da queda no valor dos ativos.
Se os mutuários americanos começarem a deixar de pagar seus empréstimos, não demorará muito para que esse choque atinja os bancos em todo o mundo.
Respostas políticas e mudanças estruturais
Governos de todo o mundo se mobilizarão para responder às consequências de uma recessão nos EUA. Pacotes de estímulo, como a Lei de Recuperação e Reinvestimento Americana (ARRA), tornam-se a solução mais comum.
Os bancos centrais reduzem drasticamente as taxas de juros, tentando incentivar o crédito. Mas essas medidas muitas vezes não resolvem as causas profundas da crise.
Mudanças a longo prazo são necessárias. Reformas regulatórias, como as que ocorreram após a crise financeira de 2008, são imprescindíveis para estabilizar a economia.
Os países também podem reconsiderar suas políticas comerciais, potencialmente adotando medidas protecionistas na tentativa de se protegerem das consequências.
Então, não. A economia dos EUA não está tão bem quanto você imagina. E quando ela entrar em colapso, o mundo inteiro será afetado.

