As autoridades sul-coreanas estão defendendo a extradição de cofundador e ex-CEO da Terraform Labs, em relação ao colapso do TerraUSD (USTC) e do token LUNA.
Os promotores alegam que a maioria dos supostos crimes ocorreu na Coreia do Sul e que realizar o julgamento no país atenderia melhor aos interesses das vítimas afetadas pelo prejuízo de US$ 40 bilhões no ecossistema Terra.
A batalha pela extradição
Dan Sung-han, o principal promotor do caso, argumenta que a maior parte das principais provas e indivíduos ligados a Do Kwon estão localizados na Coreia do Sul.
Ele afirma que a criação e o subsequente fracasso de ambas as criptomoedas representam um "crime sistêmico"
Kwon e seus colaboradores estão sendo acusados de crimes como fraude, violações das leis do mercado de capitais, manipulação do volume de transações usando "robôs de negociação", suborno e outros crimes financeiros.
Caso seja considerado culpado, Kwon poderá ser condenado à pena de prisão mais longa já aplicada por um crime financeiro na história da Coreia do Sul.
Ao mesmo tempo, Kwon também enfrenta acusações criminais de fraude nos Estados Unidos, apresentadas por procuradores federais em Nova York, e um processo civil movido pela Comissão de Valores Mobiliários (SEC).
Os representantes legais de Kwon rejeitaram as acusações dos EUA, argumentando que o país não tem jurisdição, uma vez que a empresa não fazia marketing direto para americanos e nenhuma das criptomoedas era regulamentada pela SEC.
Os problemas legais de Do Kwon
Do Kwon, cidadão sul-coreano, foi detido em Montenegro em março sob a acusação de falsificação de documentos. Desde então, tanto a Coreia do Sul quanto os Estados Unidos têm tentado extraditar o cofundador da Terra. As autoridades reguladoras de Singapura também estão à procura de Kwon.
Montenegro não possui tratado de extradição com Singapura ou Coreia do Sul, mas mantém um acordo de extradição mais antigo com os EUA e já extraditou cidadãos americanos no passado.
O ministro da Justiça montenegrino, Marko Kovač, afirmou que a decisão sobre a extradição de Kwon levaria em consideração diversos fatores, incluindo a gravidade do crime, o local e a época em que o delito ocorreu.
No final de abril, autoridades sul-coreanas indiciaram Shin Hyun-seong, outro cofundador da Terraform Labs, juntamente com outras nove pessoas, em conexão com o colapso do ecossistema Terra.
Eles enfrentam acusações de fraude, abuso de confiança e peculato. Esses indivíduos são acusados de acumular lucros ilícitos de quase 460 bilhões de won coreanos (US$ 350 milhões), conforme noticiado pelo jornal coreano KBS World. Se extraditado para seu país de origem, Kwon enfrentaria acusações semelhantes, com uma pena potencial de até 40 anos de prisão.
A Terra foi uma das pioneiras no campo das stablecoins algorítmicas. O ecossistema desmoronou quando sua stablecoin nativa, a USTC, deixou de ser atrelada ao dólar americano em maio de 2022, desencadeando uma série de crises no setor de criptomoedas no ano passado.
A decisão final sobre se Kwon será extraditado para a Coreia do Sul ou para os Estados Unidos será tomada assim que as autoridades montenegrinas concluírem o processo contra ele por fraude de passaporte.
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